<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762</id><updated>2012-01-28T06:56:46.575-03:00</updated><title type='text'>Engenho e Arte</title><subtitle type='html'>"Cantando espalharei por toda a parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte" (Os Lusíadas, Luís de Camões)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>108</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5522493370772041781</id><published>2012-01-14T22:42:00.000-03:00</published><updated>2012-01-14T22:46:28.863-03:00</updated><title type='text'>A música da sua vida</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Rvo8HrconLU/TxIkhq_-lxI/AAAAAAAAAM0/rXhekWd9kBQ/s1600/cancoes.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://1.bp.blogspot.com/-Rvo8HrconLU/TxIkhq_-lxI/AAAAAAAAAM0/rXhekWd9kBQ/s200/cancoes.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Um dos maiores documentaristas brasileiros, Eduardo Coutinho estácom novo filme na praça, &lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt;, eleito melhordocumentário no Festival do Rio 2011, pelos júris popular eoficial. Coutinho sempre parte, em seus filmes, de ideias simplespara criar algo original e, por vezes, genial, já que a genialidadetem um pé na simplicidade. Algo como o que fizeram (ou fazem), namúsica, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, João Gilberto, ou mesmo ChicoBuarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt; chega ao limite dessa simplicidade, tanto nocenário enxuto – o entrevistado em um palco de teatro com umacortina preta por trás -, quanto no mote que o conduz, representadopela questão: &lt;i&gt;“Qual a música da sua vida?”&lt;/i&gt;. Foram 240pessoas abordadas, 42 pré-selecionadas e 18 escolhidas para a versãofinal do documentário. Os depoimentos foram, quase todos, ligados arelacionamentos amorosos, ilustrados por canções anteriores àdécada de 80, o que se explica pela faixa etária da maioria dosdepoentes. Interessante, também, ao se levar em conta o tema dofilme, é que Eduardo Coutinho dificilmente escuta música, o que melembrou o poeta João Cabral, que não apenas não escutava, comodetestava qualquer tipo de música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt; guarda algumas semelhanças com &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2008/03/sobre-natural.html" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Jogo de cena&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (2007), desde o cenário até oformato de busca aleatória dos entrevistados - o segundo por meio deoutdoors, anúncios e o primeiro pelas ruas do Rio de Janeiro,principalmente. Em ambos, um modo interessante de contar os fatostambém foi, logicamente, levado em conta. E se a convocação daspessoas, em &lt;i&gt;Jogo de cena&lt;/i&gt;, pedia histórias de vida marcantes,em &lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt; houve mais um requisito: como os relatos eramassociados a músicas, o depoente deveria saber cantar razoavelmentebem, sem ser profissional. Nesse aspecto, alguns cantaram bem demais,diminuindo um pouco a emoção que viria com uma interpretação maisespontânea, mas a maioria cantou com o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;Não por acaso, os depoimentos mais marcantes do documentário aliamboa música a interpretação  natural, história interessante anarração envolvente. Como o primeiro, de uma mulher que canta &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OJY7mEVsAik" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Minha namorada&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Vinícius de Moraes / Carlos Lyra) e traz consigo aletra da canção, manuscrita por um namorado, que lha dedicou(êpa!), décadas atrás. Ou o último, em que a depoente espelha asdesventuras do amor com um &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=H263F_Ds298" target="_blank"&gt;Retrato em branco e preto&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;(ChicoBuarque / Tom Jobim)&lt;/span&gt;. Por outro lado, canções repetidas emmais de um depoimento, como &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=i64EW2rIVtE" target="_blank"&gt;Olha&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;(RobertoCarlos / Erasmo Carlos) e a versão brasileira de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=6cInRzqKchE&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Perfídia&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;(Alberto Dominguez),&lt;/span&gt; impedem o filme de abranger um universomusical maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;Anos atrás, num programa de televisão de tema semelhante, em que aspessoas, ao citarem músicas que marcaram várias épocas de suasvidas, construíam suas trilhas sonoras, uma entrevistada incluiu, emsua lista, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ft89ZGkfPNk&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Vento no litoral&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Renato Russo / Dado Villa-Lobos /Marcelo Bonfá) e emocionou-se ao cantar: &lt;i&gt;“Já que você nãoestá aqui, o que posso fazer? Quero ser feliz, ao menos. Lembra queo plano era ficarmos bem”&lt;/i&gt;. Geralmente associada a um fim derelacionamento, a letra da canção lembrava-lhe o falecido pai. Em&lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt;, senti falta de visões diferentes assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;Para um amante da música e admirador da obra de Eduardo Coutinho,minha expectativa para este filme era grande - e, em parte, foiatendida, ainda que não consiga igualá-lo ao desconcertante esurpreendente &lt;i&gt;Jogo de cena&lt;/i&gt;, ou mesmo a seus filmes maisconhecidos, como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=E6X9__lBbiA" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Cabra marcado para morrer&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;i&gt;Peões&lt;/i&gt;,&lt;i&gt;Babilônia 2000&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Edifício Master&lt;/i&gt;. A razão pode estarno fato de que, se em todos eles conseguimos nos emocionar ou rir comas narrativas, sejam elas quais forem, sem que, necessariamente,tenhamos vivido algo semelhante, o gosto musical pode influir nojulgamento de &lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt; a ponto de gostarmos mais dashistórias na medida em que gostamos das músicas que as acompanham -cada um tem seu &lt;i&gt;As canções&lt;/i&gt; particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;O próprio cineasta não fugiu por completo desse aspecto, mesmo queinadvertidamente, na medida em que selecionou, para o filme, duaspessoas que escolheram &lt;i&gt;Perfídia&lt;/i&gt; – que ele diz adorar –como canção de suas vidas. Da mesma forma, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BVsYoOu4DA4&amp;amp;feature=fvst" target="_blank"&gt;Ternura&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;(EstelleLevitt / Kenny Karen, versão: Rossini Pinto)&lt;/span&gt;, escolhida poroutro entrevistado, já foi citada por Coutinho como uma canção quelhe marcou - ainda que não seja a música de sua vida -, por eletê-la usado em um de seus filmes, na voz de Wanderléa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="background: transparent; margin-bottom: 0cm;"&gt;Quando se quer emocionar a todo custo, faz-se uso de melodramas, comfundo musical e imagens de efeito. Neste filme, como em quase todosdo diretor, ambos os recursos são o próprio personagem ou saemdele. A música deixa de ser incidental ou de fundo e passa ao planoprincipal, enquanto o efeito especial, como ele mesmo afirmou ementrevista, &lt;i&gt;“é a pessoa que fala, que vive, &lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;inventa”e FIM&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/XxckBHKLluU?rel=0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5522493370772041781?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5522493370772041781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5522493370772041781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5522493370772041781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5522493370772041781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2012/01/musica-da-sua-vida.html' title='A música da sua vida'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Rvo8HrconLU/TxIkhq_-lxI/AAAAAAAAAM0/rXhekWd9kBQ/s72-c/cancoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5250916586191922735</id><published>2011-12-05T23:22:00.001-03:00</published><updated>2011-12-06T00:15:14.010-03:00</updated><title type='text'>Marisa de verdade</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SmzN5YKBnaY/Tt1-anTrsyI/AAAAAAAAAMs/IuvW9Ew2fdo/s1600/mmoqvqsdv.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-SmzN5YKBnaY/Tt1-anTrsyI/AAAAAAAAAMs/IuvW9Ew2fdo/s200/mmoqvqsdv.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Desde seu primeirotrabalho, que misturava rock, samba, xote e MPB, Marisa Monte recebeuo rótulo elogioso de cantora eclética. Como a primeira impressão éa que fica, vem daí as expectativas da crítica especializada e departe de seu público por trabalhos diferenciados e longe do óbvio.A partir do segundo disco, &lt;i&gt;Mais&lt;/i&gt;, a cantora foi além e surgiucomo compositora, lado que vem exercitando desde então, numcrescente. Nesse ofício, vem seguindo o modelo Roberto Carlos demanter-se fiel a poucos parceiros e repetir uma fórmula que vemdando certo, mas que pode soar repetitiva (Roberto, por sinal, é umdos compositores admirados pela diva).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Não trilhar o caminhomais fácil de sempre gravar outros compositores, ao mesmo tempo emque constitui ato de ousadia, deixa o cantor mais vulnerável eexposto a críticas, o que vem ocorrendo com seu novo disco, &lt;i&gt;O quevocê quer saber de verdade&lt;/i&gt;, “acusado” de ter canções umtanto quanto óbvias, pra não dizer simplórias. De fato, o discotraz algumas melodias fáceis e mensagens simples (vão-se memóriase crônicas, ficam-se declarações de amor), mas isso não chega aser novidade - vide &lt;i&gt;Os tribalistas&lt;/i&gt; e seu megassucesso &lt;i&gt;Jásei namorar&lt;/i&gt; -, nem compromete todo o resultado - o citado &lt;i&gt;Mais&lt;/i&gt;tinha canções como &lt;i&gt;Eu sei&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Beija eu&lt;/i&gt;, no mesmo estiloe nem por isso desinteressantes, assim como as do disco atual. Adiferença, talvez, esteja na dose.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Em entrevista sobre onovo trabalho, Marisa diz gostar e sempre se utilizar desse tipo delinguagem em suas canções: &lt;i&gt;“Minha música sempre teve essavocação popular. (...) Minha linguagem sempre foi direta, clara,simples. (...) Claro que tem um contato com uma poesia maissofisticada, como em Diariamente, Bem Leve ou Maria De Verdade. E eugosto disso também. (...) Dizem que sou cult, mas eu nunca tive aintenção de ser cult, no sentido de fazer música para poucos. Àsvezes, acho que a minha música se confunde com a minha posturareservada. E isso cria um paradoxo.”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;O que você quersaber de verdade&lt;/i&gt;, com exceção de três faixas, tem aparticipação de um, dois ou três dos inseparáveis compositoresArnaldo Antunes, Carlinhos Brown e a própria Marisa Monte. Paracomprovar que às vezes é bom inspirar novos ares e novos parceiros,uma das mais diferenciadas canções do disco é &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7qRDCUMo6GE&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;O que se quer&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;,parceria dela com Rodrigo Amarante, do &lt;i&gt;Los Hermanos&lt;/i&gt;, que soacomo uma marcha-rancho sanfonada. Em seus dois discos simultâneosanteriores, Adriana Calcanhoto e outros entraram nesse rol de novosparceiros, também com bons resultados.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Outros companheiros delongas datas de Marisa também participam deste novo disco. O músicoDadi, ex-&lt;i&gt;Novos Baianos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;A Cor do Som&lt;/i&gt;, marca presençacomo coprodutor, instrumentista, compositor e pai (seu filho AndréCarvalho, que apareceu para a mídia na voz de Maria Gadu como autorde &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Q2jXCHV6c0o" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Tudo diferente&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, assina &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RTCYO5shnFA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Nada tudo&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;). Três músicos da&lt;i&gt;Nação Zumbi&lt;/i&gt; - Pupilo, Dengue e Lúcio Maia – participamcomo instrumentistas e é interessante ver suas performances numoutro estilo musical.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Bastante ligada a suasraízes cariocas, ao samba e aos compositores do Rio de Janeiro, comoTim Maia, Jorge Benjor e Paulinho da Viola, Marisa Monte sempremanteve ligações musicais, também, com o nordeste brasileiro,desde seu primeiro disco, quando gravou o &lt;i&gt;Xote das meninas&lt;/i&gt;(Luiz Gonzaga / Zé Dantas), com citações de Genival Lacerda. Alémde Brown e do trio da &lt;i&gt;Nação&lt;/i&gt;, a porção nordestina do novodisco está presente no acordeon do  cearense Waldônis - que deu umtoque bem peculiar e especial a algumas canções - e,particularmente,  na faixa &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SSOJfdSMPng&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Hoje eu não saio não&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, que é tipoum xaxado, buarqueanamente falando.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=v1sigYjNQFA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;canção-título&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;*,que abre o disco e foi anteriormente gravada por &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rnGrJXSJ2d0" target="_blank"&gt;Arnaldo Antunes&lt;/a&gt; em&lt;i&gt;Qualquer&lt;/i&gt; (2006), fala da graça das pequenas coisas, do querealmente importa. Na mensagem singela, lembra &lt;i&gt;Vilarejo&lt;/i&gt;, doálbum anterior e, como aquela, não caberia em letra e arranjorebuscados. Ambas são canções adequadas, que cabem em si. O discosegue com &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9Su6iOuI_Es&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Descalço no parque&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, uma antigona de Jorge Ben - eaí MM repete a fórmula RC de sucesso. Quem se lembra dos discos deRoberto Carlos da década de 70 sabe que todos eles tinham que teruma canção de Maurício Duboc e Carlos Colla, outra de Isolda eMilton Carlos, além de uma de tema religioso e outra ecológica. Nocaso de Marisa, onde lê-se cada uma das duplas, leia-se Paulinho daViola e Jorge Ben(jor).&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Marisa Monte também éeficaz em baladas e, se &lt;i&gt;Infinito particular&lt;/i&gt; tinha &lt;i&gt;Pra sersincero&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Até parece&lt;/i&gt;, neste elas estão bem representadascom &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-mAhw7zQ36s&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Depois&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=b59_Ry2AGtU&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Era óbvio&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=73WFkwFFGHE&amp;feature=related" target="_blank"&gt;Amor I love you&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; passoua bola pra &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/embed/t7M89YJAPhM" target="_blank"&gt;Ainda bem&lt;/a&gt;**&lt;/i&gt;, um bolerão rasgado, com direito atrompete e belo clipe em preto e branco(a) dela bailando com olutador Anderson Silva. Se as duas músicas não dizem tanto, dizem onecessário àquilo a que se propõem - mais uma vez, cabem em si.Outros exemplos de trechos de letras simples, mas bacanas estão em&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DRRQTxrS4aM&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Seja feliz&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (&lt;i&gt;“Tão curta a vida. Curta a vida”&lt;/i&gt;) e&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XxQFI_MmJ5E&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Bem aqui&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;“Se a gente nem sabe onde está bem, está bemaqui”&lt;/i&gt;). Merecem destaque, ainda, outras duas canções: umaversão que foi sucesso décadas atrás com Dalva de Oliveira(&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=adfvmilCdeA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Lencinho querido&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;) e outra que lembra as músicas da &lt;i&gt;JovemGuarda &lt;/i&gt;(&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=feq1F6uiBRg&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Aquela velha canção&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Amantes da música numsentido mais amplo e geral hão de apreciar o novo trabalho dacantora de bela voz. Escutar, entender, viajar, dançar, pular,protestar, namorar, cantarolar, assoviar, para cada situação, háum tipo de música mais adequado e, a depender das circunstâncias, aágua mineral do &lt;i&gt;Candeal&lt;/i&gt; pode até saciar mais ou descermelhor do que aquilo que apreciamos num Bach, &lt;i&gt;on the rocks&lt;/i&gt;,&lt;i&gt;jazz&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;blues&lt;/i&gt;, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/v1sigYjNQFA" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/t7M89YJAPhM" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5250916586191922735?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5250916586191922735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5250916586191922735' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5250916586191922735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5250916586191922735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/12/marisa-de-verdade.html' title='Marisa de verdade'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SmzN5YKBnaY/Tt1-anTrsyI/AAAAAAAAAMs/IuvW9Ew2fdo/s72-c/mmoqvqsdv.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-963695583678806391</id><published>2011-11-09T16:29:00.001-03:00</published><updated>2011-11-10T20:06:49.387-03:00</updated><title type='text'>Música das bandas de lá</title><content type='html'>O documentário &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PEcvjN7s260" target="_blank"&gt;Rock Brasília – Era de ouro&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Vladimir Carvalho, vem sendo exibido de forma discreta nas salas de cinema do país, com exceção da capital federal, onde foi o esperado filme de abertura do consagrado festival de cinema local. A repercussão por lá não podia ser diferente, em se tratando de uma cidade que é importante personagem da história contada, mas o filme é uma boa surpresa, também, para quem se dispõe a assisti-lo longe do planalto central, do céu de Brasília, do traço do arquiteto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, fala-se do rock brasileiro dos anos 80 como algo indivisível, sem considerar suas especificidades e, nesse aspecto, o filme tem uma abordagem diferente: atém-se ao surgimento de três bandas brasilienses – &lt;i&gt;Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana&lt;/i&gt; -, cujas histórias são interligadas. Apesar dessa abordagem, não deixa de inserir o universo local no contexto nacional e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília é uma cidade atípica, que não conseguimos dissociar de dois aspectos principais. Primeiro o político, refletido em certas letras de cunho social das bandas de lá, como &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=TAUIA5vLo3w&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Que país é esse&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=syL3QlD9S3M" target="_blank"&gt;Até quando esperar&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kJ5sXUxX3QE" target="_blank"&gt;Mais do mesmo&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JXsGy1yz_DY" target="_blank"&gt;Geração Coca-Cola&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;desde pequenos nós comemos lixo / comercial e industrial / mas agora chegou nossa vez / vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês&lt;/i&gt;). Depois - consequência de ser centro do poder - o fato de abrigar pessoas de várias localidades, sobretudo na década de 80, quando ainda formava a primeira geração de nativos, então na casa dos vinte anos. Muitos dos jovens eram filhos de políticos, diplomatas, funcionários públicos, incluindo integrantes dos três citados grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme dá a devida importância a esses aspectos no surgimento de tais bandas, na medida em que toma como coprotagonistas os pais (literalmente) do rock brasiliense e põe suas considerações ao lado dos depoimentos de integrantes das três bandas, em diferentes épocas, colocando, juntos, pais e filhos da revolução, como ressalta o &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PEcvjN7s260" target="_blank"&gt;trailer oficial&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. Boa parte da história é contada do ponto de vista dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embrião desses grupos musicais foi a amizade dos irmãos Fê e Flávio Lemos com Renato Russo. Os três formaram, com outros amigos, a banda &lt;i&gt;punk Aborto Elétrico&lt;/i&gt;, que seria dividida, após desentendimentos, em &lt;i&gt;Capital Inicial&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Legião Urbana&lt;/i&gt;. Junto com os garotos que formariam a &lt;i&gt;Plebe Rude&lt;/i&gt;, eles moravam todos próximos, em uma das quadras residenciais do plano piloto da capital federal, onde matavam o tempo e o propalado marasmo da cidade em encontros regados a &lt;i&gt;rock&lt;/i&gt; e maconha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em paralelo, bandas cariocas já causavam certo alvoroço sonoro no Rio de Janeiro, a começar da &lt;i&gt;Blitz&lt;/i&gt; e foi uma delas, meio carioca, meio brasiliense, que fez a ponte e impulsionou o movimento dos meninos de Brasília: os &lt;i&gt;Paralamas do Sucesso&lt;/i&gt;. Dois de seus integrantes, Bi Ribeiro e Herbert Vianna tinham um pé naquela cidade. Os &lt;i&gt;Paralamas&lt;/i&gt; já gozavam de certo prestígio na mídia e puderam, assim, dar boas referências de seus colegas às gravadoras, ávidas por novos talentos num estilo musical que prosperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três bandas mostradas no filme fazem parte da segunda leva dos grupos de &lt;i&gt;rock&lt;/i&gt; brasileiros dos anos 80, os quais despontaram para o sucesso após a primeira metade da década, que teve como divisores de águas a eleição indireta de Tancredo Neves para presidente e o &lt;i&gt;Rock in Rio I&lt;/i&gt;, ambos em janeiro de 85. Com exceção do grupo &lt;i&gt;Legião Urbana&lt;/i&gt;, ícone da música daquele período, os dois outros tiveram, na ocasião, menor acesso à mídia, sobretudo a &lt;i&gt;Plebe Rude&lt;/i&gt; que, salvo algumas músicas, não tocava tanto nas rádios, sempre mais abertas ao que consideravam sucessos fáceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, o maior sucesso da &lt;i&gt;Plebe Rude&lt;/i&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=syL3QlD9S3M" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Até quando esperar&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;*, é uma canção menos comum, que fala do acaso probabilístico com que somos jogados de um ou outro lado da sociedade ao nascermos, bem como de um certo sentimento de culpa que tal fato provoca naqueles que fazem parte do lado mais privilegiado, em condições de desigualdade com o “lado B”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momento interessante do filme, Renato Russo relata seu estranhamento com o fato de um dos discos da &lt;i&gt;Legião&lt;/i&gt; - que começa com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=aQo4W3JciKo" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Há tempos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, canção sem refrão, de versos nada triviais para os padrões de um estilo massificado - ter estourado nas rádios e ser um dos maiores êxitos de venda da época. Outro trecho mostra imagens do grupo apresentando-se no programa &lt;i&gt;Chico &amp;amp; Caetano&lt;/i&gt;, da &lt;i&gt;Rede Globo&lt;/i&gt;, pontuadas por observações de Caetano, sempre atento a novidades. Ao final, um hino da geração 80, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7sqbzrZxrrk&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Tempo perdido&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, para deleite dos saudosos fãs da época (ou dos que passaram a apreciá-la depois), que podem sair da sessão cantarolando: &lt;i&gt;‘fomos’ tão jovens, tão jovens&lt;/i&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Até quando esperar (Philippe Seabra / André X)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nossa culpa&lt;br /&gt;Nascemos já com uma bênção&lt;br /&gt;Mas isso não é desculpa&lt;br /&gt;Pela má distribuição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanta riqueza por aí, onde é que está&lt;br /&gt;Cadê sua fração?&lt;br /&gt;Até quando esperar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cadê a esmola&lt;br /&gt;Que nós damos sem perceber&lt;br /&gt;Que aquele abençoado&lt;br /&gt;Poderia ter sido você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanta riqueza por aí, onde é que está&lt;br /&gt;Cadê sua fração?&lt;br /&gt;Até quando esperar a plebe ajoelhar&lt;br /&gt;Esperando a ajuda de Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso&lt;br /&gt;Vigiar teu carro&lt;br /&gt;Te pedir trocados&lt;br /&gt;Engraxar seus sapatos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/syL3QlD9S3M" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/PEcvjN7s260" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-963695583678806391?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/963695583678806391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=963695583678806391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/963695583678806391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/963695583678806391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/11/musica-das-bandas-de-la.html' title='Música das bandas de lá'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/syL3QlD9S3M/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2937414922693522365</id><published>2011-10-07T00:21:00.000-03:00</published><updated>2011-10-07T00:47:13.375-03:00</updated><title type='text'>A maçã e a chuva</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Consideraçõesmusicais de Raul Seixas para relacionamentos amorosos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(A SteveJobs, que gostava de maçã e provou ao mundo que nem todas sãoiguais)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A fidelidade comorequisito ao casamento costuma ser inquestionável. Por outro lado, eao mesmo tempo, o pouco êxito no cumprimento deste requisito, motivomaior de separações, junto às naturais dificuldades derelacionamento, também é indiscutível. Os pesos e medidas utilizados para julgar atos de infidelidade conjugal,porém, são menores em sua versão masculina e, aí sim, começa adiscussão. Trata-se, afinal, de um pacto, acordo ou contrato entreduas pessoas que prometem ser fiéis uma à outra, por toda a vida.Uma via de mão dupla, em que a ultrapassagem não é aconselhável,nem pra um lado, nem pra outro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O assunto é temarecorrente, também, na música e na literatura. O poetinha Viníciusde Moraes reconheceu o amor como algo não imortal, posto que échama. Seria possível, então, manter essa chama acesa e tornar afidelidade não um fardo, mas um prazer? Há quem acredite que sim, esão muitos. Há quem acredite que não, e não são poucos. O cantore compositor Raul Seixas apresentou, por meio de duas canções em parceria com o escritor Paulo Coelho –&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.vejatv.com/video-12362.Raul-Seixas---Medo-da-chuva.html" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Medoda chuva&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;* e &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://mais.uol.com.br/view/tv1al1qu05z1/raul-seixas--a-maca-0402E0818326" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Amaçã&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;** -, um modelo de casamento que foge aopadrão &lt;i&gt;hi-fi&lt;/i&gt;, de alta fidelidade. Ao reconhecer a via dafidelidade como inviável numa união entre duas pessoas, ele propôs,em seu colóquio, um novo modelo de relacionamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O estranho modelo &lt;i&gt;seixiano&lt;/i&gt;é, pelo menos, coerente, uma vez que, ao considerar a tão propaladafraqueza da carne inerente à espécie humana como um todo,independente de gênero, assume seus efeitos e dispensa a fidelidadeem ambos os lados da relação. Pela sua visão, melhor assumir suaslimitações do que colocar panos quentes apenas na pulada de cercamasculina. A liberdade que ele pede em &lt;i&gt;Medo da chuva&lt;/i&gt;, ofereceem &lt;i&gt;A maçã&lt;/i&gt;. Não se trata de ser adepto, tampouco de aprovar,muito menos de recomendar a aplicação de sua teoria, qual seja a desair por aí a comer maçã na chuva, mas há que se admitir a lógicade seu raciocínio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em &lt;i&gt;Medo da chuva&lt;/i&gt;,ele constata que, ao se prender exclusivamente a alguém, como pedrasimóveis na praia, deixa-se de viver várias outras possibilidades deamores – afinal, quem não está na chuva é pra não se molhar. Aomesmo tempo, reflete que o segredo da vida e da felicidade está emperder o medo da chuva e assumir-se incapaz de amar apenas uma vez ede cumprir as juras de amor eterno, feitas ao pé do altar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em &lt;i&gt;A maçã&lt;/i&gt;, eletambém assume o desgaste provocado por uma relação biunívoca e,ao admitir que o amor só dura em liberdade, aceita, também,libertar, não sem sofrimento, a pessoa amada. Por essa linha deraciocínio, em se abolindo expectativas inalcançáveis e recíprocasde fidelidade, evitar-se-ia, também, as consequentes frustrações. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As duas canções, ora sãocomplementares - com enfoques na impossibilidade de se amar apenasuma vez (&lt;i&gt;Medo da chuva&lt;/i&gt;) ou apenas um de cada vez (&lt;i&gt;A maçã&lt;/i&gt;)-, ora parecem dialogar uma com a outra, em harmonia e sintoniaperfeitas. Mesmo sem entrar no mérito do que ambas apregoam, acoerência de ideias entre uma e outra letra é perceptível, comonas duas estrofes a seguir: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;“&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;É pena que vocêpense que eu sou seu escravo / Dizendo que eu sou seu marido e nãoposso partir / Como as pedras imóveis na praia eu fico ao seu ladosem saber / Dos amores que a vida me trouxe e eu não pude viver”(Medo da chuva)&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;“&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Se eu te amo e tu meamas / E outro vem quando tu chamas / Como poderei te condenar? /Infinita tua beleza / Como podes ficar presa / Que nem santa numaltar?” (A maçã)&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A diferença deabordagem da infidelidade masculina perante a feminina é históricae alimentada por simplificações estereotípicas bem comuns - dotipo homem sujeito, mulher objeto ou homem quer sexo, mulher querdinheiro -, exploradas, inclusive, pela mídia. Em contraponto a talraciocínio, a teoria do maluco beleza, pelo menos, tira da mulher oexclusivo papel de fiel da balança e diminui, com equidade, o pesodessa fidelidade entre as duas partes. O ideal, porém, e sempre, é cadaum escolher uma e apenas uma maçã, a mais madura ou a que mais lheaprouver e não entrar num relacionamento apenas para passar umachuva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Medo da chuva (RaulSeixas / Paulo Coelho)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É pena que você penseque eu sou seu escravo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dizendo que eu sou seumarido e não posso partir&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Como as pedras imóveis napraia eu fico ao seu lado sem saber&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dos amores que a vida metrouxe e eu não pude viver&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu perdi o meu medo, meumedo, meu medo da chuva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pois a chuva voltando praterra traz coisas do ar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aprendi o segredo,segredo, segredo da vida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vendo as pedras que choramsozinhas no mesmo lugar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu não posso entendertanta gente aceitando a mentira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De que os sonhos desfazemaquilo que o padre falou&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Porque quando eu jurei meuamor eu traí a mim mesmo, hoje eu sei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que ninguém nesse mundo éfeliz tendo amado uma vez, uma vez&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu perdi o meu medo, meumedo, meu medo da chuva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pois a chuva voltando praterra traz coisas do ar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aprendi o segredo,segredo, segredo da vida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vendo as pedras que choramsozinhas no mesmo lugar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;** A maçã (RaulSeixas / Paulo Coelho)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se esse amor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ficar entre nós dois&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vai ser tão pobre amor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vai se gastar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se eu te amo e tu me amas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Um amor a dois profana&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O amor de todos os mortais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Porque quem gosta de maçã&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Irá gostar de todas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Porque todas são iguais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se eu te amo e tu me amas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E outro vem quando tuchamas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Como poderei te condenar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Infinita tua beleza&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Como podes ficar presa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que nem santa no altar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando eu te escolhi&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para morar junto de mim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu quis ser tua alma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ter seu corpo, tudo enfim&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas compreendi&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que além de dois existemmais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Amor só dura em liberdade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O ciúme é só vaidade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sofro, mas eu vou telibertar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O que é que eu quero&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se eu te privo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Do que eu mais venero&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que é a beleza de deitar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/qAEivvjkBJQ" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;iframe frameborder="0" height="315" src="http://www.dailymotion.com/embed/video/xcg0sd" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-2937414922693522365?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/2937414922693522365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=2937414922693522365' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2937414922693522365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2937414922693522365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/10/maca-e-chuva.html' title='A maçã e a chuva'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/qAEivvjkBJQ/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-4387235548589299328</id><published>2011-09-23T02:04:00.000-03:00</published><updated>2011-09-23T02:04:27.535-03:00</updated><title type='text'>Que a vida começasse em 85</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); }&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Lf_gzyQrvr4/TnwQZl8lNRI/AAAAAAAAAMo/rBI-C25r0JY/s1600/rockinrio1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-Lf_gzyQrvr4/TnwQZl8lNRI/AAAAAAAAAMo/rBI-C25r0JY/s320/rockinrio1.jpg" width="238" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.videolog.tv/video.php?id=294541" target="_blank"&gt;primeiraedição&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt; do festival &lt;i&gt;Rock in Rio&lt;/i&gt;, ocorrida emjaneiro de 1985, foi desses eventos que acontecem no momento certo,no lugar certo. Com um público total de 1.380.000 pessoas, o maiorde todas as edições, tornou-se uma espécie de versão brasileirade &lt;i&gt;Woodstock&lt;/i&gt;, sem o mesmo caráter libertário e alternativo,mas com semelhante apelo de um período musical fértil por trás,guardadíssimas as devidas proporções. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O &lt;i&gt;Rock in Rio I&lt;/i&gt;foi, ao mesmo tempo, divisor de águas e ponto médio no percursoascendente que a nova onda roqueira percorria no país, a começar dadata em que foi realizado, bem no meio da década de 80. Mesmo com orock nacional já consolidado, o festival contribuiu para seucrescimento mais acelerado e uma maior profissionalização donegócio como um todo, o que gerou oportunidade para novas bandas quenão paravam de surgir, fossem de boa ou má qualidade aos olhos eouvidos críticos. Por outro lado, durante o evento, muito se queixouda diferença de tratamento dispensado aos músicos locais em relaçãoaos estrangeiros, estes com mais exigências e regalias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para o público, o climado festival foi o melhor possível. Refletia o astral do país, queencerrava, na ocasião, um período de 21 anos de ditadura militar evirava a tal página infeliz da nossa história. Além de grandesnomes da MPB, como Ney Matogrosso, Ivan Lins, Erasmo Carlos, RitaLee, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Alceu Valença, Moraes Moreira e deartistas do rock nacional que despontavam a olhos vistos e nãovistos (&lt;i&gt;Blitz, Kid Abelha, &lt;/i&gt;Lulu Santos&lt;i&gt;, Barão Vermelho,Paralamas do Sucesso&lt;/i&gt;), o festival teve como atraçõesinternacionais os grupos &lt;i&gt;Queen, Yes, AC/DC, Iron Maiden&lt;/i&gt; e oscantores James Taylor e Rod Stewart, entre outros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Bandas como &lt;i&gt;LegiãoUrbana, Titãs, Ultraje a Rigor&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;RPM&lt;/i&gt;, que logodespontariam para o  sucesso, não participaram do evento.Diferentemente de edições posteriores, o &lt;i&gt;Rock in Rio I&lt;/i&gt;contou com apenas um palco, sem abrir espaço para revelações.Mesmo dentre os novos talentos, preferiu investir em nomes maisconhecidos ou já consagrados. O &lt;i&gt;Ultraje a Rigor&lt;/i&gt;, nãoobstante, foi homenageado no show dos &lt;i&gt;Paralamas do Sucesso&lt;/i&gt;,que cantaram &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4gMxUn9jphA" target="_blank"&gt;Inútil&lt;/a&gt;*&lt;/i&gt;(de Roger Moreira, líder do grupo), num dos grandes momentos dofestival. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Passados 25 anos da últimaeleição direta para presidente e com o fracasso recente da campanha&lt;i&gt;Diretas Já &lt;/i&gt;(que virou diretas já já), a letra de &lt;i&gt;Inútil&lt;/i&gt;,por meio de um linguajar que remetia ao sucateamento da educação, àmá qualidade do ensino e à baixa escolaridade do brasileiro,começava com a constatação: &lt;i&gt;“A gente não sabemos escolherpresidente”&lt;/i&gt;. Com inflação, crise, dívida externa e FMI napauta dos assuntos econômicos, prosseguia: &lt;i&gt;“A gente pede granae não consegue pagar” &lt;/i&gt;e, após sucessivos fracassos nas copasde 74, 78 e 82, terminava com outro fato inegável: &lt;i&gt;“A gentejoga bola e não consegue ganhar”&lt;/i&gt;. Em suma: &lt;i&gt;“A gente somosinútil”&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vários outros momentosmarcaram o evento e, mesmo quem não o acompanhou à época, deve terdeparado, depois, com imagens como as emocionantes interpretaçõesde &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.wat.tv/video/love-of-my-life-queen-rock-30v69_30u73_.html" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Loveof my life&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt; pelo grupo &lt;i&gt;Queen&lt;/i&gt; ou &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5fpGcf4Y7GE" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;You'vegot a friend&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; por James Taylor. Taylor, pouco depois, viria acompor &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cSvZizTCPM0&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Onlya dream in Rio&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, canção em que declara seu amor à cidade efala da experiência pela qual passou no festival carioca:&lt;i&gt; “Euestava lá naquele dia / E meu coração voltou a viver / Havia maisdo que as vozes que cantavam / Mais do que rostos me olhando / E maisdo que olhos brilhando”&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A nível nacional, muitosdos momentos inesquecíveis do &lt;i&gt;Rock in Rio I&lt;/i&gt; tiveram relaçãocom as mudanças políticas por que passava o país, com aredemocratização. Mesmo versos de canções que não tinham,originalmente, ligação com o tema, acabaram por ganhar essaconotação, como: &lt;i&gt;“Tu vens, tu vens, eu já escuto os teussinais”&lt;/i&gt; (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=z769ojUa7oo" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Anunciação&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;**– Alceu Valença) e &lt;i&gt;“Estamos, meu bem, por um triz, pro dianascer feliz” &lt;/i&gt;(&lt;i&gt;Pro dia nascer feliz – &lt;/i&gt;Cazuza / Frejat&lt;i&gt;&lt;/i&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em 15 de janeiro de 85,Tancredo Neves foi eleito, de forma indireta, presidente daRepública, o que marcou o fim dos governos militares no país.Naquele mesmo dia, o grupo &lt;i&gt;Barão Vermelho&lt;/i&gt; apresentou, nofestival, um show emocionante, com os componentes da banda em totalsintonia com a plateia, todos imbuídos do mesmo espíritopatriótico, revestidos por trajes e bandeiras verde-amarelas. Noponto máximo do show, Cazuza clamou: &lt;i&gt;“Que o dia nasça lindopra todo mundo amanhã. Um Brasil novo, com a rapaziada esperta”,&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;após &lt;/span&gt;cantar &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=sB3sCbcjODE" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Prodia nascer feliz&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;***,  para delírio do público. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.rockinrio.com.br/" target="_blank"&gt;quartaedição&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt; do &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.videolog.tv/video.php?id=685877" target="_blank"&gt;festival&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;em território brasileiro terá início nesta sexta-feira, 23 desetembro. A programação é diversificada e tem como maioresdestaques internacionais Elton John e Stevie Wonder. A ideia de umespaço alternativo foi mantida e promete alguns bons shows. Nadacomparável àquela edição que, não só em termos de atrações,mas sobretudo pelo momento cultural e político do país, parece serinsuperável. Afinal, uma esperança clara por dias melhores combinaperfeitamente com o espírito juvenil, que, por sua vez, casa muitobem com um festival de rock. E não é todo dia que esse amorosotriângulo é formado, que a Lua está na sétima casa e Júpiteralinhado a Marte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/4gMxUn9jphA?rel=0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;**&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/z769ojUa7oo?rel=0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/sB3sCbcjODE?rel=0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-4387235548589299328?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/4387235548589299328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=4387235548589299328' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4387235548589299328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4387235548589299328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/09/que-vida-comecasse-em-85.html' title='Que a vida começasse em 85'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Lf_gzyQrvr4/TnwQZl8lNRI/AAAAAAAAAMo/rBI-C25r0JY/s72-c/rockinrio1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-190238436259678584</id><published>2011-09-18T22:17:00.000-03:00</published><updated>2011-09-18T22:23:49.293-03:00</updated><title type='text'>Anos 80 - suas músicas, suas musas, seus enigmas</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O contexto político localexplica - ou termina de explicar - a força da música dos anos 60 e80 em nosso país. À revolução cultural que representou os anos 60ao redor do mundo, somou-se, aqui, as mudanças provocadas pelo golpemilitar. Os anos 80, por sua vez, seguiram o sopro alegre da brisa deliberdade que se anunciava e substituía um ufanismo forçado epré-fabricado por uma real sensação de pertencimento a uma pátria,num significado mais amplo do que apenas o país onde nascemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Se, por umlado, o devastador sucesso comercial do rock brasileiro dos anos 80freou um pouco o espaço reservado a outros estilos, sobretudo àMPB, por outro fez com que a música nacional voltasse a ocupar amaior parte do tempo das rádios, o que não ocorria nos diasdançantes da década anterior. Naquela época, as ondas sonorasainda seguiam o vento que soprava do hemisfério norte e reverberavama máxima &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;jurácyca&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; deque &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“o que é bom para os Estados Unidos, ébom para o Brasil”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. A despeito da grandequalidade dos cantores nacionais de então, a música desse paísnorte-americano, ou das nações de língua inglesa em geral,imperava em todos os sentidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A liberdade política e osbons ventos surgidos com a redemocratização ajudaram nessa retomadado topo das paradas por parte da música brasileira ou, no mínimo,levaram-na a uma disputa menos desigual por esse posto. A bandabrasileira &lt;i&gt;RPM&lt;/i&gt;, por exemplo, vendeu mais de dois milhões decópias do disco &lt;i&gt;Rádio pirata ao vivo&lt;/i&gt;. Esse vento tropicalteve como zona de convergência o eixo Rio-São Paulo, passando porBrasília. O nordeste, que sempre revelara talentos e, pouco antes,promovera um novo deslocamento de eixo com Fagner, Alceu Valença,Elba e Zé Ramalho, entre outros, dessa vez teve menor participação,revelando apenas o grupo baiano &lt;i&gt;Camisa de Vênus&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Outra característica domovimento repetiu a tendência roqueira de uma maior presençamasculina, algo estranho a um país acostumado a grandes vozesfemininas. Estrelas do rock sempre brilharam solitárias e, nos anos80, não foi diferente, com a porção mulher do &lt;i&gt;pop-rock&lt;/i&gt;, bemrepresentada por Paula Toller, Marina Lima e Dulce Quental, abrindoespaço entre os super-homens. Em comum, o fato de serem cariocas ecompositoras. Fernanda Abreu, à época fazendo &lt;i&gt;backing vocal&lt;/i&gt;na banda &lt;i&gt;Blitz&lt;/i&gt;, também destacou-se depois, como cantora, emcarreira solo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }p.lista-western { margin-bottom: 0cm; font-size: 12pt; }p.lista-cjk { margin-bottom: 0cm; font-size: 12pt; }p.lista-ctl { margin-bottom: 0cm; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); }&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;DulceQuental iniciou na banda &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sempre Livre&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;,composta apenas por mulheres e depois seguiu carreira solo. Ficouconhecida por sucessos como &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kuvipTRHcyc&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Fui eu&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fkuhDSgPLMY" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Caleidoscópio&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(ambas de Herbert Vianna), &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bcs4ECbQZ-A" target="_blank"&gt;Eu sou free&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;e &lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=v1VdY-c_6oY" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Naturezahumana&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;*, essa última umaversão de Jorge e Waly Salomão para &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Humannature&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, de Michael Jackson. É dela acanção-tributo a Cazuza, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4-VWd6zTKBM" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;O poeta está vivo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(com Frejat).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Outro destaque dos anos 80foi Marina Lima. Marina, de cara, ganhou o aval de Caetano Veloso -que dividiu com ela os vocais de &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xsr7FzQOMEM" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Nosso estranho amor&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt; - e recebeu elogios de Tom Jobim, aocantar, com ele, &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=iyH_ab1AltU" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Lígia&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;**, especialmente para um programa da &lt;i&gt;Rede Globo&lt;/i&gt;. Tambémparticipou do especial &lt;i&gt;Mulher 80&lt;/i&gt;, como revelação, entreoutras grandes intérpretes femininas, já consagradas. De estilooriginal, como intérprete e como compositora, logo conseguiu seuespaço em meio à avalanche de novas bandas que surgiam. Tinha comoparceiro mais constante o irmão Antônio Cícero, poeta e letrista. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Marina fazparte do grupo de artistas da década de 80 que permaneceram ematividade até hoje, sempre produzindo bons trabalhos. Acaba delançar &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Clímax&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, quetem boas parcerias com compositores das gerações seguintes, AdrianaCalcanhoto, Samuel Rosa e Karina Buhr, ex-integrante da ex-bandafeminina pernambucana Comadre Florzinha (na abertura do carnavalrecifense deste ano, as duas interpretaram, juntas, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0NA6W4MqLJI" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;VolteiRecife&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, numa versãointeressante e diferente).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="lista-western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Depois deWanderléa nos anos 60 e Rita Lee na década seguinte, Paula Tollerfoi a musa do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;pop-rock&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;dos anos 80. Se a primeira iniciou a carreira na companhia de Robertoe Erasmo Carlos e a segunda com os irmãos Sérgio e ArnaldoBaptista, Paula Toller, no Kid Abelha, também tinha a companhia deseus abóboras selvagens, numa formação semelhante à dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;,com instrumentistas masculinos comandados por uma voz feminina (omesmo ocorria com o grupo &lt;a _blank="" href="http://www.youtube.com/watch?v=0GklbVWL7Rk&amp;amp;feature=related%20target="&gt;Metrô&lt;/a&gt;, contemporâneo do Kid, que tinha acantora Virginie como vocalista).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Paula, devoz agradável, especializou-se em letras leves, de cunhosentimental, acompanhadas de melodias ora românticas, ora dançantes.Pelas más línguas, a bela e hoje quase cinquentona era chamada dePaula &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Tolla&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, vocalistada banda &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Q.I. de Abelha&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;.Línguas que, não obstante, namoraram e dançaram ao som de suasmúsicas. É dela um dos dois mais inusitados e enigmáticos versosda música da época: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Tira essa bermuda, queeu quero você sério&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://mais.uol.com.br/view/366ewqni09q9/kid-abelha---como-eu-quero-0402983360C89183C6"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Comoeu quero&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;***). Os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;segredosde liquidificador&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.videolog.tv/video.php?id=655877"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Codinomebeija-flor&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;), de Cazuza,constituem o outro mistério.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="lista-western"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Existemduas interpretações básicas para o primeiro enigma, que despertoua curiosidade até de Chico Buarque. Na primeira, mais comum, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“tiraessa bermuda”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; conteria um pedido implícitode trocá-la por uma vestimenta mais composta, a qual levaria àseriedade. Na segunda, a mesma expressão, dessa vez interpretadaliteralmente, sugeriria a nudez como uma forma de atingir aseriedade, o que provocou o questionamento de Chico, em encontromusical com a cantora esfinge, em 85, quando cantaram juntos &lt;/span&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.videolog.tv/video.php?id=563011"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Dueto&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;.Quanto ao liquidificador, segredos são segredos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/v1VdY-c_6oY?rel=0" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;** &lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="272" src="http://www.youtube.com/embed/iyH_ab1AltU?rel=0" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="272" src="http://www.youtube.com/embed/R7QMdNYT0Q4?rel=0" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-190238436259678584?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/190238436259678584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=190238436259678584' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/190238436259678584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/190238436259678584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/09/anos-80-suas-musicas-suas-musas-seus.html' title='Anos 80 - suas músicas, suas musas, seus enigmas'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/v1VdY-c_6oY/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5652940046963435542</id><published>2011-08-29T20:43:00.001-03:00</published><updated>2011-08-29T21:00:22.707-03:00</updated><title type='text'>Os finos e as finas da fossa</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;(música de fossa: é triste, mas é assim mesmo)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Música de fossacostuma ser menosprezada por parte dos consumidores musicais, comoobra de menor valor, muitas vezes, inclusive, confundida com o que secostuma chamar de brega, conceito, aliás, um tanto frouxo erelativo. Àquelas mais antigas, anteriores à decada de 60, aimpostação de voz típica dos cantores de então contribuía paraconferir um ar ainda mais austero e melancólico.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Nesse sentido, o brega,mesmo sendo um estilo também propício a temas voltados a arroubossentimentais, contrapõe-se ao gênero de fossa, por fazer uso de umaabordagem, em geral, menos pesada, negativa e triste nas canções,entoadas com um estilo de voz mais suave, próprio da fasepós-bossa-nova.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Alguns teóricosmusicais afirmam que o estilo brega surgiu como uma derivação da&lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt; e suas canções de cunho romântico. O termo, emsi, tornou-se comum apenas nos anos 80, mas o conceito já existianas décadas anteriores (em vez de brega, cafona), ou desde a épocadas cavernas, considerando-se tal conceito associado ao preconceito,algo inerente ao ser humano. Foi depois da &lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt; e darevolucionária década de 60, porém, que uma cisão fez-seirreversível, deixando em lados opostos os cantores cultuados pelascamadas mais e menos abastadas da população. &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A rápida mudança decostumes e o consequente conflito de gerações ocorridos nos anos 60fizeram com que os conceitos de bom e mau gosto se confundissem comos de novo e antigo. Foi aí que surgiu, também, o termo &lt;i&gt;músicapopular brasileira&lt;/i&gt; (MPB), para designar um dos lados (o brega,então, seria a MPPB, ou ainda, o lado B da MPB). Mas, deixemos dechoro e voltemos à fossa...&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Como o ato de exporsentimentos é algo, em geral, mais ligado ao sexo feminino, ascantoras de fossa sempre superaram, em número, os cantores. Waleskae Maysa, por exemplo, dividem o título de rainha da fossa, quepoderia ser outorgado, também, a Núbia Lafayette, Nora Ney, entreoutras (a tendência ao arroubo ou excesso começa, literalmente, nosnomes, com seus k, w, y marcantes). A despeito dessa predominânciafeminina na discussão de assuntos sentimentais (incluindo, aí, afamosa D.R., bicho-papão para os homens), vêm de compositores dosexo masculino algumas das canções mais fundo de poço da músicapopular brasileira.&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=R2SnYLfBEG8" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Estanoite eu queria que o mundo acabasse&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Silvinho), famosa navoz de Núbia Lafayette, é uma delas: &lt;i&gt;“Esta é a noite da minhaagonia, é a noite da minha tristeza, por isso eu quero morrer”&lt;/i&gt;.&lt;i&gt;Ninguém me ama&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;, dos pernambucanosAntônio Maria (vai ver que é pelo Maria no nome) e Fernando Lobo(pai de Edu Lobo), é campeã no estilo e, também, ideal paramomentos de fossa, a começar do título, recitado logo no início,como a revelar a lamúria que vem pela frente. De fracasso emfracasso, da primeira à última estrofe, segue o martírio, atéchegar ao limite suportável, nos versos finais, onde o suplício vaichegando ao fim, junto com a canção e o cansaço: &lt;i&gt;“... cansaçoda vida, cansaço de mim, velhice chegando e eu chegando ao fim”&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="lista-western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Outra representante dolado sombrio de Antônio Maria é &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9wmo-_0Q5Yw&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Seeu morresse amanhã&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, páreo duro no &lt;i&gt;ranking&lt;/i&gt; das maismelancólicas: &lt;i&gt;“Se eu morresse amanhã de manhã, não fariafalta a ninguém. Eu seria um enterro qualquer, sem saudade, sem lutotambém”&lt;/i&gt;. Cabe, ainda, citar a bela &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XooX6PdOf20" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Cançãoda Volta&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (com Ismael Neto), que, entre versões definitivascomo a de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-5yqBh8QdHc&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;DoloresDuran&lt;/a&gt;, marcou minha geração na voz de Fafá de Belém, cujainterpretação forte e sensível, de emoção sincera e desmedidacomo pede a música, merece ser comparada àquela de Elis para &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=35FPZR24djg" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Atrásda porta&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Curioso e engraçado éo fato de Maria ser, também, compositor de frevos, ritmocarnavalesco que passa longe de momentos tristes (os seus, nem tanto, falam de saudade). É dele a série defrevos número &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=weY-D4YKVtA" target="_blank"&gt;1&lt;/a&gt;,2 e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xBKuDmMT7yo" target="_blank"&gt;3&lt;/a&gt; doRecife, que, encantadores, fazem jus a seus nomes. Vai ver elecompunha as canções de fossa nas quartas-feiras de cinzas...&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;*Ningúem me ama (Antônio Maria / Fernando Lobo)&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ninguém me ama, ninguém me quer&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ninguém me chama de meu amor&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A vida passa e eu sem ninguém&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E quem me abraça não me quer bem&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E hoje descrente de tudo me resta o cansaço&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cansaço da vida, cansaço de mim&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Velhice chegando e eu chegando ao fim&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="272" src="http://www.youtube.com/embed/UuKvIS5RlY8" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5652940046963435542?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5652940046963435542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5652940046963435542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5652940046963435542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5652940046963435542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/08/os-finos-e-as-finas-da-fossa.html' title='Os finos e as finas da fossa'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/UuKvIS5RlY8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-535313215854755703</id><published>2011-08-09T14:02:00.001-03:00</published><updated>2011-08-09T14:02:28.451-03:00</updated><title type='text'>Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos – quarta edição</title><content type='html'>&lt;b&gt;(Não se preocupe, isso passa, é só uma frase)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Questão de fé: a razão de um terço resulta num dízimo periódico.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A permanência de Mubarak no Egito custaria Cairo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ainda não caiu a Ficha Limpa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Crime ambiental: tira tirânico bota botânico em estado vegetativo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Progresso insustentável: no canto de um canteiro, na calada da noite, silenciosamente, uma muda teme por seu futuro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Regras conjugais e suas conjugações verbo-nominais: a norma que armando lia pra valéria valeria se lia estivesse armando contra norma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dinheiro de corrupção não é da nossa conta.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“David Boi e Mick Jegue são ícones do roça’n roll.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Decadência do impropério romano: primeiro-sinistro em tentativa frustrada de transferência de poder da itália para a genitália.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com a licença poética vencida, a palavra segue presa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Remédio para coração. Para para pensar... Atento à diferença de para para para, o melhor remédio é não arriscar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Miocárdio: cada real gasto é convertido em pontos de safena.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ame o próximo, mas, antes, ame o atual.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A higiene dental sem fio utiliza o padrão yellowtooth.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em assuntos polêmicos, depois do palpite vem a palpitação.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amor sustentável é aquele que se recicla, buscando o equilíbrio.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aposentadoria é quando os ossos do ofício pegam osteoporose.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A razão é um cobertor curto, que se toma só pra si, daí o egoísta estar sempre coberto de razão.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O mar morto devia se chamar marasmo.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Piada de português: o português comete erro de português, o brasileiro, não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nada acontece em vão, a não ser no MASP.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vendo minha alma. Não me pergunte a que preço. Pergunte-me com que olhos.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Noite é mais tarde do que tarde, mas tarde da noite é mais tarde do que noite.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Supremo sacramenta união homoafetiva: mudança de Ayres.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Acorde ao nascer do sol. Acorde quando lá surgir. Acorde em dó-ré-mi-fá. Acorde ao cair em si. Acorde.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um rei nunca perde Sua Majestade. A não ser que caia na real e largue a coroa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Programa do Windows é como elevador: antes de entrar, verifique se o mesmo encontra-se parado.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Teorema de Buckingham: "De olho na vida real, o povo esquece a vida real".”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um quarto de homens e mulheres tem armário (falo de cômodos). Menos de um quarto, porém, sai do armário (falo de incômodos).” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem tem burca vaia França.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Françamente! Depois de furtar a riqueza dos colonos, quer furtar aos colonos a riqueza. Esquece que o trem da história tem duplo sentido...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando não estou com insônia, estou com sônia: ela é a mulher dos meus sonhos.” &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-535313215854755703?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/535313215854755703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=535313215854755703' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/535313215854755703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/535313215854755703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/08/oracoes-descoordenadas-e-insubordinadas.html' title='Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos – quarta edição'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-4643856704308473466</id><published>2011-07-24T14:22:00.001-03:00</published><updated>2011-07-24T14:29:51.887-03:00</updated><title type='text'>Compositor com todas as letras</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }a:link {  }&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cZ-pvIevxg0/TixRODQGmsI/AAAAAAAAAMk/heDIYrwdzwQ/s1600/chico-2011.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-cZ-pvIevxg0/TixRODQGmsI/AAAAAAAAAMk/heDIYrwdzwQ/s200/chico-2011.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando iniciei este blog, comentei que não poderia fazê-lo em melhor estilo, ao falar de um certo carioca que, na ocasião, acabara de lançar novo trabalho. Com este texto, estou completando cem posts, mais de cinco anos depois de ter inaugurado o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Engenho e Arte”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; e, com um pouco de engenho e arte da minha parte, a data coincide com o lançamento do novo disco desse carioca. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Chico Buarque já foi descrito de todas as maneiras, a maioria das vezes de modo superlativo, fazendo jus a sua excelência como compositor: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Francisco Buarque de Hollanda é a única unanimidade nacional”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (Millôr Fernandes), &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Chico Buarque é o jeito mais digno de fazer música brasileira”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (Toquinho). A correspondência e adequação poética de sua música com as situações de nossa vida real são tão perfeitas que me dão a impressão, como já falei, que sua sequência de DNA é um pentagrama, preenchido pelas partituras de suas canções, e que seu genoma está precisamente refletido em sua obra, que, por sua vez, reflete nossos sentimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os três primeiros discos de Chico confundem-se e completam-se: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Um disco é continuação do outro. São de uma fase (hoje eu falo de carreira), mas na época eu não tinha a menor idéia de que estava criando pra mim uma profissão, uma carreira. Era uma brincadeira.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; – afirmou ele em entrevista, há mais de vinte anos. Nessa entrevista, o compositor divide assim sua obra: primeiro, esses três discos “de brincadeira”, depois, um disco de transição, feito rapidamente (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;nº 4&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;). Em seguida, de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Construção&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; até &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Meus caros amigos&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, os trabalhos de cunho político, com músicas de protesto contra a ditadura vigente (um marco do início dessa fase foi &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xbH2E1XfscA" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Apesar de você&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, gravada em compacto, em 1970, antes de ter a difusão proibida).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Por último, Chico agrupa os discos “que respiram melhor”. Aqueles que, mesmo ainda abordando temas políticos, o fazem de forma mais leve, seja pela liberação de canções por parte da censura (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Apesar de você&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; entre elas), como no disco de 78 - conhecido como o “das samambaias”, as quais fazem figuração na capa -, seja pela visão mais otimista do futuro, como no disco de 84, que tem Pelas tabelas e uma de suas obras de arte, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9A_JrsJF6mM" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Vai passar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (com Francis Hime), as quais falam da redemocratização por que passava o país. Da evolução da liberdade até o dia clarear. De repente, impunemente. Sua autoanálise laboral termina nos anos 80, década em que foi concedida a tal entrevista. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A partir de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Francisco&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (87), depois do fim da ditadura, Chico voltou-se (ou re-voltou-se) ao lirismo, muito bem representado nesse disco por &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=UvM-X7cZ1F8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Todo sentimento&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; (com Cristóvão Bastos). Da década de 90 em diante, sua produção musical passou a ser mais escassa, intercalada com a literária. Foram quatro discos de inéditas nos últimos dezoito anos, contando com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, seu novo trabalho, lançado esta semana (Antes, houve divulgação em &lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.chicobastidores.com.br/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;site&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, com vídeos contendo clipes de todas as faixas e comentários. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/25483143" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Num deles&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, Chico narra, às gargalhadas, o espanto que teve ao deparar-se com comentários de notícias a seu respeito na internet - ‘&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Esse velho!’&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;‘O que o álcool não faz com a pessoa!’ -&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, algo que vem conhecendo há pouco e aos poucos).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Se o samba foi ritmo predominante e constante em suas composições, sobretudo no início da carreira, quando a influência da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Bossa nova&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, de tão recente, era bem forte, ele nunca se limitou a um único gênero e sempre procurou, também, passear por outros, os mais variados, de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qSLZ2aqHJ0w" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Frevo diabo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; a &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xBgycERwAL0" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Baioque&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. Como se já não tivesse feito tanto e tudo, Chico, em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, fez questão de fazer de tudo um tanto, indo do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;blues&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; ao baião, claro, sem esquecer o samba, aí também muito bem representado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, o disco, tem dez canções, de arranjos mais enxutos e a base do conjunto que o acompanha ainda é a mesma montada para o programa &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Chico &amp;amp; Caetano&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, dos anos 80. Segundo Chico, o cantor, esse trabalho foi construído aos poucos, com um intervalo de um a três meses entre uma música e outra. Em seis delas, além dos vocais, ele toca violão, o que pode ser atribuído aos ensaios prévios no estúdio caseiro do maestro Luiz Cláudio Ramos - antes das gravações definitivas -, que o deixaram mais à vontade: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Eles não disseram nada, eu fui tocando”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, diz ele, brincando. Amante do futebol, ele diz não ter com as mãos a mesma habilidade que tem com os pés, o que o faz, frequente e literalmente, meter os pés pelas mãos. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Por falar em pés, mais de duas décadas depois de ter composto &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Gx7EW-l9erg" target="_blank"&gt;Valsa brasileira&lt;/a&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(com Edu Lobo), Chico, o compositor, confirma ser um legítimo pé-de-valsa ao compor, agora, uma valsa russa, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Nina&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;*&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. Uma das melhores canções de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; - disco e compositor -, em que ele brinca com a sonoridade russa de ‘embora nova’, como fizera à francesa com 'o mar, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;marée&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;bateau' (o mar me arrebatou)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; e ‘acorda, acorda’ (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;d’accord&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;d’accord&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;) em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=u9ADd2XKKiY" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Joana francesa&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Nina&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; vem se juntar a Rita, Rosa, Carolina, Iolanda, Bárbara, Geni e demais musas reverenciadas no intervalo de tempo transcorrido desde que Madalena foi pro mar até Renata Maria sair de lá. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Outro destaque é &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tmkV9pUaYrM" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Querido diário&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, narrativa, em tom de diário, do cotidiano (um novo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Cotidiano&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, segundo Chico): &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Hoje topei com alguns conhecidos meus / Me dão bom-dia, cheios de carinho / Dizem pra eu ter muita luz, ficar com Deus / Eles têm pena de eu viver sozinho”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. Como é bastante comum em suas composições, as canções do álbum &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; não têm refrão, com exceção dos sambas que fez em parceria: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sou eu&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=T4CP6aCXq9I" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: small;" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Sinhá&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, com melodias de Ivan Lins e João Bosco, respectivamente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sinhá&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, em sentido estrito, não chega a ter um refrão, mas um simples e gostoso &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;ieriêre&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;by&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; João Bosco, que pode ser considerado como tal. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Rubato &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;é outra feita em parceria - com Jorge Hélder, músico que o acompanha há algum tempo. As demais são puro Chico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Tipo um baião&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; termina com versos singelos que lembram as típicas canções de Luiz Gonzaga, citado, inclusive, na letra: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Meu coração / que você sem pensar / ora brinca de inflar / ora esmaga / igual que nem / fole de acordeão / tipo assim um baião do Gonzaga”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sem você 2&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, ele diz ter feito inspirado em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sem você&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, de Tom e Vinícius. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Se eu soubesse&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; tem participação especial da cantora Thaís Gulin, que já tinha gravado a música em seu disco, com participação de Chico: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;“Ah, se eu soubesse não andava na rua... Não ia enfim cruzar contigo jamais... Mas acontece que eu saí por aí e aí larari, lariri...”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. Outras participações no disco são de Wilson das Neves em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sou eu&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; e de João Bosco em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Sinhá&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, sua segunda obra com Chico. &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Chico faz arte com a naturalidade de uma criança. Faz arte como quem faz arte. Com quase cinquenta anos de carreira e mais de vinte encantadoras brincadeiras criadas, não sei se já se deu conta disso, mas, caso a pensar para suas artes vindouras, ele tem canções com títulos iniciando com todas as letras do alfabeto, com exceção de Z - e por pouco, já que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Angélica&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; foi feita para Zuzu Angel (a Tom e Vinícius falta o X, que não falta a Caetano e que Chico usou em &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Xote da navegação&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;). Esse velho é mesmo um compositor com todas as letras, de A a X.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Nina (Chico Buarque)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nina diz que tem a pele cor de neve&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E dois olhos negros como o breu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nina diz que, embora nova&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por amores já chorou que nem viúva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas acabou, esqueceu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nina adora viajar, mas não se atreve&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Num país distante como o meu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nina diz que fez meu mapa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E no céu o meu destino rapta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O seu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nina diz que se quiser eu posso ver na tela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Posso imaginar por dentro a casa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A roupa que ela usa, as mechas, a tiara&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Posso até adivinhar a cara que ela faz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando me escreve&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nina anseia por me conhecer em breve&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Me levar para a noite de Moscou&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sempre que esta valsa toca&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fecho os olhos, bebo alguma vodca&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E vou&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="272" src="http://www.youtube.com/embed/YxHAHyKlw-U" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;P.S.: Agradeço a vocês, parentes, amigos, anônimos, leitores, seguidores e incentivadores, desde os mais antigos, que, ao longo desses cem posts, sempre me estimularam, com seus comentários generosos, a prosseguir neste trabalho, até os mais recentes que, vez por outra, encontro nos corredores reais ou virtuais e descubro, gratificado, que também fazem parte dessa minha turma.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-4643856704308473466?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/4643856704308473466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=4643856704308473466' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4643856704308473466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4643856704308473466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/07/compositor-com-todas-as-letras.html' title='Compositor com todas as letras'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-cZ-pvIevxg0/TixRODQGmsI/AAAAAAAAAMk/heDIYrwdzwQ/s72-c/chico-2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5524420160122363915</id><published>2011-06-26T20:10:00.005-03:00</published><updated>2011-06-29T13:47:08.960-03:00</updated><title type='text'>A nova imagem do som</title><content type='html'>As redes de televisão abertas, que já produziram bons programas no passado, têm se repetido, em sua maioria, em busca de uma audiência fácil e imediata, com poucas novidades interessantes. Além disso, noticiários e novelas gravitam em torno do eixo Rio-São Paulo, ignorando, de certa forma, o que não corresponde ao carioca-paulista &lt;i&gt;way of life&lt;/i&gt; ou o que acontece no resto do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pretexto de globalizar, pelo menos uma dessas emissoras tem o hábito de “neutralizar” o sotaque de seus artistas, cariocas ou não. Particularmente, o sotaque dos nordestinos é “suavizado” ou, quando se faz presente em séries e novelas cujas tramas acontecem na região, é retratado de forma caricata, pouco semelhante à real. Falando de caso que conheço, em Pernambuco, até programas de exibição local possuem apresentadores sem sotaque próprio do estado e mesmo os nativos são “domesticados”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante desse quadro, uma outra emissora, a &lt;i&gt;MTV&lt;/i&gt;, tem se destacado pela ousadia de colocar um nordestino – e mais importante, seu sotaque - como apresentador de programa: o cantor pernambucano China. &lt;a href="http://mtv.uol.com.br/programas/nabrasa" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Na Brasa&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (segunda a sexta, 20h30), a despeito de ser mais voltado ao público jovem, apresenta atrações interessantes também aos mais maduros. China começou a carreira como vocalista da banda &lt;i&gt;Sheik Tosado&lt;/i&gt;, que chegou a se apresentar no &lt;i&gt;Rock in Rio 3&lt;/i&gt;, em 2001. Hoje, além do programa televisivo, divide-se entre carreira solo e a banda &lt;i&gt;Del Rey&lt;/i&gt;, onde interpreta canções de Roberto e Erasmo Carlos, junto com integrantes do grupo pernambucano &lt;i&gt;Mombojó&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;i&gt;MTV&lt;/i&gt; mudou, este ano, sua grade de programação, voltando-se um pouco ao formato inicial, de exibição de clipes (estranhamente reduzida num passado recente). Tem apresentado, também, vinhetas e campanhas com frases como: &lt;i&gt;“A MTV é contra qualquer tipo de preconceito”&lt;/i&gt;, atitude louvável, em se tratando de emissora que tem como audiência um público essencialmente jovem, muitos deles adolescentes, com personalidade ainda em formação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior destaque dessa nova fase da &lt;i&gt;MTV&lt;/i&gt; é o programa musical &lt;i&gt;&lt;a href="http://mtv.uol.com.br/programas/gremiorecreativo" target="_blank"&gt;Grêmio Recreativo&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, exibido sempre na última quinta-feira de cada mês, às 23h30. A atração é comandada pelo cantor e compositor Arnaldo Antunes, que recebe convidados. Após curto ensaio, os músicos apresentam-se ao vivo, todos juntos ou em grupos, interpretando canções de suas autorias. Estão previstos dez programas, sendo o último em dezembro próximo. Na edição deste mês de junho, que vai ao ar no próximo dia 30, a atração tem como convidados especiais Erasmo Carlos, Wanderléa, Vanessa da Mata e o supracitado China. Na edição seguinte (28/07), Marisa Monte, Adriana Calcanhoto e Jorge Mautner estarão presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três primeiras edições registraram momentos únicos, reunindo nova e velha geração, como o encontro entre Odair José, Paulo Miklos e Otto na &lt;a href="http://mtv.uol.com.br/ondemand/programas/gremio-recreativo/gremio-recreativo-mtv-02" target="_blank"&gt;segunda&lt;/a&gt; e os parceiros de Arnaldo Antunes - Marcelo Jeneci, Ortinho, Marina Lima e Pepeu Gomes - na &lt;a href="http://mtv.uol.com.br/ondemand/programas/gremio-recreativo/gremio-recreativo-mtv-03" target="_blank"&gt;terceira&lt;/a&gt;. Marina e Pepeu compuseram, com o anfitrião, &lt;i&gt;Grávida&lt;/i&gt; (única parceria da dupla) e &lt;i&gt;Alma&lt;/i&gt;, respectivamente, canções que fizeram parte do &lt;i&gt;set list&lt;/i&gt; dessa edição e, certamente, estão entre as melhores composições deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Grávida&lt;/i&gt;* é bastante representativa do estilo de compor de Arnaldo Antunes e não poderia estar de fora de um programa comandado por ele. É uma canção que expressa a sensação de plenitude alcançada por quem concebe, gera e dá à luz algo num sentido mais amplo ou simplesmente observa o mundo com olhos mais atentos e sensíveis. Qualquer ser humano engravida, todos os dias, daquilo que está à sua volta. Toma à luz, absorve, alimenta, processa e dá à luz. E o que surge é resultado disso tudo, como a própria canção. Assim que, sem nunca terem engravidado no sentido estrito, a dupla de compositores pariu uma obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo a trilha estranha aos olhos dos mais antigos, de criar fama a partir de postagens de vídeos no &lt;i&gt;YouTube&lt;/i&gt;, outra figura carismática, PC Siqueira, foi descoberta pela &lt;i&gt;MTV&lt;/i&gt; e escalada para o programa &lt;a href="http://mtv.uol.com.br/programas/pcnatv" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;PC na TV&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (quinta-feira, 23h). O novo apresentador guarda certas semelhanças com o veterano e também carismático VJ Thunderbird, inclusive por fugir a certos padrões estéticos limitadores, seguidos, de modo geral, pelas emissoras de televisão. O programa, despretensioso, tem algumas besteiras, mas é divertido, bom para as horas vagas do cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez para não ter que pagar mais direitos autorais, a televisão tem relegado a música, salvo exceções vindas de emissoras públicas e/ou diferenciadas - como as TV's &lt;i&gt;Brasil&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Cultura&lt;/i&gt; - ou de programas em horários pouco atrativos, como &lt;a href="http://sombrasil.globo.com/videos/" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Som Brasil&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;i&gt;Por toda minha vida&lt;/i&gt;, da &lt;i&gt;Globo&lt;/i&gt;. Para quem teve o prazer de assistir, em horário dito nobre, a programas musicais insuperáveis, como a série &lt;i&gt;Grandes Nomes&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Chico &amp;amp; Caetano&lt;/i&gt;, nos anos 80, torna-se difícil ficar entusiasmado com qualquer coisa, mas, ainda assim, é gratificante ver uma emissora que carrega música no nome concebê-la em vários sotaques, estilos, idades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Grávida (Arnaldo Antunes / Marina Lima)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu tô grávida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Grávida de um beija-flor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Grávida de terra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De um liquidificador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E vou parir um terremoto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uma bomba, uma cor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uma locomotiva a vapor, um corredor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu tô grávida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Esperando um avião&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Cada vez mais grávida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Estou grávida de chão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E vou parir sobre a cidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando a noite contrair&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E quando o sol dilatar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Dar à luz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu tô grávida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De uma nota musical&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De um automóvel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De uma árvore de Natal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E vou parir uma montanha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Um cordão umbilical&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Um anticoncepcional, um cartão postal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu tô grávida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Esperando um furacão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Um fio de cabelo, uma bolha de sabão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E vou parir sobre a cidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando a noite contrair&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E quando o sol dilatar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vou dar à luz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="272" src="http://www.youtube.com/embed/Jxna7sq1W0s?rel=0" width="400"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5524420160122363915?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5524420160122363915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5524420160122363915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5524420160122363915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5524420160122363915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/06/nova-imagem-do-som.html' title='A nova imagem do som'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Jxna7sq1W0s/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2101326718971708528</id><published>2011-06-03T19:21:00.005-03:00</published><updated>2011-06-03T19:29:02.385-03:00</updated><title type='text'>Um dia em 67</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-99V3mYclsRg/TeleEeuqrSI/AAAAAAAAAMg/IfH5cIWBJ4g/s1600/foto-mpb-num.jpg" target="_blank" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="321" src="http://3.bp.blogspot.com/-99V3mYclsRg/TeleEeuqrSI/AAAAAAAAAMg/IfH5cIWBJ4g/s400/foto-mpb-num.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Há algum tempo, tive acesso a esta foto histórica (clique para ampliar) que, pelas figuras retratadas, encanta qualquer amante da música popular brasileira. Ao mesmo tempo, a imagem desperta curiosidade sobre que acontecimento tão especial teria provocado a reunião de tantos talentos (tente identificá-los e, ao final do texto, veja a lista dos ilustres figurantes da clássica foto*). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube, depois, por matéria de &lt;i&gt;O Globo&lt;/i&gt;, que o registro aconteceu em 1967, num encontro na casa de Vinícius de Moraes, convocado pelo produtor musical João Araújo - pai de Cazuza e que viria a ser presidente da gravadora &lt;i&gt;Som Livre&lt;/i&gt; -, com o objetivo de discutir o declínio da música carnavalesca. Discutia-se nem tanto a queda na qualidade das canções, mas na quantidade de lançamentos musicais ocasionada, no caso do Rio de Janeiro, por conta do crescimento das escolas de samba e seus sambas-enredo restritos ao desfile, em detrimento das marchinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, a falta de renovação começava a ocorrer, também, no Recife, por conta de fatores como o forte apego às tradições e a concentração econômica maior no eixo Rio-São Paulo, que contribuiu para o declínio do frevo e resultou, inclusive, no encerramento das atividades da &lt;i&gt;Rozenblit&lt;/i&gt;, importante fábrica de discos local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Araújo diz que, até hoje, falta trilha sonora ao carnaval carioca: &lt;i&gt;"Fui ver os blocos em Ipanema, era uma multidão impressionante, mas sem cantar. Não tinha música. Aí não é carnaval"&lt;/i&gt;. Em Pernambuco, há música, mas não há renovação e, no caso da Bahia, cujo carnaval cresceu com o advento do trio elétrico e o incentivo de músicos conceituados como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Moraes Moreira e Armandinho, se a falta de renovação, hoje em dia, não é um problema, existem críticas com relação a qualidade e repetitividade de fórmulas em certas novas canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, houve grande discussão sobre essa questão da má qualidade das músicas, por conta de críticas feitas por &lt;a href="http://www.dailymotion.com/video/xhdvco_comentario-de-rachel-sheherazade-sobre-o-carnaval_shortfilms" target="_blank"&gt;Rachel Sheherazade&lt;/a&gt;, à época apresentadora de um jornal local na TV Tambaú – PB e atual âncora do SBT Brasil. Apoiada por uns e criticada por outros, a apresentadora também questionou, com métodos &lt;i&gt;jaborianos&lt;/i&gt;, outros aspectos da folia. Um blog parceiro, &lt;a href="http://3c1p.blogspot.com/" target="_blank"&gt;3C1P&lt;/a&gt;, por meio do qual cheguei ao vídeo, afirmou, em &lt;a href="http://3c1p.blogspot.com/2011/03/as-1001-historias-de-rachel-sheherazade.html" target="_blank"&gt;texto&lt;/a&gt; sobre o assunto: &lt;i&gt;"O carnaval é, sim, um momento diferente, de relaxamento daquele policiamento crítico do qual nós, pseudo-intelectuais de classe média, nos valemos para nos diferenciarmos do resto da massa inculta do país"&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordei e comentei, na ocasião, que, além de o conceito do que é boa música ser relativo e patrulhamento não combinar com carnaval, festa essencialmente espontânea, essa diversidade já existia nos "carnavais de outrora", quando havia músicas de letras mais elaboradas, como &lt;i&gt;"quanto riso, oh, quanta alegria / mais de mil palhaços no salão / arlequim está chorando pelo amor da colombina / no meio da multidão"&lt;/i&gt;, mas também outras de letras mais simples, feitas apenas pra tirar o pé do chão mesmo, como &lt;i&gt;"as águas vão rolar / garrafa cheia eu não quero ver sobrar / eu passo a mão na saca-saca-saca-rolha / e bebo até me acabar"&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;"a-lá-lá-ô ôôô ôôô / mas que calo-ooo-oor"&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pergunta-chave, originadora do impasse, está no cerne da questão: o carnaval deve ser evento de massa ou restrito a grupos menores? A primeira opção, como o próprio nome diz, não se sustenta sem a participação... da massa, grupo muitas vezes, e ironicamente, sem tanto apego ao que se costuma chamar de cultura popular e, por isso, discriminado por formadores de opinião. Por outro lado, um maracatu tradicional como o &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-8142121220796768253" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Leão Coroado&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, com quase 150 anos de existência (a turma é da época do império, da escravidão, isso é muito significativo!), não tem o mesmo poder de atração sobre foliões, em sua maioria jovens, a não ser que vista uma capa pop, o que não faz nenhum sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta discussão entre o carnaval ser evento para muitos ou para poucos, há problemas, também, de ordem técnica, em relação ao alcance do som, que pode variar bastante entre aquele emitido por um trio elétrico, uma apresentação de palco, uma orquestra de frevo ou maracatu itinerante. Em suma, o conflito e, ao mesmo tempo, a solução está em procurar conciliar novo e antigo, vanguarda e tradição, popular e clássico. Afinal, blocos tradicionais são fundamentais, indispensáveis, mas usam, muitas vezes, linguagem e temas que podem soar estranhos aos mais jovens, que não se sentem representados por músicas que evocam o passado, os antigos carnavais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Pernambuco, com a falta de renovação nos ritmos tradicionais, a modernidade no carnaval teve que vir por meio de sons a princípio alheios ao evento, mas que foram incorporados à festa. Um exemplo é o festival &lt;i&gt;Rec-Beat&lt;/i&gt;, surgido no rastro do &lt;i&gt;manguebeat&lt;/i&gt;, que, hoje, equilibra melhor a existência entre novo e antigo, como deve ser. Da mesma forma, se os atuais fenômenos de massa do carnaval baiano não agradam, lá também existem os cantores mais antigos, afoxés e blocos afro tradicionais, como o &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-1817783098117322831" target="_blank"&gt;Ilê-Ayê&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão provocada pelo encontro de 67 permanece atual, passadas quase cinco décadas. Se substituirmos música tradicional por norma culta, vejo semelhanças com a polêmica do livro adotado recentemente pelo MEC, &lt;i&gt;"Por uma vida melhor"&lt;/i&gt;, ou seja, não existe música boa ou ruim, mas adequada ou inadequada. Se a música tradicional (ou norma culta), de que costumo ser seguidor, fosse a única forma válida de comunicação, muitos estariam sujeitos ao mais profundo, injusto e gritante silêncio. Creio que a comunicação é muito mais, manifesta-se de várias formas e não devemos nos limitar a uma música (ou norma) oficial que, sejamos realistas, a maioria dos brasileiros não escutam (ou falam). Por uma vida melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* 1 – Edu Lobo, 2 – Tom Jobim, 3 – Torquato Neto, 4 – Caetano Veloso, 5 - Capinan, 6 – Paulinho da Viola, 7 – Sidney Miller, 8 – Zé Ketti, 9 – Olívia Hime, 10 – Helena Gastal, 11 – Luís Eça, 12 – João Araújo, 13 – Dori Caymmi, 14 – Chico Buarque, 15 – Francis Hime, 16 – Nelson Motta, 17 – Não identificado, 18 – Vinícius de Moraes, 19 – Dircinha Batista, 20 – Luís Bonfá, 21 - Tuca, 22 – Braguinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Leia também: &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2010/03/radio-patrulha.html" target="_blank"&gt;Rádio patrulha&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2010/05/o-perfeito-e-o-imperfeito-do-subjetivo.html" target="_blank"&gt;O perfeito e o imperfeito do subjetivo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-2101326718971708528?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/2101326718971708528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=2101326718971708528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2101326718971708528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2101326718971708528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/06/um-dia-em-67.html' title='Um dia em 67'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-99V3mYclsRg/TeleEeuqrSI/AAAAAAAAAMg/IfH5cIWBJ4g/s72-c/foto-mpb-num.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2555344196058097094</id><published>2011-05-22T19:04:00.002-03:00</published><updated>2011-05-22T19:35:05.730-03:00</updated><title type='text'>Sexo, drogas e palavrões</title><content type='html'>Na virada para a década de 80, depois de um período em que prevaleceu a música de protesto e com a iminente brisa da democracia, as críticas políticas perderam força e as canções mudaram um pouco o foco. O gostinho da liberdade era, então, algo novo para toda uma geração que, sedenta por degustá-la, passou a atirar para todos os lados, que não o político, a começar de sexo e drogas, temas considerados menos leves, mesmo no rock’n roll. Aspecto positivo, a liberdade de expressão, prato principal, veio acompanhada de maior tolerância a variações de comportamento e aceitação de hábitos divergentes daqueles tomados como padrão (no que ainda temos o que aprender).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tocante às drogas, por exemplo, a apologia à maconha causou polêmica, ao ganhar vez e voz com a música &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8p9TaDwm6j0" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;O mal é o que sai da boca do homem&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Pepeu Gomes / Baby Consuelo / Galvão), concorrente do festival MPB 80, da Rede Globo, de versos diretos, algo pouco comum para uma geração acostumada a captar mensagens subliminares, repletas de sutilezas: &lt;i&gt;“Você pode fumar baseado, baseado em que você pode fazer quase tudo / Contanto que você possua, mas não seja possuído”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no âmbito do sexo, o decreto vale-tudo de Tim Maia aboliu a cláusula restritiva de que &lt;i&gt;“só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher”&lt;/i&gt; e foi dada uma nova ordem por Lulu Santos – &lt;i&gt;“consideramos justa toda forma de amor”&lt;/i&gt; - e Marina Lima, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1c5VPo_vy3g" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Difícil&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;: &lt;i&gt;“Eu disse não, ela não ouvia / Mandei um sim, logo serviu / Então pensei, ela é bela, por que não com ela?”&lt;/i&gt;, onde os termos “louca” e “pouca” (&lt;i&gt;“... alguém lá no início me aplicou / e me fez louca, me fez pouca, me fez o que sou, difícil”&lt;/i&gt;) desfaziam possíveis dúvidas a respeito do sexo do personagem declarante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “nós duas” do amor outrora censurado de &lt;i&gt;Bárbara&lt;/i&gt; (Chico Buarque) escancarou-se, também, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bUbW-yvh0Xs" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Tola foi você&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Ângela Rô Rô, 1979), por meio da comunhão das palavras “tola” e “toda”: &lt;i&gt;“Tola foi você ao me abandonar, desprezando tanto amor que eu tinha a dar / … / Coração aberto, felicidade perto, sou toda amor”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A libido também andou solta com o grupo &lt;i&gt;Ultraje a Rigor&lt;/i&gt;, que, ironizando a censura e a repressão sexual, brincava com ambos os temas: &lt;i&gt;“Ainda bem que eu não tô na TV, senão ia ter que cortar o &lt;/i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PIVJYc_fwbs&amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;sexo&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;! Como é que eu fico sem sexo?”&lt;/i&gt;. A afirmação "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yu35Or5OqKQ" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;eu gosto de mulher&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;" fazia contraponto a "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zjToBc9yGaE&amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;eu gosto de meninos e meninas&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;"&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;, do contemporâneo &lt;i&gt;Legião Urbana&lt;/i&gt;. Liberdade sexual, em tempos de &lt;i&gt;Camisa de Vênus&lt;/i&gt;, em oposição a outro tipo de opressão, não mais política, surgida com a descoberta da AIDS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dessa época, também, a primeira música que lembro de ter escutado a incluir palavrões entre seus versos: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2h97Ztwn9Fw" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Faroeste caboclo&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Renato Russo), que também inovou em tamanho da letra e duração - mais de nove minutos - e conta uma história que será tema de &lt;a href="http://www.faroestecaboclo.com.br/" target="_blank"&gt;filme&lt;/a&gt; em breve (por falar em filme, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=yXQXlmpIFnE" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Vamos fazer um filme&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, do mesmo autor, também tinha uma palavrinha até então proibida). Havia outras, do &lt;i&gt;Camisa de Vênus&lt;/i&gt;, do &lt;i&gt;Ultraje a Rigor&lt;/i&gt;, bandas que colocaram palavrões também em títulos e refrãos de algumas canções, como $#%@!%*#, sem falar nos &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=evVIDI4RVsg&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;bichos escrotos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; dos Titãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudanças de um período só são possíveis por conta do que vem antes e, nesse aspecto, os anos 80 – fruto de alheamento político, difícil acesso a informação e crise financeira, tempo de liberdade sexual imergente, democracia emergente, liberdade de ideias, cores, cabelos e trajes (se agora temos o restart, ali foi o start) e, ao mesmo tempo, semente de conquistas futuras como as que ora discutimos - só poderiam ter acontecido naquele momento mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perder sua peculiar rebeldia, mas também sem tanto motivo ou motivação para protestos políticos, a juventude da época apenas redirecionou o espírito contestador para assuntos comportamentais. E toda essa forma controversa de abordar tais assuntos representou mais um traço de liberação e afirmação do que de apelação. Iniciava, ali, a temporada de colheita dos frutos do “é proibido proibir” que, doces ou azedos, puderam ser, enfim, saboreados à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;* Meninos e meninas (Renato Russo / Dado Villa-Lobos / Marcelo Bonfá)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero me encontrar, mas não sei onde estou&lt;br /&gt;Vem comigo procurar algum lugar mais calmo&lt;br /&gt;Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita&lt;br /&gt;Tenho quase certeza que eu não sou daqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que gosto de São Paulo&lt;br /&gt;Gosto de São João&lt;br /&gt;Gosto de São Francisco e São Sebastião&lt;br /&gt;E eu gosto de meninos e meninas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre&lt;br /&gt;Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente&lt;br /&gt;Estou cansado de bater e ninguém abrir&lt;br /&gt;Você me deixou sentindo tanto frio&lt;br /&gt;Não sei mais o que dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te fiz comida, velei teu sono&lt;br /&gt;Fui teu amigo, te levei comigo&lt;br /&gt;E me diz: pra mim o que é que ficou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me deixa ver como viver é bom&lt;br /&gt;Não é a vida como está, e sim as coisas como são&lt;br /&gt;Você não quis tentar me ajudar&lt;br /&gt;Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu canto em português errado&lt;br /&gt;Acho que o imperfeito não participa do passado&lt;br /&gt;Troco as pessoas&lt;br /&gt;Troco os pronomes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de oxigênio, preciso ter amigos&lt;br /&gt;Preciso ter dinheiro, preciso de carinho&lt;br /&gt;Acho que te amava, agora acho que te odeio&lt;br /&gt;São tudo pequenas coisas e tudo deve passar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que gosto de São Paulo&lt;br /&gt;Gosto de São João&lt;br /&gt;Gosto de São Francisco e São Sebastião&lt;br /&gt;E eu gosto de meninos e meninas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-2555344196058097094?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/2555344196058097094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=2555344196058097094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2555344196058097094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2555344196058097094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/05/sexo-drogas-e-palavroes.html' title='Sexo, drogas e palavrões'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-1402344500043187207</id><published>2011-04-19T00:35:00.002-03:00</published><updated>2011-05-24T23:33:39.451-03:00</updated><title type='text'>Parabéns, meu rei</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yIt7mp9rJj4/Ta0CkWOM41I/AAAAAAAAAMY/X5rjd9xa4Hs/s1600/rc.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-yIt7mp9rJj4/Ta0CkWOM41I/AAAAAAAAAMY/X5rjd9xa4Hs/s200/rc.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Artistas envelhecem (não deveriam). Sobretudo os nossos artistas. Aqueles que nos pareciam eternos, que embalaram nossos sonhos e aflições juvenis. Com quem tínhamos um encontro marcado, todo ano, quando éramos presenteados com os frutos de seus trabalhos, obras que transcenderam limitações de tempo e eternizaram-se. E eles envelhecem em público, despudoradamente, na nossa cara. Suas rugas, cabelos brancos e demais marcas do tempo são todas de domínio público, sem direitos autorais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geração de ouro da MPB surgida nos anos 60 está chegando aos 70. Nossa majestade Roberto Carlos é o primeiro da fila e chega a essa idade hoje. Depois dele, vêm Chico Buarque, Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e muitos outros. Pensando bem (amanhã eu vou trabalhar), comparando-os com setentões de duas décadas atrás (Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo, Orlando Silva) -, os novos velhos nem parecem ter envelhecido tanto assim. Afinal, a quebra de padrões surgida no final dos anos 50 - mudança de voz, figurino, aparência, estilo de interpretação e musical - fez com que o que veio antes parecesse bem mais antigo aos olhos de quem chegou ao mundo depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devemos discutir qualidade musical, se “nossas” músicas são melhores, até porque seríamos bastante suspeitos para defendê-las e também porque é legítimo cada geração preferir as suas. Não obstante, a despeito de, hoje em dia, as canções de Roberto e Erasmo Carlos serem vistas por muitos como bregas ou melosas, se pegarmos algum sucesso passado da dupla que faça uso de linguajar próprio da juventude e/ou fale sobre conflitos próprios dessa faixa etária, percebe-se que cairia perfeitamente na voz de alguma banda atual (afinal, o perfil do jovem é atemporal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso da ousada &lt;i&gt;Quero que vá tudo pro inferno&lt;/i&gt;, sucesso estrondoso de 1965, &lt;i&gt;As curvas da estrada de Santos&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;“... se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo, eu piso mais fundo, corrijo num segundo, não posso parar”&lt;/i&gt;) e &lt;i&gt;Sua estupidez&lt;/i&gt;, entre tantas outras. &lt;i&gt;Todos estão surdos&lt;/i&gt; é outro exemplo de que falar a mesma língua é passo básico para uma boa comunicação. A canção, de mensagem religiosa, retomou o sucesso, duas décadas depois, ao ser regravada por Chico Science &amp;amp; Nação Zumbi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos pós-rebeldes anos 70, já mais “comportado”, Roberto Carlos continuou falando aos jovens, entre uma e outra canção de amor, hoje consideradas “caretas”. Logo no início da década, numa canção que nem é das mais conhecidas, &lt;i&gt;À janela&lt;/i&gt;* (1972), falou direto a essa turma, ao tratar do dilema entre sair de casa ou não, muito embora o bom-mocismo da nova fase do rei tenha feito com que, na música, ele optasse pelo não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo aqueles que dizem não gostar de RC deparam-se, eventualmente, com seus cantores e grupos preferidos bebendo dessa fonte. Quando a banda Jota Quest regravou &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Yx__Cu9Oz1I" target="_blank"&gt;Além do horizonte&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, cerca de duas décadas depois da versão original – a qual causou surpresa pelo uso do termo “frescura” em sua letra (&lt;i&gt;“... bronzear o corpo todo sem censura / gozar a liberdade de uma vida sem frescura”&lt;/i&gt;) -, muitos pensaram tratar-se de música nova do grupo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem canções de nossa época que já escutamos tanto que nem imaginamos a possibilidade de alguém não conhecer. Um dia desses, porém, conversei com uma jovem que disse não conhecer nenhuma música do cantor e compositor Lobão. Respondi, com toda certeza e convicção, que ela conhecia, sim e cantarolei logo a mais conhecida dele (&lt;i&gt;Me chama&lt;/i&gt;), crente que estava abafando. Qual o quê! A resposta foi a mais absoluta indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o susto - e tentando refazer-me dele -, logo abordei outros jovens, pedindo que me dissessem alguma música de RC que conhecessem. Foram citadas &lt;i&gt;Calhambeque&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;120... 150... 200 km por hora&lt;/i&gt;, fora as mais óbvias, mas não menos belas &lt;i&gt;Como é grande o meu amor por você&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Detalhes&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Emoções&lt;/i&gt;. Resultado da enquete, sem margem de erro, para mais, para menos, nem para mais ou menos: artistas envelhecem, músicas não. E algumas são eternas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* À janela (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Da janela o horizonte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A liberdade de uma estrada eu posso ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O meu pensamento voa livre em sonhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pra longe de onde estou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu às vezes penso até onde essa estrada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pode levar alguém&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tanta gente já se arrependeu e eu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu vou pensar, eu vou pensar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quantas vezes eu pensei sair de casa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas eu desisti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pois eu sei lá fora eu não teria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O que eu tenho agora aqui&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Meu pai me dá conselhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Minha mãe vive falando sem saber&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que eu tenho meus problemas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E que às vezes só eu posso resolver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Choque de opiniões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Novamente eu penso ir embora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Viver a vida que eu quiser&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Caminhar no mundo enfrentando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Qualquer coisa que vier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Penso andar sem rumo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pelas ruas, pela noite sem pensar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No que vou dizer em casa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nem satisfações a dar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Penso duas vezes me convenço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que aqui é o meu lugar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Lá fora às vezes chove&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E é quase certo que eu vou querer voltar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A noite é sempre fria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando não se tem um teto com amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E esse amor eu tenho mas me esqueço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Às vezes de lhe dar valor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Choque de opiniões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tudo tem seu tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E uma vida inteira eu tenho pra viver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E nessa vida é necessário a gente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Procurar compreender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Coisas que aborrecem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Muitas vezes acontecem por amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E esse amor eu tenho esquecido às vezes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De lhe dar valor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" id="waPlayer" width="420"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name = "movie" value="waPlayer"/&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.vidoevo.com/i/player/waPlayer.swf?VideoID=eDJ2V3gzcWuRpS2hla0U" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="420" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-1402344500043187207?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/1402344500043187207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=1402344500043187207' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/1402344500043187207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/1402344500043187207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/04/parabens-meu-rei.html' title='Parabéns, meu rei'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-yIt7mp9rJj4/Ta0CkWOM41I/AAAAAAAAAMY/X5rjd9xa4Hs/s72-c/rc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2068604582660098264</id><published>2011-04-02T18:20:00.006-03:00</published><updated>2011-04-02T18:47:26.644-03:00</updated><title type='text'>Música política brasileira</title><content type='html'>&lt;i&gt;Algumas amostras de pitadas de tempero político no menu da música brasileira&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta da esporadicidade de eleições e da censura aos meios de comunicação no Brasil,  após o golpe militar que completou, esta semana, 47 anos, os comícios – eventos, hoje em dia, sem graça e quase extintos, frutos de campanhas políticas mais insossas e menos empolgantes -, tinham, então, alguma graça. Havia uma divisão clara entre os que apoiavam ou não a dita desdita, entre esquerda e direita, o que contribuía para que, partindo da oposição, esses eventos se tornassem, ao mesmo tempo, uma espécie de grito de protesto e um programa de domingo. Era, também, uma época de muita força na música popular brasileira, o que proporcionou uma junção de política com música, cujas afinidades eram visíveis até nas siglas que as representavam, MDB e MPB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras eleições diretas para governador durante e logo após o fim da ditadura e a campanha pelas diretas pra presidente renderam memoráveis comícios, com a presença de artistas de peso. Além das músicas de protesto, os programas eleitorais contavam com versões e &lt;i&gt;jingles&lt;/i&gt; empolgantes. Em 1986, a campanha de Miguel Arraes para o governo de Pernambuco teve como música de fundo uma versão de &lt;i&gt;Tô voltando&lt;/i&gt;, interpretada por Teca Calazans: &lt;i&gt;“Olha nos olhos do povo e vai notando que um brilho novo está voltando...”&lt;/i&gt;. E um repente fazia referência ao fato de ele ter sido deposto, por ocasião do golpe militar: &lt;i&gt;“Volta Arraes ao Palácio das Princesas, vai entrar pela porta que saiu”&lt;/i&gt;. Emocionante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nem só de &lt;i&gt;jingles&lt;/i&gt; e suas mensagens diretas vivia a política de misturar música com política. Uma canção dos anos 70, &lt;i&gt;A tonga da mironga do kabuletê&lt;/i&gt; (Vinícius e Toquinho), por exemplo, guarda, até hoje, um certo folclore em torno de sua letra: &lt;i&gt;“... Vou lhe rogar uma praga, eu vou é mandar você pra tonga da mironga do kabuletê”&lt;/i&gt;. Correm duas versões a respeito do significado da expressão que a intitula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://jornaldedebates.uol.com.br/debate/puta-palavrao/artigo/va-pra-tonga-mironga-cabulete-ou-preferir-va-pra-p/7385" target="_blank"&gt;Uma das versões&lt;/a&gt; diz que não significa nada, trata-se apenas de uma junção aleatória de palavras de origem africana e outra diz tratar-se de um palavrão, que não cabe, aqui, citar e que, na música, teria como alvo o governo militar. Toquinho já disse, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=A9FUoi-W5uA" target="_blank"&gt;entrevista&lt;/a&gt; na qual ratificou a versão do palavrão, que a expressão fora escutada pela então esposa de Vinícius, Gessy, no Mercado Modelo, em Salvador. De um jeito ou de outro, creio que o que menos interessou à dupla foi averiguar a origem ou significado daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra mostra de que o cunho político que envolvia algumas canções era, por vezes, camuflado é &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.vidoevo.com/yvideo.php?i=TVJ5T2VScWuRpQ2taWWM&amp;chico-buarque-e-maria-bethnia-sem-fantasia" target="_blank"&gt;Sem fantasia&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, uma das obras-primas de Chico Buarque, composta para a peça &lt;i&gt;Roda-viva&lt;/i&gt;, de sua autoria, com direção de Zé Celso. A peça falava da ascensão e queda de um cantor popular, manipulado e controlado pela indústria cultural, para atender aos gostos do mercado, numa analogia ao regime militar vigente. Lutando contra os efeitos negativos dessa manipulação de sua vida pessoal, o cantor, nessa música, troca confidências e procura redimir-se com a mulher amada. Em cada trecho, um fala ao outro e as duas estrofes, como suas almas gêmeas, seguem em total harmonia, até se encontrarem, ao final da canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, outra história pouco conhecida envolve a canção &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rntBOTOJ_tI&amp;amp;feature=player_embedded" target="_blank"&gt;Companheiro&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;*, composta no inicio dos anos 70, tema de abertura da atual novela das seis da Globo, &lt;i&gt;Araguaia&lt;/i&gt;, escolhida entre centenas de candidatas. Mesmo não tendo sido feita para esse fim, sua mensagem de força, esperança e otimismo terminou por transformá-la em um dos “hinos” daqueles que lutaram na guerrilha do Araguaia, alguns deles desaparecidos até hoje. Recentemente, um  dos sobreviventes escreveu uma bonita carta para o compositor Tibério Gaspar (&lt;i&gt;Sá Marina, BR-3&lt;/i&gt;), confirmando o fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto a documentos, fotos, depoimentos, reportagens e tudo mais que viabiliza o registro histórico dos acontecimentos, a música é uma das formas mais acessíveis, eficientes e agradáveis de contá-los, a ponto de alguma sempre nos vir à mente, ao lembrarmos de fatos, pessoas, lugares, assuntos ou meras palavras. E é assim que vamos traçando nossa trilha sonora pelos caminhos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Companheiro (Naire / Tibério Gaspar)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vai amigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não há perigo que hoje possa assustar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não se iluda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que nada muda se você não mudar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ponha alguma coisa na sacola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não esqueça a viola&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas esqueça o que puder&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E cante que é bom viver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Rasgue as coisas velhas da lembrança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Seja um pouco de criança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Faça tudo o que quiser&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E cante que é bom viver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" width="420" height="340" src="http://www.youtube.com/embed/rntBOTOJ_tI" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-2068604582660098264?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/2068604582660098264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=2068604582660098264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2068604582660098264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2068604582660098264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/04/musica-politica-brasileira.html' title='Música política brasileira'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/rntBOTOJ_tI/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-9144599754620598500</id><published>2011-03-21T00:30:00.005-03:00</published><updated>2011-03-21T00:41:39.145-03:00</updated><title type='text'>Músicas de hoje</title><content type='html'>Hoje é período de tempo curto, mas, ao mesmo tempo, bastante presente em nossa vida, sobre o qual cabe gastarmos o tempo de hoje discorrendo. É o tempo em que tudo, de fato, acontece, é quando sentimos, vivemos. E como a música, ou a arte em geral, é uma forma de comunicação e expressão de sentimentos, é natural que muitas canções falem do hoje, seja em sentido amplo ou estrito, ressaltando seus aspectos positivos ou negativos, indo do sonho (&lt;i&gt;“Hoje eu tive um sonho que foi o mais bonito que eu sonhei em toda a minha vida”&lt;/i&gt;) ao pesadelo (&lt;i&gt;“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje eu sonhei contigo e caí da cama”&lt;/i&gt;), em alguns acordes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas dessas músicas descrevem sensações de solidão (&lt;i&gt;“Eu hoje acordei tão só, mais só do que eu merecia”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje é o dia, eu quase posso tocar o silêncio”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje contei pras paredes coisas do meu coração”&lt;/i&gt;). Outras traduzem sentimentos associados à ausência, falta ou perda de algo, seja do tempo passado (&lt;i&gt;“Hoje os meus domingos são doces recordações / daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções”&lt;/i&gt;), pessoa (&lt;i&gt;“Hoje o samba saiu procurando você”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“... E hoje ninguém mais fala do seu bandolim. Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim”&lt;/i&gt;) ou lugar (&lt;i&gt;“Hoje eu mando um abraço pra ti, pequenina”&lt;/i&gt;, onde pequenina faz referência à Paraíba).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro um parêntese para comentar uma dúvida que me veio à memória, ao reproduzir, no parágrafo anterior, os versos de &lt;i&gt;Quem te viu, quem te vê&lt;/i&gt;, de Chico Buarque: o samba saiu (e estava procurando você) ou ele “saiu procurando” (você)? A dúvida adveio do fato de não haver vírgula na letra oficial (que nem estou certo se caberia, no primeiro caso). Mesmo sem ela, sempre imaginei a primeira concepção como a correta, talvez sugestionado pela pausa melódica associada a este trecho, entre &lt;i&gt;“saiu”&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;“procurando”&lt;/i&gt;, sempre preenchida por um &lt;i&gt;laralaiá&lt;/i&gt; (ou mesmo pelo final, que diz apenas: &lt;i&gt;“hoje o samba saiu”&lt;/i&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro belo e triste samba (Fazer o quê? Pra alegria de nossos ouvidos, desde que o samba é samba, a tristeza é senhora, como diz Caetano) a evocar, no hoje, o tempo passado é &lt;i&gt;Quantas lágrimas&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;“Mas hoje em dia eu não tenho mais a alegria dos tempos atrás”&lt;/i&gt;), gravado por Cristina Buarque, nos anos 70. Já em &lt;i&gt;Asa Branca&lt;/i&gt;, o personagem lamenta, ao mesmo tempo, a falta da chuva e do sertão (&lt;i&gt;“Hoje longe, muitas léguas, numa triste solidão, espero a chuva cair de novo, pra mim voltar pro meu sertão”&lt;/i&gt;) e ainda da pessoa amada, Rosinha, a quem recomenda: &lt;i&gt;“guarda contigo meu coração”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dias difíceis, em que nada parece funcionar e o hoje parece interminável, sempre tivemos à mão trilha sonora de primeira, seja em assuntos políticos - &lt;i&gt;“Nos dias de hoje, é bom que se proteja”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão”&lt;/i&gt; - ou existenciais - &lt;i&gt;“Hoje trago em meu corpo as marcas do meu tempo”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje não colho mais as flores de maio”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje só acredito no pulsar das minhas veias”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje a noite não tem luar”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje não ligo a tv nem mesmo pra ver o Jô”&lt;/i&gt;. Mas nada como um dia após o outro... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por meio de canções que renovam as esperanças, trazem paz de espírito ou mostram o hoje como prenúncio de um amanhã melhor, também estamos bem servidos musicalmente: &lt;i&gt;“Hoje a poesia veio ao meu encontro”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje só tua presença vai me deixar feliz”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje nasceu novo sol no meu peito”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje eu quero que as buzinas toquem flauta-doce”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje eu quero a paz de criança dormindo”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Hoje eu só quero que o dia termine bem”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“É hoje o dia da alegria e a tristeza nem pode pensar em chegar”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando de paz de espírito, por sinal, meu xará da viola descreveu muito bem esse tipo de momento, agradável pela simplicidade e, ao mesmo tempo, responsável por proporcionar uma alegria que se quer eternizar, que faz esquecer certas dores por um instante: &lt;i&gt;“Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos, para ver as meninas e nada mais nos braços”&lt;/i&gt; *. A música fala, justamente, desses fragmentos de tempo efêmeros, mas suficientes para melhorarem nossas vidas. Momento finito a sugerir um samba sobre o infinito, do tamanho do amor literalmente perdido (&lt;i&gt;“eu não me lembro mais quem me deixou assim”&lt;/i&gt;), reencontrado, de outra forma, numa pausa de mil compassos. Por hoje é só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Excertos de letras das canções: &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;amp;v=uZMjTU9jBDE" target="_blank"&gt;A guerra dos meninos&lt;/a&gt; (Roberto Carlos / Erasmo Carlos), &lt;a href="http://vimeo.com/6947531" target="_blank"&gt;Poema&lt;/a&gt; (Cazuza / Frejat), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pGKXPgW5JA4" target="_blank"&gt;Não sonho mais&lt;/a&gt; (Chico Buarque), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8PKM2ld8d1o" target="_blank"&gt;Sempre não é todo dia&lt;/a&gt; (Oswaldo Montenegro / Mongol), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mH0DoteDQzg" target="_blank"&gt;Tudo que vai&lt;/a&gt; (Dado Villa-Lobos / Alvin L. / Tony Platão), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5TdTacizYdA" target="_blank"&gt;Amor I love you&lt;/a&gt; (Marisa Monte / Carlinhos Brown), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ur3Ju6D2Wqo" target="_blank"&gt;Jovens tardes de Domingo&lt;/a&gt; (Roberto Carlos / Erasmo Carlos), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pFU_WteHiZc" target="_blank"&gt;Quem te viu quem te vê&lt;/a&gt; (Chico Buarque), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7nwNZQTldSE" target="_blank"&gt;Naquela mesa&lt;/a&gt; (Sérgio Bittencourt), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RPyrhyIpDwg" target="_blank"&gt;Paraíba&lt;/a&gt; (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZHNa39scwec" target="_blank"&gt;Quantas lágrimas&lt;/a&gt; (Manacéia), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=s8VqC_Vjsm0&amp;amp;feature=fvwrel" target="_blank"&gt;Asa branca&lt;/a&gt; (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RmBtW3XFGWU&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Cartomante&lt;/a&gt; (Ivan Lins / Vítor Martins), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xbH2E1XfscA" target="_blank"&gt;Apesar de você&lt;/a&gt; (Chico Buarque), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7W7sELKRZC0" target="_blank"&gt;Hoje&lt;/a&gt; (Taiguara), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fR1Gke8Mm8A&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Meu mundo e nada mais&lt;/a&gt; (Guilherme Arantes), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=x7jgY9Sgu0o" target="_blank"&gt;Sapato velho&lt;/a&gt; (Mú Carvalho / Cláudio Nucci / Paulinho Tapajós), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kPu200ogx40" target="_blank"&gt;Samba do grande amor&lt;/a&gt; (Chico Buarque), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RqpH-tygjFI" target="_blank"&gt;Noturno&lt;/a&gt; (Graco / Caio Sílvio), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cQVUoLS-8AM" target="_blank"&gt;Hoje a noite não tem luar&lt;/a&gt; (versão: Carlos Colla), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RkzwNOTkGOs" target="_blank"&gt;Nuvem negra&lt;/a&gt; (Djavan), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Bzw2DDMzjm8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Viagem&lt;/a&gt; (Paulo César Pinheiro / João de Aquino), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2XOL0EckLcg" target="_blank"&gt;Só hoje&lt;/a&gt; (Rogério Flausino / Fernanda Mello), &lt;a href="http://www.videolog.tv/video.php?id=462172" target="_blank"&gt;Êxtase&lt;/a&gt; (Guilherme Arantes), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=H_Y4hR0kP4Q&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Tocando em frente&lt;/a&gt; (Almir Satter / Renato Teixeira), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=oZwqBkzgnwM" target="_blank"&gt;Festa no apê&lt;/a&gt; (versão: Gessé Filho), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Hf0epARAFJ8" target="_blank"&gt;Sem mandamentos&lt;/a&gt; (Oswaldo Montenegro), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=6bmrM_ZBoz0&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Telegrama&lt;/a&gt; (Zeca Baleiro), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YQrOjUejJI8" target="_blank"&gt;A noite do meu bem&lt;/a&gt; (Dolores Duran), &lt;a href="http://music.mtv.uol.com.br/artista/mello_luciana/videos/109269/simples_desejo" target="_blank"&gt;Simples desejo&lt;/a&gt; (Jair Oliveira / Daniel Carlomagno), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cysqCruwoeA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;É hoje&lt;/a&gt; (Didi / Mestrinho), &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=AzyV9RyfMJk" target="_blank"&gt;Para ver as meninas&lt;/a&gt; (Paulinho da Viola)&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Para ver as meninas (Paulinho da Viola)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Silêncio por favor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Enquanto esqueço um pouco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;a dor no peito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não diga nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;sobre meus defeitos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu não me lembro mais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;quem me deixou assim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Hoje eu quero apenas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Uma pausa de mil compassos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para ver as meninas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E nada mais nos braços&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Só este amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;assim descontraído&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quem sabe de tudo não fale&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quem não sabe nada se cale&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se for preciso eu repito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Porque hoje eu vou fazer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ao meu jeito eu vou fazer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Um samba sobre o infinito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="360" width="400"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.dailymotion.com/swf/video/x2u8ma?theme=none"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.dailymotion.com/swf/video/x2u8ma?theme=none" width="400" height="360" wmode="direct" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.dailymotion.com/video/x2u8ma_marisa-monte-pra-ver-as-meninas_music" target="_blank"&gt;Marisa Monte - Para ver as meninas&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-9144599754620598500?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/9144599754620598500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=9144599754620598500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/9144599754620598500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/9144599754620598500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/03/musicas-de-hoje.html' title='Músicas de hoje'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-8934507008786259418</id><published>2011-02-17T11:08:00.000-03:00</published><updated>2011-02-17T11:08:18.401-03:00</updated><title type='text'>Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos – terceira edição</title><content type='html'>&lt;b&gt;(Não se preocupe, isso passa, é só uma frase)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A permanência de Mubarak no Egito poderia custar Cairo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aprenda inglês voando. Primeira lição: 'The overbook is on the table'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Paradoxo: em tempos de regime ditatorial em busca de um corpo perfeito, vivemos em coma induzido: 'coma... coma... coma... coma... coma...'"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sei o que ler. Não sei o que li. Não sei o que lá. Apenas lerei, pois ler é a lei. Não me livro do livro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Conviver: arte de transformar eu em nós e nós em laços."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Música é algo que toca."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Versado em prosa, prosaico em verso e vice-versa. Depende do contexto. Ou da conversa." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oxítona, paroxítona, proparoxítona, não importa. É tudo proparoxítona."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Promissória é dívida. Promessa é dúvida. Mas pode ser dádiva."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se beber, não digira. Se bebê, não dirija."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não é incomum nome próprio ser comum nem nome comum ser impróprio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Do meu pai herdei a letra, da minha mãe, a melodia e a canção em que me fiz é nota triste, sem harmonia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tem hora pra orar? Ora, enquanto o crente ora ora, ora não, o ateu não ora hora nenhuma." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sem rumo, no percurso solitário pelas ruas da vida, um pensamento me conduz por piedade: conselheiro a guiar é caminho que leva a boa viagem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tira-gosto não se discute."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A nossos analistas (que pouco falam, que não me ouçam): quem paga pelo silêncio de outro ou tem culpa no cartório ou no divã."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Contei as perdas, perdi a conta. Conte comigo, pedi por conta."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Meu alter ego não é egoísta. Segundo ele, primeiro eu, segundo ele."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O homo sapiens saiu da caverna há bastante tempo, mas o hetero continua com um preconceito da idade da pedra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os números falam por si, exceto os irracionais. Esses não contam."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem dá ouvido a intrigas é testemunha auricular de que, nesses casos, é melhor olvidar o ouvido." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fique de OLHO no que chega a seus OUVIDOS, VISTO que pode ser uma ideia BRILHANTE." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Carnaval, pra mim, é sagrado: os de dentro mãozinhas ao céu, os de fora ao deus-dará e no meio o cordeiro, que es(x)pia os pecados do mundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Revelação de que os EUA infectaram com doenças sexualmente transmissíveis, às escondidas, 1500 cidadãos da Guatemala comprova: EUA têm mala."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Complexo de alemão é nazismo, praticado por policias truculentos, que juntam inocentes e culpados, como alemães juntam palavras."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O papa não costuma vestir a camisinha do bom senso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todo mundo tem seus próprios 'wikileaks'. O meu é que Cristina Kirchner é uma viúva charmosa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quanto à diplomacia, Assange WikiLeaks foi preso por expor os documentos. Mas ao desnudar a americana ou ao não usar camisinha com a sueca?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Loucura, política salarial vira congresso de cabeça pra baixo: o teto virou piso!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seguindo conselho da antecessora Marta Suplicy, futuro ministro do turismo sexual relaxou e gozou, em motel maranhense, com recursos púbicos."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-8934507008786259418?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/8934507008786259418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=8934507008786259418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8934507008786259418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8934507008786259418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/02/oracoes-descoordenadas-e-insubordinadas.html' title='Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos – terceira edição'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-3890971077987135227</id><published>2011-01-29T22:50:00.002-03:00</published><updated>2011-01-29T23:39:26.204-03:00</updated><title type='text'>Os melhores discos dos últimos tempos da última década</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="pt-BR"&gt;Coroada com a histórica eleição de nossa primeira presidenta e com a escolha de Ana Hollanda, irmã de Chico Buarque, pra ministra da cultura, entre outras mulheres, a primeira década do século XXI parece ter sido essencialmente feminina, também, na música.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="pt-BR"&gt;Sem esforço, lembramos de várias cantoras que despontaram nesse período, como Ana Carolina, Teresa Cristina, Maria Rita, Mônica Salmaso, Vanessa da Mata, Luíza Possi, Céu, Ceumar, Mart'nália, Roberta Sá, Fernanda Takai (versão solo), Ana Cañas, Maria Gadú (mais: Pitty, Cláudia Leitte, Mallu Magalhães). Não abrindo nem fechando parênteses, gosto de quase todas. Já os nomes masculinos na mídia foram poucos (Vander Lee, a turma da Trama) e mais restritos a grupos de rock: Detonautas, NX Zero, CPM 22. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Seguindo a linha de sucesso editorial do momento, dos n livros, discos ou filmes que você deve ler, ouvir ou assistir antes de morrer (título engraçado, parece até que as obras são tão ruins, que você morrerá ao escutá-las), proponho, então, a lista dos dez discos da última década que você deve escutar antes de morrer, ou ainda, inspirado nos Titãs, a lista dos melhores discos dos últimos tempos da última década.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span lang="pt-BR"&gt;Considerando apenas discos de inéditas, em minha lista, talvez conservadora, certamente incompleta e sem pretensões de ser definitiva, onde, curiosamente, faltam os tais nomes da última década (não por falta de novos talentos - &lt;i&gt;evoé jovens à vista&lt;/i&gt; -, mas pela qualidade dos anteriores), certamente entrariam, necessariamente nessa desordem: &lt;i&gt;Pelo sabor do gesto&lt;/i&gt; (Zélia Duncan), &lt;i&gt;Porque não tínhamos bicicleta&lt;/i&gt; (Flávio Venturini), &lt;i&gt;Tudo novo de novo&lt;/i&gt; (Paulinho Moska), &lt;i&gt;Qualquer&lt;/i&gt; (Arnaldo Antunes), &lt;i&gt;Qual o assunto que mais lhe interessa&lt;/i&gt; (Elba Ramalho), &lt;i&gt;Pietá&lt;/i&gt; (Milton Nascimento), &lt;i&gt;Cê&lt;/i&gt; (Caetano Veloso), &lt;i&gt;Carioca&lt;/i&gt; (Chico Buarque), &lt;i&gt;Ventura&lt;/i&gt; (Los Hermanos) e &lt;i&gt;Infinito particular&lt;/i&gt; (Marisa Monte). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;No melhor estilo Chico, &lt;i&gt;Carioca&lt;/i&gt; traz versos como: &lt;i&gt;“Dura a vida alguns instantes, porém mais do que o bastante, quando cada instante é &lt;/i&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OhIB-vYy_Qw" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;sempre&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“&lt;/i&gt;&lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cGxtihukKiI" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Ela faz cinema&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;, ela é assim, nunca será de ninguém, porém eu não sei viver sem e FIM”&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;“O sol ensolarará a estrada dela”&lt;/i&gt;, onde a conjugação verbal entoa um &lt;i&gt;larará &lt;/i&gt;gostoso. Chico, que já fizera música pra Deus e o mundo, fez, dessa vez, pra um filho de Deus, em suas palavras. Interessante que, para compor &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=NcJ50pYwt-k" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Ode aos ratos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, ele consultou o amigo Paulo Vanzolini, sobre a veracidade de os ratos terem o nariz frio (Vanzolini, compositor de &lt;i&gt;Ronda&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Volta por cima&lt;/i&gt;, além de músico, é zoólogo, formado em medicina) e recebeu como resposta, em referência a suas canções: &lt;i&gt;“Você mente tanto pra mulher, minta pra rato, também”&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;Pelo sabor do gesto&lt;/i&gt;, de Zélia Duncan, é um esmerado trabalho, do projeto gráfico às composições, que reúne parcerias da cantora com alguns de seus contemporâneos, como Chico César, Moska, Zeca Baleiro, John Ulhoa (Pato Fu) e com novos compositores, como Marcelo Jeneci, co-autor de &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SxUBFFUx7vU" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Todos os verbos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; que, no show, vem acompanhada de história tão bonita quanto a música. A &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wELv_cD4lLA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;faixa-título&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, versão de canção do musical francês &lt;i&gt;Les chansons d'amour&lt;/i&gt;, fala do amor expresso em sua forma mais pura, que carece de palavras e revela-se, delicadamente, em gestos: &lt;i&gt;“Mas se eu ousar amar pelo sabor do gesto / Te empresto da maçã, vai junto o coração / Esquece o que eu não fiz / Te sirvo o bom da festa / De um jeito mais feliz”&lt;/i&gt;. E ainda tem regravação de &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4b_6qj0gGXk&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Ambição&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, de Rita Lee.  &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;i&gt;Porque não tínhamos bicicleta&lt;/i&gt;, de Flávio Venturini, não precisaria mais do que uma faixa para estar na lista: &lt;i&gt;Céu de Santo Amaro &lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;, que tem como melodia uma composição de Johann Sebastian Bach. A música já havia recebido letra (&lt;i&gt;If you could remember&lt;/i&gt;), em canção gravada pelo cantor Jessé que, nos anos 70, seguindo tendência da época, ainda cantava em inglês, usando o nome artístico Tony Stevens. O interessante, ao compararmos as duas versões, &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8liNR8T1IJY" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;If you could remember&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e &lt;span style="color: navy;"&gt;&lt;span lang="zxx"&gt;&lt;u&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=jmleCxnrdU0" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Céu de Santo Amaro&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, é que, por não ser uma delas versão da outra – caso em que se costuma manter a mesma disposição das sílabas dentro do compasso da melodia -, mas sim duas letras construídas em cima de uma mesma música instrumental, não é tão clara essa percepção de tratar-se da mesma melodia.  &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Venturini, que talvez nem saiba dessa outra versão, escreveu a sua na cidade de Santo Amaro da Purificação (BA), após escutar, em festa local, a interpretação de um violonista espanhol para a música de Bach, &lt;i&gt;“numa bela noite de lua de janeiro”&lt;/i&gt;, como afirma em seu site oficial. Para completar o encanto de tão sublimes letra, música e arranjo, Venturini convidou Caetano Veloso, filho da terra e dono de uma das mais belas vozes brasileiras, para dividir com ele os vocais, na gravação para o disco. Estava pronta uma das melhores canções da década, que Maria Bethânia, em seu show &lt;i&gt;Tempo, Tempo, Tempo, Tempo&lt;/i&gt; (2005), casou perfeitamente com &lt;i&gt;Soneto de Fidelidade&lt;/i&gt; (Vinícius de Moraes), sem nenhuma pena de nós. &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;**&lt;/span&gt; E vocês, que discos ou músicas escolheriam?&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="border-color: -moz-use-text-color -moz-use-text-color rgb(0, 0, 0); border-style: none none solid; border-width: medium medium 1px; margin-bottom: 0cm; padding: 0cm 0cm 0.07cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Céu de Santo Amaro (J. S. Bach &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;/ Adaptação - letra e arranjo: F&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;lávio Venturini)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Olho para o céu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tantas estrelas dizendo da imensidão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Do universo em nós&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A força desse amor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nos invadiu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Com ela veio a paz&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Toda beleza de sentir&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que para sempre uma estrela vai dizer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Simplesmente amo você&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Meu amor vou lhe dizer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quero você com a alegria de um pássaro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em busca de outro verão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na noite do sertão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Meu coração&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Só quer bater por ti&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E eu me coloco em tuas mãos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para sentir todo carinho que sonhei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nós somos rainha e rei&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A força desse amor nos invadiu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Então, veio a certeza de amar você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" lang="pt-BR" style="border: medium none; margin-bottom: 0cm; padding: 0cm;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" class="youtube-player" frameborder="0" height="351" src="http://www.youtube.com/embed/Z1MplXOYls0" title="YouTube video player" type="text/html" width="432"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-3890971077987135227?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/3890971077987135227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=3890971077987135227' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/3890971077987135227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/3890971077987135227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/01/os-melhores-discos-dos-ultimos-tempos.html' title='Os melhores discos dos últimos tempos da última década'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/Z1MplXOYls0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-863664144054553108</id><published>2011-01-14T00:05:00.000-03:00</published><updated>2011-01-14T00:05:07.073-03:00</updated><title type='text'>Fico com o disco do Pixinguinha, sim!</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ao pensar sobre a música da década passada, a primeira lembrança que me vem à mente é a mudança pela qual passou o modo como a consumimos, partindo da mídia física para o arquivo digital. Se música é alimento, antes o prato já vinha pronto. A receita era juntar dez ou doze itens, embalar e colocar à venda. Agora, os ingredientes musicais precisam ser selecionados por nós, consumidores e, diante disso, a geração que já era mais madura no início dos anos 00, acostumada a ter comida na boquinha durante sua formação musical, vive, hoje, meio à deriva, nesses mares nunca dantes navegados, tendo que correr atrás. &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A época em que mais se consome e absorve informações, ou pelo menos quando se está mais aberto a absorvê-las, é durante a juventude e uma mudança no modelo de reprodução musical ocorrida ainda nessa fase da vida é sempre melhor assimilada do que na maturidade. E ainda que essa geração a que me refiro - e à qual pertenço - também já tenha vivenciado alguma mudança, ela ocorreu apenas na embalagem do produto (de LP para CD), não na forma de entrega.  &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Analisando de forma simplista as duas transformações, primeiro o disco diminuiu de tamanho e perdeu o lado B, depois se desintegrou em objetos virtuais não identificados, soltos no ar, como discos voadores, sem arte-final, capa ou encarte e mesmo sem ficha técnica, muitas vezes. Trocando em miúdos, a revolução atual foi mais crítica (mas fico com o disco do Pixinguinha).&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A era de ouro do CD foi a década de 90 (assim como o &lt;i&gt;boom&lt;/i&gt; da internet, década importante essa). Lembro minha primeira refeição nesse formato, que recebi como presente de amigo-secreto, no natal de 1993: &lt;i&gt;O canto da cidade&lt;/i&gt;, Daniela Mercury (era auge, também, da &lt;i&gt;axé music&lt;/i&gt;). Até então, o que mais se aproximava do hábito de copiar ou baixar músicas era ficar com um gravador a postos e esperar a canção desejada tocar em nossa rádio preferida, para então apertar a tecla REC do aparelho. Missão árdua a exigir alerta máximo, é fácil imaginar por que hoje eu escolheria, como fundo musical ideal para a ocasião, Ana Carolina: &lt;i&gt;“a canção tocou na hora errada...”&lt;/i&gt;. Sem falar que, muitas vezes, o locutor falava antes de a canção terminar, colocando todo o trabalho a perder.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Se a facilidade de reprodução de CD’s fez crescer a pirataria, o surgimento do MP3, a popularização da &lt;i&gt;internet&lt;/i&gt; e seus &lt;i&gt;downloads&lt;/i&gt; acabaram de decretar o declínio dessa mídia (agora, cantores ganham dinheiro mesmo é com shows, o que talvez explique o fato de artistas estrangeiros, cada vez mais, virem aportando em nosso país, em cidades fora do eixo Rio-São Paulo). Como resultado, vimos lojas de discos tradicionais calarem a voz, como a &lt;i&gt;Vivace&lt;/i&gt; (Recife) e, no último dia do ano passado, a &lt;i&gt;Modern Sound&lt;/i&gt; (Rio de Janeiro). Hoje, os locais que ainda resistem são, em sua maioria, aqueles não exclusivamente voltados ao comércio de CD's - grandes livrarias, lojas de departamento e supermercados - ou de público específico.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Assim como os discos, o mundo gira e sobretudo quem tem parentes adolescentes percebe que, ao menos para esse público, o fim do CD já é realidade, está na agulha. Quanto aos mais velhos, estes devem continuar consumindo discos que, com o passar do tempo, devem virar objeto de colecionadores, saudosistas e aficionados, como acontece com os LP's, hoje em dia, que continuam sendo lançados e têm público cativo. É o ciclo da vida. Se antes precisávamos de um cômodo da casa para dispor todos os nossos livros e discos, hoje eles cabem na palma da nossa mão. Trocamos o cômodo pela comodidade: a tecnologia atual coloca a antiga no bolso (mas ainda fico com o disco do Pixinguinha).&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Com a pulverização da música proporcionada pela &lt;i&gt;internet&lt;/i&gt;, o acesso a novas canções tornou-se, ao mesmo tempo, fácil e difícil. Fácil porque, em vez de depender apenas de programações de rádio e tv como aperitivo para escutá-las, conhecê-las, saboreá-las, antes de partir para o prato principal, &lt;i&gt;à la carte&lt;/i&gt; - o CD -, passou-se a contar com o grande, democrático e sortido &lt;i&gt;self-service&lt;/i&gt; da &lt;i&gt;internet&lt;/i&gt;, com infinitas opções para abrir o apetite, que dispensam sugestões do &lt;i&gt;chef &lt;/i&gt;e jabás. Difícil pelo mesmo motivo: sem o outrora prato principal, não se faz uma refeição completa, belisca-se uma coisinha aqui e outra ali, apenas.  &lt;/div&gt;&lt;div class="lista-western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Embora ainda desafeito a esse novo &lt;i&gt;modus vivendi&lt;/i&gt;, reconheço que, independentemente do formato (e do disco do Pixinguinha), a essência disso tudo - a música - permanecerá e, para apreciá-la, sempre precisaremos apenas dos ouvidos. Mas mudando o disco, eu ia falar da música da década passada. Fica pra próxima (vez, não década).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-863664144054553108?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/863664144054553108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=863664144054553108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/863664144054553108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/863664144054553108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2011/01/fico-com-o-disco-do-pixinguinha-sim.html' title='Fico com o disco do Pixinguinha, sim!'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-7900273308977626140</id><published>2010-12-01T10:42:00.001-03:00</published><updated>2010-12-01T11:32:02.736-03:00</updated><title type='text'>Nossa imagem na tela grande</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;"Minha relação com a morte continua a mesma: sou radicalmente contra"&lt;/i&gt; (Woody Allen)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TPZQsEjeIgI/AAAAAAAAAMI/R-tYWs3Pemc/s1600/wa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TPZQsEjeIgI/AAAAAAAAAMI/R-tYWs3Pemc/s320/wa.jpg" width="194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Neurose, designação genérica para os males da psique humana, é uma espécie de virose da cabeça, contra a qual o organismo deve reagir com pensamentos e ideias alternativas, os anticorpos da alma. Dando uma de psicólogo (e várias de neurótico), creio que um dos métodos eficazes de cura desses males é ver-se no espelho; é, paradoxalmente, saltar fora de si para, enfim, poder enxergar-se por dentro, em seus recantos mais íntimos; é fazer-se desindivíduo, para poder entender, aceitar, questionar suas individualidades. Nesses atos, ninguém representa papel mais importante que a arte, seja ela a quinta, a sexta ou a sétima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é da sétima que vem um dos melhores criadores de arte como imitação da vida. O cineasta nova-iorquino Woody Allen que, em cerca de quatro décadas, dirigiu dezenas de filmes e atuou em vários deles. Uma produtividade compulsiva, quase neurótica, de periodicidade praticamente anual (vem aí, em 2011, &lt;i&gt;Midnight in Paris&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante em seus filmes são os diálogos, o uso da palavra. A imagem, o enredo, a história, o roteiro do filme assumem papel coadjuvante (a palavra como texto e todo o resto como pretexto). Assim, ele se permite encenar, de forma inteligente e criativa, as situações mais esdrúxulas e improváveis, tudo em prol da palavra, ator principal. Talvez por isso, ele consiga transitar tão bem entre filmes policiais, romances e comédias de costumes, ou ainda, misturar esses temas e assuntos tão diversos com maestria. Em &lt;i&gt;Melinda e Melinda&lt;/i&gt; (2004), ele até brinca com isso, transportando essa sua habilidade para os personagens do filme, quatro amigos que discutem um desenrolar dramático e outro cômico para um enredo inicial proposto por um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como também brinca em &lt;i&gt;O escorpião de Jade&lt;/i&gt; (2001), muito bom, em que o personagem principal é hipnotizado ao escutar certa palavra (&lt;i&gt;Madagascar&lt;/i&gt;) e volta ao estado normal ao escutar outra (&lt;i&gt;Constantinopla&lt;/i&gt;). Artifício curioso e simbologia perfeita, em se tratando de um cineasta que nos prende e hipnotiza simplesmente com a palavra, aquilo que tanto preza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu dom de transformar simples situações e diálogos em cenas antológicas, as quais sempre nos levam a reflexões com leveza e inteligência, explica, também, como ele consegue se manter em destaque e agradar por tantos anos ininterruptos. Em &lt;i&gt;Match point&lt;/i&gt; (2005), a partir de uma cena inicial digna de gênio - e que retorna, redonda, noutra parte do filme -, Woody Allen faz analogia entre o destino e uma bola de tênis que, ao tocar na rede, pode cair pra um ou outro lado, mudando o rumo do jogo. Já no recente e interessante &lt;i&gt;&lt;a href="http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2010/04/28/04021B3070D4915346.jhtm?trailer-do-filme-tudo-pode-dar-certo-04021B3070D4915346"&gt;Tudo pode dar certo&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (2009), ele conta a história de um senhor pedante e convencido, com complexo de superioridade e, por conseguinte, sem nenhuma paciência para a “mediocridade” de seus (des)semelhantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é permitido em sua imaginação sem limites, que cria situações interessantes, como em &lt;i&gt;A rosa púrpura do Cairo&lt;/i&gt; (1985), o primeiro a que assisti, em que o personagem de um filme romântico sai da tela do cinema pra viver uma história de amor com uma moça solitária, que assistia inúmeras vezes a esse filme. Ou em &lt;i&gt;Édipo arrasado&lt;/i&gt;, um dos &lt;i&gt;Contos de Nova York&lt;/i&gt; (1989), em que a figura materna assume magistral representação, assumindo as proporções que possui aos olhos do filho, que passa a vê-la, onipresente, nos céus da cidade, a expor toda sua vida íntima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus personagens expõem, de várias e criativas formas, nossos defeitos, neuroses, excentricidades e idiossincrasias. E quando quem representa o papel é ele próprio, o resultado torna-se ainda mais eficaz, dada a sua perfeita caracterização do ser neurótico. Como em &lt;i&gt;Noivo neurótico, noiva nervosa&lt;/i&gt; (1977) – seu filme mais premiado - e &lt;i&gt;Zelig&lt;/i&gt; (1983). Não sei se de médico, talvez de louco, mas certamente de &lt;i&gt;Zelig&lt;/i&gt; todo mundo tem um pouco. Também como ator, &lt;i&gt;em Scoop – o grande furo&lt;/i&gt; (2007), está divertidíssimo no papel de um mágico que, em uma de suas divertidas autoanálises, atribui à extrema ansiedade o fato de não engordar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esses dias, o cineasta vem sendo lembrado por dois motivos. O primeiro é seu mais novo filme, &lt;i&gt;&lt;a href="http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2010/11/24/0402993068C8895307.jhtm?trailer-do-filme-voce-vai-conhecer-o-homem-dos-seus-sonhos-0402993068C8895307"&gt;Você vai conhecer o homem de seus sonhos&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, que nos faz refletir sobre a ideia de que a ilusão é melhor do que qualquer remédio e cuja ironia começa do título, que tanto pode representar um ser vivo do sexo masculino, como a figura da morte, o que fica mais claro no título original em inglês (&lt;i&gt;You will meet a tall dark stranger&lt;/i&gt;). O segundo motivo é seu aniversário de 75 anos, a ser comemorado hoje, 1º de dezembro. Acontecimentos que eu, neurótico e simpático a efemérides, não poderia deixar de reverenciar. Woody Allen explica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-7900273308977626140?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/7900273308977626140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=7900273308977626140' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7900273308977626140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7900273308977626140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/12/nossa-imagem-na-tela-grande.html' title='Nossa imagem na tela grande'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TPZQsEjeIgI/AAAAAAAAAMI/R-tYWs3Pemc/s72-c/wa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-8890080531212004837</id><published>2010-11-27T18:53:00.003-03:00</published><updated>2010-12-10T15:50:44.494-03:00</updated><title type='text'>Castelo de cartas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Aos jovens de bem que também vivem nos morros, favelas e complexos - à margem, não&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; marginais -, igualmente vítimas da complexa violência nas cidades, inclusive policial.&lt;/span&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Estão desenhando meu próprio destino&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Com tinta bem forte pra não apagar &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Com o sangue daqueles que vejo morrendo&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Na porta de casa e não posso evitar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Liberdade que tenho de nada me serve&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Na favela é assim, meu futuro é incerto&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Não tenho comida, não tenho presente&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Ninguém quer saber como tenho passado&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Menino de rua, sigo minha sina&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Lutar por trabalho, escola, comida&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Luta desigual, onde vence o mais forte&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;É este o presente que ganho da vida&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Meu irmão lá de baixo, este teve mais sorte&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Morando na praia, vivendo de brisa&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Se aprendo com a vida lidando com a morte&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;No final, nada muda: eu morro, ele, casa&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Mas é meu irmão, não se pode negar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Afastado de mim pela sociedade&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Não quero disputa, quero o meu lugar&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;E lutar pra que seja um lugar de verdade&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Verdade que eu quero deixar pro meu filho&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Que é a minha coroa, meu trono, castelo&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Um castelo de cartas onde eu sou o rei&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;E onde um dia ele seja um príncipe com sorte&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Castelo de cartas - Paulo Bap, 2000) &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-8890080531212004837?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/8890080531212004837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=8890080531212004837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8890080531212004837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8890080531212004837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/11/castelo-de-cartas.html' title='Castelo de cartas'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-6348066387067691129</id><published>2010-11-11T18:43:00.002-03:00</published><updated>2010-11-11T18:48:03.021-03:00</updated><title type='text'>Sentido cidade-subúrbio</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;“O amor é feito capim, mas veja que absurdo, a gente planta, ele cresce, aí vem uma vaca e acaba tudo”&lt;/i&gt; (Rodrigo Mell / Elvis Pires)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impelido a expelir todo ar de superioridade que porventura pudesse correr debaixo do meu nariz, sempre busquei dar ouvidos ao que “vem debaixo e me atinge”, àquilo que não sei, mas quero saber e não tenho raiva de quem sabe. Um estilo musical que, embalado com diferentes rótulos, do cafona ao brega, queira ou não, tem embalado nossos ouvidos ao longo do tempo e não pode ser ignorado. Mesmo assim, e supondo conhecer uma boa quantidade de músicas brasileiras, percebo, impressionado, o mundo à parte das canções que, geralmente restritas à periferia das cidades, rompem a barreira do som, levadas pelas carrocinhas de cd’s, que as transportam a outros habitat’s (como a citada acima, que escutei outro dia, na praia). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob outro aspecto, que não o social, por vezes, chama-se de brega tudo aquilo que parece vir repleto de exagero sentimental, preferencialmente de forma pouco ortodoxa em relação à cartilha tradicional. Nesse ponto, os conceitos de brega e romântico aproximam-se. Lembrando Fernando Pessoa, todas as cartas de amor, todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas. Já nos versos de Caetano Veloso, ser romântico é cantar somente o que não pode mais se calar. Outras vezes, ainda, o termo brega é confundido com antigo, o que torna o rótulo transitório. Qualquer que seja o conceito, temos todos um lado brega, que não resiste a sair cantarolando músicas verdadeiramente populares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É próprio do ser humano procurar seguir um comportamento padrão e evitar se distanciar muito daquilo que é definido como convencional, desde que o padrão e o convencional, aí, sejam aqueles determinados por seus iguais, num círculo vicioso e retroalimentado. Algo que o diferencie ou destaque perante os demais, como se existisse um padrão A e um padrão B, divisão, em geral, definida pelo lado A. Enfim, uma busca por ser igual aos iguais, mas diferente dos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que próprio da natureza humana, no ramo musical, esse pensamento delineou-se de forma mais clara entre os anos 60 e 70. Uma das demonstrações disso foi o surgimento, nesse período, da sigla MPB para designar uma música diferenciada, curiosamente denominada música popular brasileira (se bem que o popular, aí, está em oposição a erudito). Era época de mudanças, em que a polarização entre correntes políticas refletiu-se, também, na música. De um lado, canções de protesto, nacionalismo, de outro, Tropicalismo, guitarras elétricas. De um lado, a Bossa Nova dos universitários e intelectuais, do outro a Jovem Guarda da juventude despolitizada, um dos pilares do estilo que viria a ser caracterizado como brega. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, popularizou-se o rótulo de cafona, para designar o mau gosto e, por conseguinte, cantores e músicas consideradas de qualidade inferior. Vem daí minha primeira referência desse estilo de música: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RgBoinhkZtM" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Eu não sou cachorro não&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de Waldick Soriano, que virou até título de livro sobre o tema. O compositor Paulo Sérgio Valle, autor de &lt;i&gt;O cafona&lt;/i&gt;, tema de novela de mesmo nome da Globo, ironicamente, representou um caso emblemático de trânsito livre entre os diversos caminhos musicais: compôs &lt;i&gt;Viola enluarada&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Preciso aprender a ser só&lt;/i&gt;, com o irmão Marcos Valle, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=x7F5BykvmPc" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Sábado&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;i&gt;Evidências&lt;/i&gt;, com José Augusto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 70, multiplicaram-se os fenômenos (Amado Batista, Odair José, Fernando Mendes) de uma música que, livre de qualquer patrulhamento ou direcionamento por parte da &lt;i&gt;intelligentsia&lt;/i&gt;, ou &lt;i&gt;burritsia&lt;/i&gt;, transbordava temas passionais, dramáticos, bizarros, de que &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=AgKDYIihHnQ" target="_blank"&gt;O fruto do nosso amor&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; é exemplo clássico: &lt;i&gt;“No hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça, eu via você sofrendo a sorrir. E seu sorriso aos poucos se desfazendo, então vi você morrendo, sem poder me despedir”&lt;/i&gt;. Outras honravam discriminados ou excluídos, como empregadas domésticas (&lt;i&gt;Deixa essa vergonha de lado*&lt;/i&gt;), prostitutas (&lt;i&gt;“&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0KdctNg2WGY&amp;amp;feature=fvw" target="_blank"&gt;Eu vou tirar você desse lugar&lt;/a&gt; / Eu vou levar você pra ficar comigo / E não interessa o que os outros vão pensar”&lt;/i&gt;), cadeirantes (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mO3nBk2MiJ0&amp;amp;feature=fvw" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Cadeira de rodas&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;) e anônimos (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8twS-VRJuPo" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;A desconhecida&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 80, o cafona virou brega e aquela avacalhação positiva da época, da qual Chacrinha foi a melhor representação, provocou uma rearrumação e juntou tudo num só caldeirão: o brega invadiu as fm’s. Vieram, em seguida, como uma avalanche, o pagode, o forró estilizado e o sertanejo, variações mais simplificadas, em letra e melodia, dos tradicionais samba, forró pé-de-serra e música caipira. O amor permanecia como tema central, a cicatrizar cotovelos doloridos, por meio de canções como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HSbdQUKtVkU" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Não aprendi dizer adeus&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BP3nBxl8ihA&amp;amp;NR=1" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Nuvem de lágrimas&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (sucessos de Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó), em shows caros e bem produzidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tardou a se tentar nova separação, inclusive no dial, torcido junto com o nariz dos descontentes. Além disso, de lá pra cá, a pirataria - que não se restringe à camada menos favorecida da população -, a despeito de seus aspectos negativos, teve o mérito de tornar o mercado de discos mais acessível a esse grupo, tornando-se, para os sem-internet, uma alternativa aos &lt;i&gt;downloads&lt;/i&gt; em banda larga. Surgiu, então, uma espécie de brega do b, um mercado paralelo, reivindicando de volta para si o que fora apropriado por ouvidos medianos (de classe média), frequentadores dos caros &lt;i&gt;hall's&lt;/i&gt; da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de brega na música, vale salientar, engloba não apenas a canção, mas também o intérprete - sua voz, postura, vestuário e o que mais possa ser objeto de comparação, ou seja, tudo. E tudo depende da maneira como se vê, o que explica como uma mesma canção pode ser recebida de maneiras diferentes, quando interpretada por nomes da MPB ou por cantores mais populares. A elite narcisista acha feio o que não é espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Obs.: Escute aqui outro clássico do cancioneiro brega: &lt;a href="http://videolog.uol.com.br/video?445818" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Prometemos não chorar&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Barros de Alencar), com destaque para o imenso esnobismo do personagem e o barulhinho da xícara em &lt;i&gt;“- seu café está esfriando”&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* &lt;b&gt;Deixe essa vergonha de lado&lt;/b&gt; (Odair José / Andreia Teixeira)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu já sei que nessa casa onde você diz morar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Onde todo dia no portão eu venho lhe esperar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não é a sua casa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu já sei que o seu quarto fica lá no fundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E que se você pudesse fugia desse mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E nunca mais voltava&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu já sei que esse garoto que você leva pra brincar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E que todo dia na escola você vai buscar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não é o seu irmão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ele é filho dessa gente importante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E às vezes também é seu por um instante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Apenas dentro do seu coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Deixe essa vergonha de lado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pois nada disso tem valor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por você ser uma simples empregada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;não vai modificar o meu amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu já sei por que você não me convida pra entrar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E se falo nessas coisas você procura disfarçar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fingindo não entender&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu já sei por que você não me apresenta aos seus pais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu entendo a razão de tudo isso que você faz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É medo de me perder&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu já sei que na verdade nada disso você quis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;você simplesmente pensou em ser feliz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Aí não quis dizer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mas você de uma coisa pode ter certeza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O amor que você tem por mim é a maior riqueza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que eu preciso ter&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-6348066387067691129?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/6348066387067691129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=6348066387067691129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6348066387067691129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6348066387067691129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/11/sentido-cidade-suburbio.html' title='Sentido cidade-subúrbio'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5174207301171234160</id><published>2010-10-31T00:46:00.002-03:00</published><updated>2010-10-31T01:09:10.170-03:00</updated><title type='text'>Dedicado a você</title><content type='html'>Não obstante as musas inspiradoras, reais ou não, citadas em algumas homenagens nomeadas, sobre quem já escrevi em outra ocasião (&lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2007/03/esses-seres-humanos.html" target="_blank"&gt;A esses seres humanos&lt;/a&gt;), a música, na maioria das vezes, procura ser o mais genérica possível. Talvez para permitir que as diferentes pessoas que a escutam apropriem-se de seus versos de acordo com suas próprias experiências de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para atingir tal fim, por vezes, faz uso de pronomes pessoais, para gerar citações impessoais. Assim, em &lt;i&gt;Eu e ela&lt;/i&gt;, do repertório de Roberto Carlos, &lt;i&gt;Ela e eu&lt;/i&gt;, de Caetano Veloso, &lt;i&gt;Eu te amo&lt;/i&gt;, de Chico Buarque e Tom Jobim ou &lt;i&gt;Odeio você&lt;/i&gt;, também de Caetano, os pronomes podem representar qualquer um de nós. Outras vezes, a canção faz uso de pronome possessivo, que também permite apropriação, o que faz com que &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WBNSQtUKHVg" target="_blank"&gt;As minhas meninas&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Chico, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XWigFgxMocE" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Sua estupidez&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de Roberto ou &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xsr7FzQOMEM&amp;amp;feature=fvsr" target="_blank"&gt;Nosso estranho amor&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Caetano, possam ser de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, também, homenagens implícitas, de destinatário definido, mas que, por também não citarem nomes, adquirem o mesmo caráter genérico das anteriores. É assim &lt;i&gt;Fera ferida&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;&lt;a href="http://videolog.uol.com.br/video.php?id=384082" target="_blank"&gt;Do fundo do meu coração&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, que Roberto compôs quando estava em processo de separação num casamento. Também no ramo da separação, Gilberto Gil compôs, para a ex-esposa Sandra, uma das mais belas declarações de amor findo, &lt;i&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/10129671" target="_blank"&gt;Drão&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;O amor da gente é como um grão, uma semente de ilusão, tem que morrer pra germinar&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ator River Phoenix, que este ano completaria 40 anos, Milton Nascimento dedicou uma também bela &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SUGyvzUNyKE" target="_blank"&gt;canção&lt;/a&gt; cujo título era o próprio nome do homenageado, o qual morreu pouco depois, aos 23 anos (&lt;i&gt;Como teu nome diferente / Uma paisagem nos induz / Uma paisagem de inocência / Mas que se sabe e que conduz. / Conduz agora este momento / O pensamento e os olhos meus / brilhando de emoção e grato / alguém que só te conheceu num filme que viu tantas vezes / Este poema aconteceu&lt;/i&gt;). Fernando Brandt, Márcio e Lô Borges, companheiros de Milton no Clube da Esquina, fizeram, para Lennon e McCartney, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pVqOtQtTjWU&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Para Lennon e McCartney&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nando Reis compôs &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1Ic2-ZbNlnQ&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;All Star&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, para Cássia Eller, que também a gravou (&lt;i&gt;Estranho é gostar tanto do seu all star azul / Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras / Satisfeito sorri / Quando chego ali / E entro no elevador / Aperto o 12 que é o seu andar / Não vejo a hora de te reencontrar / E continuar aquela conversa / Que não terminamos ontem / Ficou pra hoje&lt;/i&gt;). Temos, também, referências e citações múltiplas, como a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8E9H-QBla5s" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Festa de arromba&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; de Roberto e Erasmo, que reverencia a turma da &lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt; ou a homenagem de Chico, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=jCVZpxRqG8w" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Para todos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, dedicada a seus colegas músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na categoria a finados, lembro de outro trabalho afinado: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ogDBDEIKKdc" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Um ser de luz&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, composta por Paulo César Pinheiro (com João Nogueira e Mauro Duarte), após perder a esposa Clara Nunes (&lt;i&gt;E ela se foi pra cantar / Para além do luar / Onde moram as estrelas / E a gente fica a lembrar / Vendo o céu clarear / Na esperança de vê-la, sabiá / Sabiá / Que falta faz tua alegria / Sem você / meu canto agora é só melancolia&lt;/i&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos compositores da MPB, Caetano é um dos mais atuantes nessa bela arte de prestar homenagem por meio de canções. Em sua lista, constam &lt;i&gt;Rapte-me camaleoa&lt;/i&gt;, para Regina Casé; &lt;i&gt;Leãozinho&lt;/i&gt;, para Dadi, ex-integrante dos grupos &lt;i&gt;Novos Baianos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;A Cor do Som&lt;/i&gt; (o músico também foi uma espécie de quarto tribalista e é pai de André Carvalho, compositor de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Gd3nijAdEP8" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Tudo diferente&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, sucesso na voz de Maria Gadú); &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=z3YGU801gik" target="_blank"&gt;Escândalo&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, para Ângela Rô Rô, linda e sensível homenagem da qual quem acompanhou a forma como a mídia tratava os “escândalos” da cantora, décadas atrás, entende cada palavra (&lt;i&gt;Rompe a manhã da luz em fúria a arder / Dou gargalhada, dou dentada na maça da luxúria pra quê? / Se ninguém tem dó, ninguém entende nada / O grande escândalo sou eu, aqui, só&lt;/i&gt;). E mais: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5tQ0dbP1DI4" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Tigresa&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Z9yJoPtc5zE" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Trem das cores&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, para a atriz Sônia Braga, esta última uma encantadora descrição de viagem, em que nós, ouvintes, seguimos junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum perpetuarmos certos erros de escuta de canções e alguns deles, quando cometidos por grande número de pessoas, tornam-se até clássicos, como a famosa troca compulsiva de biquíni, em  &lt;i&gt;&lt;a href="http://mais.uol.com.br/view/92db81ral8qx/claudio-zoli--noite-do-prazer-04023172D4894366?types=A&amp;amp;" target="_blank"&gt;Noite do prazer&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Cláudio Zoli, em que, em vez de &lt;i&gt;“tocando B. B. King sem parar”&lt;/i&gt;, muitos cantavam &lt;i&gt;“trocando de biquíni sem parar”&lt;/i&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esse respeito, cabe observação curiosa sobre &lt;i&gt;Tigresa&lt;/i&gt;. Depois de quase três décadas escutando-a, notei, alertado por um amigo, parte engraçada da letra, para a qual, até então, não tinha atinado, que nem Gabriela, quando veio pra esse mundo: &lt;i&gt;“as garras da felina me marcaram o coração, mas as besteiras de menina que ela disse, não”&lt;/i&gt;. Faltava, na minha escuta, a percepção da vírgula antes do não (determinada, eu acho, pela elipse sintática presente na oração) e, por isso, eu entendia a mensagem como se ela, a tigresa ou felina, dissesse não às besteiras de menina e não que era ela quem dizia as besteiras, as quais, por sua vez, não marcavam o coração do leão. Meu entendimento, porém, soava meio sem sentido, até porque, se fosse esse o caso, a frase estaria mal construída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicar a alguém o fruto do nosso trabalho é algo de uma generosidade e delicadeza ímpar que, no caso particular da música, ou da arte em geral, ainda tem o mérito do compartilhamento com o público e, muitas vezes, pode ficar para a posteridade. &lt;i&gt;Dedicado a você&lt;/i&gt;* é nome de uma música de Dominguinhos e Nando Cordel, mais uma da dupla que nos legou várias belas canções. O pronome ‘você’, do título, expande o universo alvo da letra da música ao infinito – ou a todas as pessoas -, mas, ao mesmo tempo, restringe-o ao particular – ao pessoal, como o próprio pronome: simplesmente dedicado a você. Seja você quem for, seja o que Deus quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;*Dedicado a você (Dominguinhos/Nando Cordel)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vem, se eu tiver você no meu prazer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se eu pudesse ficar com você&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Todo o momento, em qualquer lugar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ah! Se no desejo você fosse o amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Durante o frio fosse o calor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Na minha lua, você fosse o mar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vem, meu coração se enfeitou de céu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Se embebedou na luz do teu olhar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Queria tanto ter você aqui&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ah! Se teu amor fosse igual ao meu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Minha paixão ia brilhar e eu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Completamente ia ser feliz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="40" src="http://www.4shared.com/embed/134095448/ee2ee00a" width="420"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5174207301171234160?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5174207301171234160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5174207301171234160' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5174207301171234160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5174207301171234160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/10/dedicado-voce.html' title='Dedicado a você'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-6630677902240560521</id><published>2010-10-17T01:35:00.004-03:00</published><updated>2010-10-17T02:00:44.525-03:00</updated><title type='text'>Uma vida que terminou aos 40</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;“A vida é aquilo que acontece enquanto planejamos o futuro” (John Lennon)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TLp2KGsxQII/AAAAAAAAALg/43jcXhaFBrQ/s320/lennon.jpg" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" width="207" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;No último dia 9 de outubro, John Lennon&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt; teria completado 70 anos. Morreu aos 40, há 30, em 80. Datas redondas. A geração que cresceu nos anos 80, após sua morte, não acompanhou a &lt;i&gt;beatlemania&lt;/i&gt;, mas viveu a comoção provocada por seu assassinato, quando pôde entender melhor seu valor para a música em nosso planeta, devido a um novo momento de grande exposição do cantor na mídia, ocasionada pelo fato. Essa geração, que descobriu o sonho depois que o sonho acabou, percebeu que o mundo era redondo como os óculos de Lennon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte prematura deixa uma sensação desagradável de falta, de algo por fazer ou que não pôde ser concluído. Música interrompida no meio da execução. No caso de Lennon, além de precoce, uma morte estúpida, que expôs, da pior forma, como ocorrera com Luther King e Gandhi, a fragilidade da utopia pacifista que ele pregava em seu trabalho, suas canções. Com o fim dos Beatles no auge do sucesso, as especulações e desejos de uma volta do grupo permaneceram por toda a década de 70 e o tiro disparado contra Lennon foi uma espécie de tiro de misericórdia, também nesse aspecto. O fim do sonho de toda uma geração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano antes, com o sonho ainda possível, o cantor Belchior compôs &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_of5c8qnn08" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Comentário a respeito de John&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, que dizia: &lt;i&gt;“João, o tempo andou mexendo com a gente, sim. John, eu não esqueço, a felicidade é uma arma quente”&lt;/i&gt;. No mesmo ano, o compositor mineiro Tavito, da turma do &lt;i&gt;Clube da Esquina&lt;/i&gt;, que recebeu nítida influência dos Beatles, cantava, em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7asr3Q3LCUU" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Rua Ramalhete&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Tavito / Ney Azambuja), sobre os rapazes de Liverpool: &lt;i&gt;“Será que algum dia eles vem aí, cantar as canções que a gente quer ouvir?”&lt;/i&gt;. A resposta sombria não tardou a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, homenagens a Lennon sucederam-se, algumas em forma de música. Em 1981, a cantora Simone gravou, no disco &lt;i&gt;Amar&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Naquela noite com Yoko&lt;/i&gt; (Sueli Costa / Abel Silva). Na letra, o compositor falava do impacto emocional que lhe provocara a morte de Lennon, cuja falta era comparada a um pedaço de sua vida que se ia: &lt;i&gt;“E a cada passo eu chorava, e a cada passo sentia que, de minhas veias, um pouco mais de vida escorria”&lt;/i&gt;. A citação explícita a Yoko, longe de apenas servir pra rimar com louco, parecia mais uma tentativa de unir-se, na dor, àquela que sempre fora olhada de viés pelos fãs dos Beatles (o mesmo olhar que, reza a lenda, Paul McCartney lhe dirigia, ao cantar o refrão: &lt;i&gt;“get back to where you once belonged”&lt;/i&gt; - volte pro lugar de onde veio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma época, os outros ex-beatles gravaram, juntos, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=85Smw33PKJA" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;All those year ago&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de George Harrison, mais um tributo a John Lennon. Duas outras homenagens partiram do cantor britânico Elton John. Com o parceiro Bernie Taupin, Elton compôs, pouco depois da morte de Lennon, &lt;i&gt;Empty garden&lt;/i&gt;, em que compara a vida na ausência do amigo com um jardim vazio: &lt;i&gt;“a gardener like that one, no one can replace”&lt;/i&gt;** - um jardineiro assim, ninguém pode substituir (seu grito, &lt;i&gt;"hey, hey, Johnny"&lt;/i&gt;, é de cortar o coração). Sozinho, Elton compôs, também, para Lennon, a música instrumental &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=F6q0kMx9xMA" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;The man who never died&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de um nome em comum, uma grande amizade unia Elton John e John Lennon. A última aparição de Lennon em palco foi em 1974, num &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SoupFtYQj8s&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;show&lt;/a&gt; do amigo, com quem cantou algumas músicas, entre elas &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2zWSJQvFTg4" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Lucy in the sky with diamonds&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, clássico dos Beatles. Curioso lembrar que o título dessa canção surgiu de um desenho escolar de Julian Lennon, filho de John, para a colega Lucy, sendo as iniciais LSD uma mera e feliz coincidência, segundo relato de Paul McCartney, citado em &lt;i&gt;Many years from now&lt;/i&gt;, sua biografia autorizada, escrita pelo amigo Barry Milles (a canção também foi sucesso na voz de Elton, assim como &lt;i&gt;One day at a time&lt;/i&gt;, da carreira solo de Lennon***).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos 60 foram, de fato, revolucionários, inovadores e, se tivessem ocorrido hoje, cinco décadas depois, ainda o seriam. Paul McCartney afirmou, em 1994, também em depoimento a &lt;i&gt;Many years from now&lt;/i&gt;: &lt;i&gt;“... Não dá mesmo para acreditar que já faz trinta anos desde a década de 60. … Sinto que os anos 60 estão para chegar. Que estamos numa espécie de dobra temporal e que eles ainda estão para acontecer. … Eles me parecem um período mais no futuro que no passado”&lt;/i&gt;. Claro que essa década foi fruto do que veio antes, como a arte vanguardista do pós-guerra, da qual, por sinal, Yoko Ono fez parte, o que, de certa forma, fecha um ciclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro &lt;i&gt;John Lennon – A vida&lt;/i&gt;, de Philip Norman, mostra o biografado como uma personalidade conflituosa, &lt;i&gt;“violenta e carinhosa, perspicaz e ingênua, marcada em igual medida pela genialidade e pela extrema insegurança”&lt;/i&gt;, conforme texto de contra-capa da publicação. O cantor, que cresceu afastado dos pais, criado por uma tia, desde os seis anos, perdeu a mãe aos dezessete, no momento em que se reaproximava dela. A ausência deles em sua vida é retratada na autobiográfica canção  &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=gmhRm_92L_8" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Mother&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de sua carreira solo (&lt;i&gt;Mother, you had me / But I never had you / I wanted you / But you didn't want me / ... / Father, you left me / But I never left you / I needed you / But you didn't need me / So I just got to tell you / Goodbye&lt;/i&gt;).&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim do grupo, atribuído, no calor do momento, à influência de Yoko Ono sobre o marido, parece ter tido, na verdade, o mesmo motivo do fim de qualquer banda: a necessidade dos integrantes de mais espaço pra suas ideias. Olhando por esse aspecto, os Beatles, maior fenômeno da música pop mundial, que descobriu a receita do sucesso, seja com canções e arranjos sublimes, seja com músicas comerciais e de letras fáceis, contando com músicos e compositores de qualidade, dois deles disputando a liderança do grupo, até que duraram bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Veja &lt;a href="http://www.guba.com/watch/3000118819/John-Lennon-Documentary" target="_blank"&gt;trecho de documentário sobre Lennon&lt;/a&gt;, em inglês (16’)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;** Elton John - Empty Garden&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="400"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dZzXEFDznoA?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/dZzXEFDznoA?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="400" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-size: 12px;"&gt;***&lt;a href="http://www.metacafe.com/watch/977957/john_lennon_watching_the_wheels/" target="_blank"&gt;John Lennon - Watching The Wheels&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="background: none repeat scroll 0% 0% rgb(0, 0, 0); height: 272px; width: 400px;"&gt;&lt;embed allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" flashvars="playerVars=showStats=no|autoPlay=no|videoTitle=John Lennon - Watching The Wheels" height="272" name="Metacafe_977957" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" src="http://www.metacafe.com/fplayer/977957/john_lennon_watching_the_wheels.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="400" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-6630677902240560521?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/6630677902240560521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=6630677902240560521' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6630677902240560521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6630677902240560521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/10/uma-vida-que-terminou-aos-40.html' title='Uma vida que terminou aos 40'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TLp2KGsxQII/AAAAAAAAALg/43jcXhaFBrQ/s72-c/lennon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-7032649792720761525</id><published>2010-10-05T00:04:00.037-03:00</published><updated>2010-10-05T00:25:18.113-03:00</updated><title type='text'>Flor do nordeste</title><content type='html'>Após a efervescência dos anos 60, período de tantos movimentos culturais de renovação, a década seguinte representou a colhida dos frutos, a consolidação e o auge da MPB, bem representada por nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da bonança, vem a tempestade e, com esses nomes já consolidados, era hora de buscar movimentos rumo a outras direções, deixar-se levar por outros ventos. De posse de régua e compasso baianos (aquele abraço), que definiram um novo eixo musical para a MPB - ou ampliaram-no para além do Rio-São Paulo -, foi só seguir a reta ou reforçar a que, mais atrás, fora traçada por Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, para o baião e o forró. Foi assim que, misturando todos esses estilos, uma nova leva de retirantes invadiu o sudeste, entre eles &lt;a href="http://www.elbaramalho.com.br/" target="_blank"&gt;Elba Ramalho&lt;/a&gt;, que se tornou uma espécie de musa nordestina da geração pós-festivais, no final dos anos 70*. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Pernambuco, fizeram parte dessa turma Alceu Valença e Geraldo Azevedo, reforçando uma tendência de pouca presença feminina na música do estado (e não só nela, na política, por exemplo, também). Sempre que a música pernambucana despontou nacionalmente, os nomes de destaque foram, com raras exceções, do sexo masculino, seja na MPB de Lenine, seja na época áurea do frevo (Antônio Maria, Nelson Ferreira, Capiba), do forró (Luiz Gonzaga, Dominguinhos) ou do &lt;i&gt;manguebeat&lt;/i&gt; (Chico Science, Fred Zero Quatro, Otto). A paraibana Elba Ramalho, por sua relação bem próxima com Pernambuco, cobriu um pouco essa lacuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TKqVdCgl0QI/AAAAAAAAALc/vEG4W4W__1U/s1600/elba-marco-zero.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="177" src="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TKqVdCgl0QI/AAAAAAAAALc/vEG4W4W__1U/s200/elba-marco-zero.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Também por essa afinidade recíproca, o aniversário de 473 anos do Recife, comemorado no último dia 12 de março, teve como principal atração o show de Elba, que celebrou, também, seus trinta anos de carreira. A apresentação foi registrada e resultou em seu trigésimo trabalho, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/musica/resenha/resenha.asp?nitem=15012529&amp;amp;sid=00165179412726736444760567&amp;amp;k5=154F2C8A&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;marco zero - ao vivo&lt;/a&gt;, que acaba de ser lançado pela gravadora &lt;a href="http://www.biscoitofino.com.br/" target="_blank"&gt;Biscoito Fino&lt;/a&gt;, em CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não conhece a capital pernambucana, vale salientar que o título do disco faz referência ao local onde ocorreu o evento. A praça Rio Branco, no bairro do Recife (também conhecido como Recife Antigo), centro histórico do município, ficou conhecida pelo nome de praça do Marco Zero, a partir de 2000, quando, por ocasião das comemorações da virada do milênio, foi reformada e ampliada (sob certo protesto, por ter derrubado algumas árvores), transformando-se, a partir de então, no principal palco de apresentações ao ar livre local, sobretudo durante o carnaval. O nome é referência ao fato de ali ter surgido a cidade e dali serem medidas todas as distâncias aos demais pontos do município e do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discos comemorativos de datas especiais, por terem uma certa obrigação de serem representativos de um período – e é difícil que seja diferente -, tornam-se uma espécie de mais do mesmo e mesmo de mais. Em &lt;i&gt;marco zero - ao vivo&lt;/i&gt;, Elba repetiu essa fórmula, mas procurou equacioná-la com outras variáveis. Contou com participações especiais (Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Lenine, Alcione, Chico César e André Rio) e, de alguns compositores constantes em sua carreira, escolheu canções que ainda não faziam parte de seu repertório, como &lt;i&gt;Anunciação&lt;/i&gt;, de Alceu Valença, que abre o show e o disco***.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do mais do mesmo, Zé Ramalho, por exemplo, não poderia ficar de fora. Dele, foram quatro canções: &lt;i&gt;Banquete de Signos, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=H1kHqRxL3z8" target="_blank"&gt;Chão de Giz&lt;/a&gt;, Admirável Gado Novo&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Frevo Mulher&lt;/i&gt;, sendo as duas últimas inéditas no repertório de Elba. Geraldo Azevedo e Nando Cordel contribuíram com duas, o primeiro com &lt;i&gt;Canta coração&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Chorando e cantando&lt;/i&gt;, o segundo com &lt;i&gt;É só você querer&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;De volta pro aconchego&lt;/i&gt;** – uma das canções mais bonitas e representativas da carreira de Elba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque marcou presença com &lt;i&gt;O meu amor&lt;/i&gt;, outra canção importantíssima do repertório da cantora (&lt;i&gt;da Ópera do Malandro&lt;/i&gt;), que abriu as portas para o seu reconhecimento nacional (ao lado de sua atuação na peça &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BB1TIbrlC6Q&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Morte e Vida Severina&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;) e &lt;i&gt;Morena de Angola&lt;/i&gt;, mais conhecida na voz de Clara Nunes. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pGKXPgW5JA4" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Não sonho mais&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, também de Chico e, essa sim, a cara de Elba, ficou de fora e fez falta. Completando o disco, &lt;i&gt;Pavão Mysterioso&lt;/i&gt; (Ednardo), &lt;i&gt;Chuva de sombrinhas&lt;/i&gt; (André Rio / Nena Queiroga), frevo pouco conhecido nacionalmente, mas sucesso no carnaval pernambucano e &lt;i&gt;Queixa&lt;/i&gt; (Caetano Veloso), de cujo autor ela recebeu o apelido de &lt;i&gt;Flor da Paraíba&lt;/i&gt;, que virou título de um de seus discos (1998).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lenine, outro parceiro constante, sugeriu participar não com uma canção de sua autoria, mas na interpretação de &lt;i&gt;Queixa&lt;/i&gt;, num dueto com Elba. Outra curiosidade do disco, dentro da porção diferente do mesmo, foi a presença de um único forró, resgate do disco anterior, &lt;i&gt;Balaio de amor&lt;/i&gt; (2009): &lt;i&gt;É só você querer&lt;/i&gt;, certamente não o mais importante ou representativo da carreira da cantora. Logo ela, que levou o popular ritmo de volta às FM’s, com qualidade, por meio de inúmeros sucessos, desde &lt;i&gt;Não sonho mais&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Bodocongó&lt;/i&gt;, do primeiro disco, &lt;i&gt;Ave de prata&lt;/i&gt; (1979), cuja canção-título, por sinal, não é um forró, mas também merecia ter entrado no novo disco, dentro do quinhão que coube a Zé Ramalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Leia também: &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2007/05/nao-nordestina-parte-i.html" target="_blank"&gt;Nação nordestina – Parte I&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2007/05/nao-nordestina-parte-ii.html" target="_blank"&gt;Nação nordestina – Parte II&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;** &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=785dEW_5JD4&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;De volta pro aconchego&lt;/a&gt; (Dominguinhos / Nando Cordel)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;Estou de volta pro meu aconchego&lt;br /&gt;Trazendo na mala bastante saudade&lt;br /&gt;Querendo um sorriso sincero um abraço&lt;br /&gt;Para aliviar meu cansaço&lt;br /&gt;E toda essa minha vontade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bom poder estar contigo de novo&lt;br /&gt;Roçando teu corpo e beijando você&lt;br /&gt;Pra mim tu és a estrela mais linda&lt;br /&gt;Teus olhos me prendem fascinam&lt;br /&gt;A paz que eu gosto de ter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É duro ficar sem você vez em quando&lt;br /&gt;Parece que falta um pedaço de mim&lt;br /&gt;Me alegro na hora de regressar&lt;br /&gt;Parece que eu vou mergulhar&lt;br /&gt;Na felicidade sem fim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*** Abertura do show no Marco Zero (12/03/2010)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" width="400"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vz6-kvvd7io?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vz6-kvvd7io?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="400" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-7032649792720761525?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/7032649792720761525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=7032649792720761525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7032649792720761525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7032649792720761525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/10/flor-do-nordeste.html' title='Flor do nordeste'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TKqVdCgl0QI/AAAAAAAAALc/vEG4W4W__1U/s72-c/elba-marco-zero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-7471230459230047961</id><published>2010-09-19T00:58:00.009-03:00</published><updated>2010-10-05T00:30:10.467-03:00</updated><title type='text'>A arte de sentir muito</title><content type='html'>Quando escrevi &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2006/11/mutatis-mutantes.html" target="_blank"&gt;sobre &lt;i&gt;Os Mutantes&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; pela primeira vez, em 2006, ainda não tinha vivido duas experiências marcantes relacionadas ao grupo. A primeira, no ano seguinte, foi tê-los visto no &lt;i&gt;Abril pro Rock&lt;/i&gt;, Recife, num dos shows de sua turnê de retorno, com Zélia Duncan no lugar de Rita Lee. A segunda foi assistir ao documentário &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=aXpHTFFVcWuRpR1paTXM&amp;amp;loki-trailer" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Loki - Arnaldo Baptista&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (Brasil, 2008, direção, roteiro e edição de Paulo Henrique Fontenelle, &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/videos/resenha/resenha.asp?nitem=2941703&amp;amp;sid=20014254412810465347881874&amp;amp;k5=1C80A261&amp;amp;uid=" target="_blank"&gt;disponível em DVD&lt;/a&gt;), exibido no festival de cinema que fez parte da &lt;i&gt;Mostra Internacional de Música em Olinda&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Mimo&lt;/i&gt;), edição 2010, um ano após o lançamento do filme em circuito nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de dar nome ao documentário, &lt;i&gt;Loki&lt;/i&gt; (que, imagino, &lt;a href="http://www.arnaldobaptista.com.br/" target="_blank"&gt;Arnaldo Baptista&lt;/a&gt; relaciona a “louco” e, segundo a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Loki" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Wikipedia&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, é um deus da mitologia nórdica, visto ora como bom, ora como mau) é título do &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=UTlKcHZJcWuRpejRlZTA&amp;amp;arnaldo-baptista-ser-que-eu-vou-virar-bolor" target="_blank"&gt;primeiro trabalho do músico&lt;/a&gt; (1974) após sua saída dos &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=cWwtVk1rcWuRpNzF5eTg&amp;amp;os-mutantes-panis-et-circenses-1969" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, considerado por especialistas um dos melhores da nossa música (a diferença é que, no disco, o nome tem uma interrogação ao final: &lt;i&gt;Loki?&lt;/i&gt;). O disco é emblemático e representa a passagem de sua fase mutante - com Rita Lee e Sérgio Dias -, para o início de sua atuação solo (do tom Lee-Sérgico para o lisérgico, mais ácido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ausência de Rita Lee, personagem importante na história do protagonista do filme, é sentida (em duplo sentido), mas só reforça sua presença na vida do músico. Um relacionamento forte que, como tal, deixou marcas. Num dos depoimentos impactantes do documentário, em que se refere à cantora, Arnaldo o faz aparentemente sem mágoa e com carinho. Diz que ela o colocou no hospício, mas observa: em parte com razão. A cantora, por sua vez, já afirmou, em &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=SmV0R2szcWuRpTU9waEE&amp;amp;rita-lee-fala-dos-mutantes-conexo-nacional-1986-trecho" target="_blank"&gt;entrevista à televisão&lt;/a&gt;, que o casamento entre eles foi uma brincadeira de amigos. Outro ponto interessante é que vários depoentes dizem que a cantora abandonou o grupo, enquanto ela sempre declarou ter sido expulsa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não tenha dado sua versão dos fatos neste filme, Rita cedeu todos os direitos de sua imagem ao documentário e, segundo o diretor Fontenelle, foi bastante gentil nesse aspecto: &lt;i&gt;“... mesmo ela não tendo dado um depoimento, ela está presente o tempo todo no filme e de uma maneira bem bonita, dando um aspecto mais lírico ao filme. O filme mostra a Rita Lee da época dos Mutantes e como ela aparece na lembrança do Arnaldo, linda, imaculada.”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois da separação dos &lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt;, Arnaldo tentou suicídio - segundo ele por estar sendo mal entendido -, jogando-se do terceiro andar de uma clínica, onde estava internado por problemas com drogas. Sobre o episódio, ele fala com serenidade e de forma comovente, com uma delicadeza própria de quem possui alma de criança, como o amigo e admirador &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=V0pmRmlqcWuRpb0FlUzQ&amp;amp;sean-lennon-arnaldo-baptista-free-jazz-festival-hq" target="_blank"&gt;Sean Lennon&lt;/a&gt;, filho de John e Yoko, bem o definiu. A visível admiração de Sean, em seu depoimento ao filme, apenas comprova o reconhecimento internacional do talento e da obra do músico brasileiro, perceptível, também, em outras passagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos melhores depoimentos de &lt;i&gt;Loki&lt;/i&gt; é o de Sérgio Dias, que reafirma toda a admiração que tem pelo irmão Arnaldo e faz um pedido público de desculpas, por não o ter entendido como deveria. Segundo Sérgio, a reaproximação deles – como na temporada de shows de retorno dos &lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt;, em 2006 - produziu um efeito que quinze anos de análise não produziriam (uma amiga observou bem que Rita Lee, ao não participar diretamente desses shows e do filme, negou esse bem a si mesma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TJWFCKGEqJI/AAAAAAAAALY/KVhLZ9J5NtY/s1600/quadro-loki.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TJWFCKGEqJI/AAAAAAAAALY/KVhLZ9J5NtY/s320/quadro-loki.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ao longo do documentário, Arnaldo Baptista pinta uma espécie de quadro da sua vida, em que se destacam uma expressão (&lt;i&gt;sinto muito&lt;/i&gt;) e uma imagem feminina. A primeira tanto pode ser uma expressão de pesar como uma afirmação de alguém dizendo-se muito sensível (sentir muito já é, por si só e literalmente, um duplo sentido, um sentir em dobro). A figura feminina, por sua vez, é desenhada com olhos azuis que, ao final, transformam-se em castanhos. A passagem é sutil aos olhos dos espectadores, mas essa imagem é definida, pelo próprio Arnaldo, como sendo a “transmutação do amor” e representa, segundo o diretor do filme, uma fusão das duas paixões do músico: Rita Lee e Lucinha Barbosa, atual esposa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À pergunta título do disco solo de 1974 (&lt;i&gt;Loki?&lt;/i&gt;), o filme de 2008 foi resposta definitiva: &lt;i&gt;Loki&lt;/i&gt;. Não um louco qualquer, mas um mutante (segundo o Aurélio, alguém que apresenta características marcadamente distintas das de seus ascendentes). Um louco com quem me identifiquei, para além do sobrenome comum. Vai ver todo Baptista tem um pouco de &lt;i&gt;loki&lt;/i&gt; dentro de si. Sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;“Arnaldo é responsável por quase tudo que aconteceu de 1967 para frente”&lt;/i&gt; (Rogério Duprat, responsável por apresentar os &lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt; a Gilberto Gil, por ocasião do festival da Record de 1967, quando estes interpretaram, juntos, a segunda colocada, &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=WmJ2M00tcWuRpQWR4QzA&amp;amp;gilberto-gil-e-os-mutantes-domingo-no-parque" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Domingo no parque&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, da qual Duprat foi o arranjador).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Missão e destino, herói de guerra, herói mítico, todo ferido. Não são feridas expostas, muitas vezes. São feridas internas, mas essas feridas são concentração de sabedoria, concentração de conhecimento”&lt;/i&gt; (Tom Zé)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Ele parece que tá no mundo da lua, mas, na verdade, ele deu o jeito dele de ficar feliz”&lt;/i&gt; (Zélia Duncan, que substituiu Rita Lee no &lt;a href="http://www.vidoemo.com/yvideo.php?i=QVRvTmd1cWuRpUGxYSXc&amp;amp;os-mutantes-balada-do-louco-250107-vrs-oficial" target="_blank"&gt;retorno dos &lt;i&gt;Mutantes&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, em 2006).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Faço a maior força possível pra alcançar esse âmbito de comunhão, onde eu falaria x e eles entenderiam x, não y”&lt;/i&gt; (Arnaldo Baptista).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: Clique &lt;a href="http://www.arnaldobaptista.com.br/05%20-%20Balada%20do%20Louco_Barbican.mp3" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; para escutar um trecho de Balada do louco (Arnaldo Baptista / Rita Lee) , ao vivo, no &lt;i&gt;Barbican Theatre&lt;/i&gt;, Londres, 2006 e sinta muito.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Encantamento (Arnaldo Baptista)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ênfase dou ao afeto&lt;br /&gt;Contente com o tente ser feliz&lt;br /&gt;Colecionando selos&lt;br /&gt;Só porque sou louco e gosto&lt;br /&gt;De sê-lo assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma gêmea siamesa&lt;br /&gt;Que uma das duas cabeças&lt;br /&gt;É careta, a outra...&lt;br /&gt;Gosto não se discute&lt;br /&gt;Psicodeliciosamente&lt;br /&gt;Curto o encantamento&lt;br /&gt;Simbiótico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="392" width="400"&gt;&lt;param value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" name="movie" /&gt;&lt;param value="high" name="quality" /&gt;&lt;param value="midiaId=1038103&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" name="FlashVars" /&gt;&lt;embed width="400" height="392" flashvars="midiaId=1038103&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-7471230459230047961?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/7471230459230047961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=7471230459230047961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7471230459230047961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7471230459230047961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/09/arte-de-sentir-muito.html' title='A arte de sentir muito'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TJWFCKGEqJI/AAAAAAAAALY/KVhLZ9J5NtY/s72-c/quadro-loki.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-7890080622316800171</id><published>2010-09-06T10:51:00.000-03:00</published><updated>2010-09-06T10:51:54.719-03:00</updated><title type='text'>Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos – segunda edição</title><content type='html'>&lt;b&gt;(Não se preocupe, isso passa, é só uma frase)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A ordem dos fatores não altera os fatores.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Num cálculo otimista, a matemática do futuro faz um acerto de contas e muda os conceitos: um com um é comum.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Num tiro tiro uma vida. Quem parte é parte de mim. Sou um suicida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vida é amar-te. Amor sem ti é a morte. Estou entre a vida e a morte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estou no outono. Vão pro inverno e vocês me verão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando se diz que alguém não sabe da missa um terço, está se falando de fração (1/3) ou do terço com que se reza?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se temos afeição, admiramos a feição e tudo é perfeição.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem com ferro fere, confere que está ferrado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que eu digo se escreve. Por isso digo pouco. … … E escrevo tanto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com o travo travo uma luta. Não cedo tão cedo. Luto contra o luto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Penso, logo torto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para escrever certo em inglês, erre (R). Certo e errado não são conceitos universais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sanduíche de afeto: big smac, all face, too much.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A transposição do São Francisco é um divisor de águas. Faz jus à doutrina franciscana de que é dando que se recebe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A lenta telefonia banda larga do Brasil vende gateway por lebre.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Carta do São Paulo ao Corinthians: Santos, Santos, Santos! O céu e a terra proclamam a vossa glória!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vaticano tem papas na língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eyjafjallajokull. O vulcão islandês spelle letras, lavas e lá vai fumaça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Lógica capitalista internacional: só os ricos podem enriquecer urânio.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com celulari fora de área, raia procura um fixo para novas ligações.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“reSPirar tá difícil.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-7890080622316800171?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/7890080622316800171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=7890080622316800171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7890080622316800171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7890080622316800171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/09/oracoes-descoordenadas-e-insubordinadas.html' title='Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos – segunda edição'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5845720699438128815</id><published>2010-08-20T17:49:00.000-03:00</published><updated>2010-08-20T17:49:00.001-03:00</updated><title type='text'>Era um, era dois, era cem</title><content type='html'>&lt;b&gt;(Era dos festivais)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TG7pFZgQ-qI/AAAAAAAAALM/_u25ujcU9Gk/s1600/67.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TG7pFZgQ-qI/AAAAAAAAALM/_u25ujcU9Gk/s320/67.jpg" width="288" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;As imagens dos festivais do final dos anos 60 foram, ao longo das décadas seguintes, bastante exibidas, sobretudo na televisão, a ponto de muitas delas nos parecerem bem familiares. As cenas mais marcantes, porém, eram, em geral, fragmentadas e misturavam várias edições de festivais, entre os das tv’s Record e Globo, principalmente. No cinema, lembro de duas boas produções recentes que abordaram o assunto de alguma forma: &lt;i&gt;&lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2006/09/um-jornal-brilhante.html" target="_blank"&gt;O Sol – Caminhando contra o vento&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (2006) e &lt;i&gt;&lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2009/08/poesia-e-musica-relacoes-intimas-de-um.html" target="_blank"&gt;Palavra encantada&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (2008). Agora, chega às telas &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.umanoiteem67.com.br/" target="_blank"&gt;Uma noite em 67&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Renato Terra e Ricardo Calil, diretamente voltado para o tema, mais especificamente para o III Festival de Música Popular Brasileira, da tv Record. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa edição do festival da Record - nossa MTV do passado, com vários programas musicais e cantores contratados -, está entre as mais lembradas de todas. O filme tem como um dos pontos fortes as apresentações na íntegra de algumas das finalistas desse festival, entremeadas por entrevistas da época com os artistas concorrentes, bem como ótimos depoimentos atuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre uma experiência interessante ver artistas hoje consagrados ainda sem a bagagem dos anos vividos, na flor da idade e com ideias à flor do cérebro, prontas para desabrochar. Um Chico Buarque com as conexões cerebrais a todo vapor, exercitando-se para produzir o que viria a ser, mais adiante, um dos maiores tesouros da música popular brasileira; um Roberto Carlos ainda na Jovem Guarda, antes de sua melhor e pior fase; um Caetano Veloso veloz, em pleno movimento e um Gilberto Gil genial, acompanhado de uma Rita Lee linda e mutante, com o coração literalmente à flor da pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa edição inovadora do festival que Gil e Caetano romperam as barreiras do som - acompanhados pelas guitarras elétricas dos Mutantes e dos argentinos Beat Boys -, que Roberto interpretou um samba (&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=h-Y_ZjWpFEQ" target="_blank"&gt;Maria, carnaval e cinzas&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; - 5º lugar) em plena Jovem Guarda e que Chico iniciou seu repertório de canções politicamente engajadas. Num período em que nacionalismo era sinal de protesto contra o regime vigente, Caetano, provocativo, protestou contra o protesto. Não bastasse ter usado guitarras em &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4tzSETbQcJk&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Alegria, alegria&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (4º lugar), que, entre outras, fazia citações à Coca-Cola, ícone do imperialismo dos Estados Unidos, o cantor ainda se fez acompanhar por uma banda argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora os festivais fossem programas organizados por emissoras de televisão e transmitidos por esse meio de comunicação, foi o palco onde aconteciam que constituiu o verdadeiro espaço democrático, em plena ditadura, devido à imensa participação popular. O organizador do festival da Record, Solano Ribeiro, afirma que os primeiros festivais dos anos 60 já haviam instituído a vaia como personagem, fato que se repetiu na ediçao de 67, onde a distinta protagonista foi responsável por algumas das imagens mais marcantes, como a discussão do cantor Sérgio Ricardo com a plateia, que culminou com um violão quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fato curioso é que, para levar esses protagonistas – aplausos e vaias - ao público de casa, Zuza Homem de Mello, engenheiro de som responsável pela transmissão televisiva, colocou um microfone no teto do teatro, como afirma em depoimento ao filme. Ficou claro que o que sempre vi como má qualidade do som na transmissão - por conta das limitações da época -, deveu-se, em boa parte, a esse recurso propositadamente utilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma característica interessante, que talvez seja a cereja do bolo na receita de sucesso deste que pode ser considerado o melhor dos festivais, foi a qualidade dos arranjos das canções vencedoras, as três primeiras delas valendo-se do artifício da crescente empolgação até o desfecho apoteótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No arranjo de Magro (MPB-4) para &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HRFw5u5wR4c&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Roda-Viva&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (3º lugar), a música vai acelerando o andamento, como uma roda girando cada vez mais rápido, até terminar de súbito, impelindo o público ao aplauso caloroso (segundo Chico, os aplausos pareciam estar previstos no arranjo). Artifício semelhante é usado em &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GWPmnVjIC5E&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Ponteio&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;*&lt;/span&gt;, de Edu Lobo (1º lugar), no refrão &lt;i&gt;“quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar”&lt;/i&gt;. Já o arranjo premiado de Rogério Duprat para &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QEXzaNb4FPs&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Domingo no parque&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (2º lugar) usa a alternância de ritmo e andamento, de acordo com a narrativa, refletindo na alternância de sensações, até terminar com um empolgado &lt;i&gt;“êh êh êh êh”&lt;/i&gt;, em coro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo inegável o caráter democrático dos festivais, a ânsia por novos tempos, o acirramento dos ânimos e os protestos por conta da ditadura geraram certas distorções ou exageros, como Chico ter sido vaiado no festival seguinte, por ter vencido, com &lt;i&gt;Sabiá&lt;/i&gt;, em detrimento de &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=A_2Gtz-zAzM" target="_blank"&gt;Pra não dizer que não falei das flores&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Geraldo Vandré. Por outro lado, as músicas de cunho político mais explícito, como a de Vandré, ou mesmo &lt;i&gt;Roda-Viva&lt;/i&gt; de Chico, não foram vencedoras, ainda que &lt;i&gt;Sabiá&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Ponteio&lt;/i&gt; tenham, também, forte mensagem política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto que pode ser observado por meio dos depoimentos dos artistas ao filme é que a exposição exagerada, durante e após os anos de festivais, causou-lhes um certo incômodo, a ponto de vários deles, como Chico (&lt;i&gt;“Não penso muito nessas histórias”&lt;/i&gt;), Caetano (&lt;i&gt;“Queria me livrar de Alegria, alegria, como Chico se livrou de A banda”&lt;/i&gt;) e Edu (&lt;i&gt;“Não tenho uma música só”&lt;/i&gt;), passarem a impressão de pouco caso em relação àqueles anos. Não se pode negar, porém, a qualidade de um festival que se deu ao luxo de eliminar uma canção como &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hb_MFvke1l4" target="_blank"&gt;Eu e a brisa&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;**&lt;/span&gt; (Johnny Alf), fechando as portas a surpresas do inesperado ou a alguém que a quisesse escutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Ponteio (Edu Lobo/Capinan)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um, era dois, era cem&lt;br /&gt;Era o mundo chegando e ninguém&lt;br /&gt;Que soubesse que eu sou violeiro&lt;br /&gt;Que me desse ou amor ou dinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um, era dois, era cem&lt;br /&gt;Vieram pra me perguntar&lt;br /&gt;Ô, você, de onde vai, de onde vem&lt;br /&gt;Diga logo o que tem pra contar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parado no meio do mundo&lt;br /&gt;Senti chegar meu momento&lt;br /&gt;Olhei pro mundo e nem via&lt;br /&gt;Nem sombra, nem sol, nem vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera agora&lt;br /&gt;Eu tivesse a viola pra cantar&lt;br /&gt;Quem me dera agora&lt;br /&gt;Eu tivesse a viola pra cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um dia, era claro, quase meio&lt;br /&gt;Era um canto calado, sem ponteio&lt;br /&gt;Violência, viola, violeiro&lt;br /&gt;Era morte em redor, mundo inteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um dia, era claro, quase meio&lt;br /&gt;Tinha um que jurou me quebrar&lt;br /&gt;Mas não lembro de dor nem receio&lt;br /&gt;Só sabia das ondas do mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogaram a viola no mundo&lt;br /&gt;Mas fui lá no fundo buscar&lt;br /&gt;Se eu tomo a viola ponteio&lt;br /&gt;Meu canto não posso parar, não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um, era dois, era cem&lt;br /&gt;Era um dia, era claro, quase meio&lt;br /&gt;Encerrar meu cantar já convém&lt;br /&gt;Prometendo um novo ponteio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia que sei por inteiro&lt;br /&gt;Eu espero, não vá demorar&lt;br /&gt;Este dia estou certo que vem&lt;br /&gt;Digo logo o que vim pra buscar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correndo no meio do mundo&lt;br /&gt;Não deixo a viola de lado&lt;br /&gt;Vou ver o tempo mudado&lt;br /&gt;E um novo lugar pra cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;** Eu e a brisa (Johnny Alf)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! se a juventude que esta brisa canta&lt;br /&gt;Ficasse aqui comigo mais um pouco&lt;br /&gt;Eu poderia esquecer a dor&lt;br /&gt;De ser tão só pra ser um sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai então quem sabe alguém chegasse&lt;br /&gt;Buscando um sonho em forma de desejo&lt;br /&gt;Felicidade então pra nós seria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois que a tarde nos trouxesse a lua&lt;br /&gt;Se o amor chegasse eu não resistiria&lt;br /&gt;E a madrugada acalentaria a nossa paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica, oh brisa, fica pois talvez quem sabe&lt;br /&gt;O inesperado faça uma surpresa&lt;br /&gt;E traga alguém que queira te escutar&lt;br /&gt;E junto a mim queira ficar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5845720699438128815?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5845720699438128815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5845720699438128815' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5845720699438128815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5845720699438128815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/08/era-um-era-dois-era-cem.html' title='Era um, era dois, era cem'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TG7pFZgQ-qI/AAAAAAAAALM/_u25ujcU9Gk/s72-c/67.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5625362677413900439</id><published>2010-08-06T16:28:00.002-03:00</published><updated>2010-08-06T16:36:09.990-03:00</updated><title type='text'>Tradução mais que completa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TFxiRkVI1aI/AAAAAAAAALI/pdmW2JujVTA/s1600/adoniran.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TFxiRkVI1aI/AAAAAAAAALI/pdmW2JujVTA/s200/adoniran.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A cidade de São Paulo, característica comum às metrópoles, é formada por várias tribos que pouco ou nada se misturam, buscam cada qual seus espaços e traduzem o lugar de várias maneiras, em diferentes dialetos. A música vinda de lá reflete essa característica, a de ter várias características (e ao mesmo tempo nenhuma, como ser regional ou folclórica, a despeito da legítima música caipira ou&amp;nbsp; sertaneja, vinda do interior do estado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dessas traduções paulistanas – a mais completa, segundo Caetano Veloso - é a de Rita Lee, cantora que, por sua irreverência inteligente, sempre foi interessante de se escutar - cantando, mas sobretudo falando. Abrindo um parêntese para ilustrar essa irreverência, lembro de duas frases que já escutei ou li em entrevistas dela. Uma em que afirmava querer morrer no palco, o que, segundo ela, seria ótimo para o currículo e outra em que dizia não acreditar em avião: &lt;i&gt;“Acredito em disco-voador, em avião, não”&lt;/i&gt;. Além disso, Rita foi transgressora desde o início da carreira, com os Mutantes, com quem formou a banda paulista do tropicalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vanguarda paulistana foi outra tradução interessante, seja pelo experimentalismo do músico Arrigo Barnabé (paranaense da turma paulista), pelas músicas faladas do grupo Rumo, de letras simplesmente inteligentes, pela irreverência do grupo Língua de Trapo ou pela marginalidade - no ótimo sentido - de Itamar Assumpção. Por terem perfil alternativo e independente, porém, não chegavam à grande massa. E para ser a mais completa, a tradução teria que unir todas essas qualidades: irreverência, inteligência, popularidade, transgressão, simplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cantor francês Manu Chao – e ele não é o único - costuma dizer que quando quer conhecer bem uma cidade, costuma ir à rodoviária local. Segundo ele, é lá que se conhece, de verdade, o povo de um lugar, aquele que constitui sua melhor expressão e que não se encontra nos livros de história. E é nesse aspecto, da proximidade com seu povo, da simplicidade, sem perder a citada irreverência inteligente e transgressora, que o compositor Adoniran Barbosa – que faria cem anos hoje, 6 de agosto de 2010 - pode ser considerado a tradução mais completa das terras paulistanas. Um zumbi a despertar o samba de seu túmulo, novo quilombo de Zumbi, mais uma vez lembrando Caetano. Sampa, aliás, é outra completa tradução paulistana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hábito de contar histórias e falar sobre sua terra do ponto de vista de suas camadas populares, valendo-se de um linguajar de rica simplicidade, Adoniran Barbosa está para São Paulo como Noel Rosa pra o Rio de Janeiro, Dorival Caymmi para a Bahia e Luiz Gonzaga para Pernambuco. Entre as histórias que eles contam e criam, não sabemos bem o que é verdade ou lenda - e fazemos questão de não saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses episódios que envolvem Adoniran diz que ele trabalhou como vendedor numa loja da rua 25 de março, na capital paulista e foi demitido por atender os clientes fazendo batucada no balcão. Outro caso diz que, após muitos anos trabalhando na rádio Record, o compositor paulista resolveu pedir aumento. O responsável pela gravadora disse-lhe que iria estudar o caso e que ele voltasse depois. Quando voltou, ao obter a resposta de que o caso ainda estava em estudo, saiu-se com esta: &lt;i&gt;“Tá certo, o senhor continue estudando e quando chegar a época da sua formatura me avise”&lt;/i&gt;. O que menos importa é a veracidade, nesses casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoniran teve como maiores intérpretes de suas canções a cantora &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ea5nMXIRxQM&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Elis Regina&lt;/a&gt; e o conjunto &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XoUtxWU8lW8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Demônios da Garoa&lt;/a&gt;, que registraram belas gravações de suas músicas mais conhecidas, &lt;i&gt;Saudosa maloca&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Trem das onze&lt;/i&gt; (essa última recebeu, também, excelente versão de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-R8nPUbml4c&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Gal Costa&lt;/a&gt;). O compositor, que também foi humorista, direcionou a leveza de seu humor para versos como &lt;i&gt;“Nóis se gosta muito mais / Nóis não usa os bleque tais”&lt;/i&gt; e canções como &lt;i&gt;Tiro ao Álvaro&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Samba do Arnesto&lt;/i&gt; ou mesmo a tragicômica &lt;i&gt;Iracema&lt;/i&gt;, em que a protagonista da letra morre atropelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem só de alegria eram feitas as composições do sambista. Com Vinícius de Moraes, ele compôs &lt;i&gt;Bom dia tristeza&lt;/i&gt;, de uma tristeza ímpar e a citada &lt;i&gt;Saudosa maloca&lt;/i&gt;, de versos pungentes como &lt;i&gt;“Que tristeza que nóis sentia / Cada táuba que caía / Doía no coração”&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;. Dia desses, citei, em &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2009/08/poesia-e-musica-relacoes-intimas-de-um.html" target="_blank"&gt;texto&lt;/a&gt;, a poesia da frase &lt;i&gt;“como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar”&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Romaria&lt;/i&gt; - Renato Teixeira). Considero &lt;i&gt;Saudosa maloca&lt;/i&gt; da mesma linha, quer pela simplicidade da linguagem, quer por expressar o mais puro sentimento, assim como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YGk-J8CQZqk" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Cidadão&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (de Lúcio Barbosa, cantada por Zé Geraldo), &lt;i&gt;Súplica cearense&lt;/i&gt; (Gordurinha e Nelinho) e &lt;i&gt;Assum preto&lt;/i&gt; (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) que, nesses aspectos, beiram a perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança de estilo de Adoniran Barbosa em &lt;i&gt;Bom dia tristeza&lt;/i&gt; é algo que me faz lembrar Waldick Soriano, que, taxado de brega, sempre gerou comentários perplexos, por cantar, ao mesmo tempo, a nada sutil &lt;i&gt;Eu não sou cachorro não&lt;/i&gt; e a romântica &lt;i&gt;Tortura de amor&lt;/i&gt;, sucesso, tempos atrás, na voz de Maria Creuza (&lt;i&gt;“Hoje que a noite está calma e que minh'alma esperava por ti, apareceste, afinal, torturando este ser que te adora...”&lt;/i&gt;). Mas tradução completa é assim mesmo: não deixa faltar nada. E joga as cascas pra lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Disco comemorativo (vários intérpretes): &lt;a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3060453/adoniran-100-anos/?ID=42F947637DA08010A262D0962&amp;amp;PAC_ID=30927" target="_blank"&gt;http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3060453/adoniran-100-anos/?ID=42F947637DA08010A262D0962&amp;amp;PAC_ID=30927&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Saudosa Maloca (Adoniran Barbosa)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o sinhô não tá lembrado&lt;br /&gt;Dá licença de contar&lt;br /&gt;Ali onde agora está&lt;br /&gt;Este edifício arto&lt;br /&gt;Era uma casa véia, um palacete assobradado&lt;br /&gt;Foi aqui seu moço&lt;br /&gt;Que eu, Mato Grosso e o Joca&lt;br /&gt;Construímos nossa maloca&lt;br /&gt;Mas um dia&lt;br /&gt;Nóis nem pode se alembrá&lt;br /&gt;Veio os home com as ferramenta&lt;br /&gt;E o dono mandô derrubá&lt;br /&gt;Peguemos todas nossas coisas&lt;br /&gt;E fumos pro meio da rua&lt;br /&gt;Apreciá a demolição&lt;br /&gt;Que tristeza que nóis sentia&lt;br /&gt;Cada táuba que caía&lt;br /&gt;Doía no coração&lt;br /&gt;Matogrosso quis gritar&lt;br /&gt;Mas em cima eu falei&lt;br /&gt;Os home tá com a razão&lt;br /&gt;Nóis arranja outro lugar&lt;br /&gt;Só se conformemo&lt;br /&gt;Quando o Joca falou&lt;br /&gt;Deus dá o frio conforme o cobertor&lt;br /&gt;E hoje nóis pega as paia&lt;br /&gt;Nas grama do jardim&lt;br /&gt;E pra esquecer nóis cantemos assim:&lt;br /&gt;Saudosa maloca, maloca querida&lt;br /&gt;Que dim donde nóis passemo dias feliz de nossas vida&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5625362677413900439?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5625362677413900439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5625362677413900439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5625362677413900439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5625362677413900439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/08/traducao-mais-que-completa.html' title='Tradução mais que completa'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/TFxiRkVI1aI/AAAAAAAAALI/pdmW2JujVTA/s72-c/adoniran.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-6899373084605032706</id><published>2010-07-12T19:53:00.009-03:00</published><updated>2010-07-15T22:43:32.585-03:00</updated><title type='text'>Jabulani</title><content type='html'>Uma estrela maior, dividida entre seus três amores, recebe, neste vídeo, uma homenagem, numa versão da canção Teresinha, de Chico Buarque de Holanda, Alemanha, Espanha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-717d31ca4699af09" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v13.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D717d31ca4699af09%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329962170%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D28AB46387BD223BF46E4552022ADDD14F888FAED.2483477EC1B68C2F0FDD7EF2DDCA73DB04EB5770%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D717d31ca4699af09%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJorGRd_ps90PCV5J41bTW8Bowc0&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v13.nonxt5.googlevideo.com/videoplayback?id%3D717d31ca4699af09%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329962170%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D28AB46387BD223BF46E4552022ADDD14F888FAED.2483477EC1B68C2F0FDD7EF2DDCA73DB04EB5770%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D717d31ca4699af09%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJorGRd_ps90PCV5J41bTW8Bowc0&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Jabulani&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Versão para &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ply6B4O5ZYs" target="_blank"&gt;Teresinha&lt;/a&gt;, de Chico Buarque de Holanda, Alemanha e Espanha)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro me chegou como quem vem de uma conquista&lt;br /&gt;Trouxe um bicho do Borussia e um Podolski dialetista&lt;br /&gt;Me mostrou Schweinsteiger e as vantagens que ele tinha&lt;br /&gt;Me mostrou o senhor Özil, nem esperava que ele vinha&lt;br /&gt;Me encontrou tão desarmada no fim da competição&lt;br /&gt;E na última rodada, assustada, eu disse não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo me chegou como quem chega a assustar&lt;br /&gt;Trouxe um grupo eficiente que botava pra quebrar&lt;br /&gt;Com um bom time no passado, esperou minha acolhida &lt;br /&gt;Vacilou no fim da reta e a final tava perdida&lt;br /&gt;Me encontrou tão desarmada que apanhou na decisão&lt;br /&gt;E na última rodada, assustada, eu disse não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro me chegou com uma certeza danada&lt;br /&gt;Ele não marcou Sjneider, nem por Sjneider perguntou&lt;br /&gt;Assim como em Barcelona, foi metendo onde ele quer&lt;br /&gt;Me ajeitou naquela grama e me tomou pelo pé &lt;br /&gt;Foi chegando o artilheiro e antes que eu dissesse não&lt;br /&gt;Me jogou contra o goleiro, dentro do gol, é campeão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-6899373084605032706?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/6899373084605032706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=6899373084605032706' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6899373084605032706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6899373084605032706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/07/jabulani.html' title='Jabulani'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-8344649657426781445</id><published>2010-07-09T15:11:00.001-03:00</published><updated>2010-07-09T15:13:30.746-03:00</updated><title type='text'>Do carrossel ao bate-bate</title><content type='html'>Futebol é um esporte bretão que, com o tempo, vem se tornando brutão. Um parque de diversões que já teve carrossel e hoje tem bate-bate. Futebol de brutão, como tem demonstrado a maioria dos jogos da copa do mundo da África do Sul e amistosos anteriores, que vitimaram, entre outros, Drogba, Ballack e Beckham. Além de brutão, as primeiras rodadas da primeira fase da competição foram de partidas com poucos gols, pior média da história. Não fossem as vuvuzelas, com seus zumbidos de muriçoca, os jogos estariam de dar sono. Pareciam estar em super câmera lenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfez-se a profecia de &lt;i&gt;Honda&lt;/i&gt;, que dizia: &lt;i&gt;“E nesse dia, então, vai dar na décima nona edição: duas rodas nos pés conduzirão a um bom caminho o Japão”&lt;/i&gt;. A Itália mostrou um futebol que se &lt;i&gt;aspetta con prego&lt;/i&gt; e a limitada Inglaterra confirmou que &lt;i&gt;Gerrard&lt;/i&gt; é humano. Pela Argentina, &lt;i&gt;Messi&lt;/i&gt; ficou na &lt;i&gt;promessi&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Di Maria&lt;/i&gt; vai com as outras, sozinho não fez &lt;i&gt;Verón&lt;/i&gt;. Bastou pegar a Alemanha, pra ficar &lt;i&gt;Higuaín&lt;/i&gt; a &lt;i&gt;Palermo&lt;/i&gt;. Manda quem &lt;i&gt;Podolski&lt;/i&gt;, obedece quem tem &lt;i&gt;Burdisso&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engana-se quem concluir que antipatizo com a Argentina. Não consigo incorporar essa rivalidade que a mídia e, às vezes, o governo de ambos os lados estimulam, fazendo uso, no caso brasileiro, de frases repetidas à exaustão, como: &lt;i&gt;“ganhar é bom, ganhar da Argentina é melhor ainda”&lt;/i&gt;. O futebol imita a vida e essa competição é a mesma que, novamente mídia e governo, estimulam entre Rio e São Paulo, Pernambuco e Bahia, etc., ao longo dos anos e que carece de consistência. Ou seja, entre iguais, a rivalidade; &lt;a href="http://3c1p.blogspot.com/2010/07/sportv-paraguai-e-o-nosso-novo-riquismo.html" target="_blank"&gt;dos “superiores”, o preconceito&lt;/a&gt;. Torci pela Argentina, que jogou bonito e&amp;nbsp; tinha uma equipe unida, que contava com o apoio emocional de um técnico merecedor dos holofotes que costuma atrair, pelo que já fez no futebol (opinião paulêmica, eu sei). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Irlanda, ôps, França, francamente, mostrou a que não veio. Depois de conseguir a vaga para a copa de mão beijada e deixar a Irlanda de mãos abanando, saiu com uma mão na frente e outra atrás. &lt;i&gt;Henry&lt;/i&gt; melhor quem &lt;i&gt;Henry&lt;/i&gt; por último. Aliás, num jogo que se joga com os pés, meter os pés pelas mãos proporcionou alguns dos melhores momentos da competição. O brasileiro Luís Fabiano fez um gol de mão cheia, enquanto o atacante uruguaio Suárez foi até quebrar a barra e pegou a bola com a mão, num dos &lt;a href="http://globoesporte.globo.com/jogo/copa2010/2010-07-02/uruguai-gana.html" target="_blank"&gt;minutos mais empolgantes e inacreditáveis da história das copas&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, seguimos iludidos pela ideia de caminho livre, sonhando ir mais longe e não vislumbramos um acidente de percurso em sentido contrário.&lt;i&gt; Vans&lt;/i&gt; da Holanda aproximando-se da faixa e atropelando brasileiros, que não deram bola pros sinais. Van der Wiel, Van Bronckhorst, Van Bommel, Van Persie, Van Marwijk... Enquanto uns &lt;i&gt;van&lt;/i&gt; e outros voltam, o Brasil nem &lt;i&gt;Van&lt;/i&gt;, nem &lt;i&gt;Schwein&lt;/i&gt;. Em vão, ainda se esperava que os Vans holandeses se rendessem à nossa vã filosofia de jogo. Qual o quê, como diria Chico Buarque (de Hollanda). &lt;i&gt;Robben&lt;/i&gt; ou não, a Holanda é um timão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei dos semifinalistas. Pelo Uruguai, sinto a natural simpatia dos vizinhos e admiro a garra de seu grupo. A Alemanha jogou bem e, com a entrada de Özil, ficou em ponto de &lt;i&gt;Ballack&lt;/i&gt;. Pelo Brasil, também torci, mas não queria ganhar a copa jogando daquele jeito e, eliminado, tratei de eleger a final que mais me agradaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi Espanha x Holanda, por vários motivos. Primeiro, porque desde 62, com o Brasil, havia uma exata alternância de títulos mundiais entre sulamericanos e europeus o que, repetindo 34/38 deles e 58/62 nossos, essa final quebraria (melhor ter parado por aqui, 2014 vem aí). Outros três motivos. Para fugir de mais um título tri-vial Brasil-Alemanha-Itália, pelos cem por cento de aproveitamento dos holandeses e por ser este um confronto que coloca frente a frente meus lados criança de ontem e de hoje, o que explico a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto da atual seleção espanhola, por lembrar, de longe, o Brasil de outrora*, mas sobretudo por ser a preferida das crianças, que conhecem todos seus jogadores. Mas é com a Holanda campeã que eu acertaria as contas com o passado. As duas primeiras copas de que me lembro foram, justamente, aquelas das duas derrotas holandesas na final, ambas para as equipes anfitriãs. Como vivências de infância são marcantes e as duas copas correspondiam a cem por cento do que já tinha visto, passei a achar que toda seleção que jogasse em casa seria a campeã e desenvolvi certa resistência a essa ideia (na próxima passa). Ao mesmo tempo, com a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zheeyBczLlw&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;equipe holandesa, carrossel da minha infância&lt;/a&gt;, criei uma ligação afetiva que, em ocasiões mais recentes, fui levado a reprimir, em nome do amor à pátria que atravessou seu caminho por duas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* O futebol (Chico Buarque) &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas &lt;br /&gt;Para estufar esse filó&lt;br /&gt;Como eu sonhei&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;Se eu fosse o Rei&lt;br /&gt;Para tirar efeito igual&lt;br /&gt;Ao jogador&lt;br /&gt;Qual&lt;br /&gt;Compositor&lt;br /&gt;Para aplicar uma firula exata&lt;br /&gt;Que pintor&lt;br /&gt;Para emplacar em que pinacoteca, nega&lt;br /&gt;Pintura mais fundamental&lt;br /&gt;Que um chute a gol&lt;br /&gt;Com precisão&lt;br /&gt;De flecha e folha seca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parafusar algum joão&lt;br /&gt;Na lateral&lt;br /&gt;Não&lt;br /&gt;Quando é fatal&lt;br /&gt;Para avisar a finta enfim&lt;br /&gt;Quando não é&lt;br /&gt;Sim&lt;br /&gt;No contrapé&lt;br /&gt;Para avançar na vaga geometria&lt;br /&gt;O corredor&lt;br /&gt;Na paralela do impossível, minha nega&lt;br /&gt;No sentimento diagonal&lt;br /&gt;Do homem-gol&lt;br /&gt;Rasgando o chão&lt;br /&gt;E costurando a linha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parábola do homem comum&lt;br /&gt;Roçando o céu&lt;br /&gt;Um&lt;br /&gt;Senhor chapéu&lt;br /&gt;Para delírio das gerais&lt;br /&gt;No coliseu&lt;br /&gt;Mas&lt;br /&gt;Que rei sou eu&lt;br /&gt;Para anular a natural catimba&lt;br /&gt;Do cantor&lt;br /&gt;Paralisando esta canção capenga, nega&lt;br /&gt;Para captar o visual&lt;br /&gt;De um chute a gol&lt;br /&gt;E a emoção&lt;br /&gt;Da idéia quando ginga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Para Mané para Didi para Mané Mané para Didi para Mané para Didi para&lt;br /&gt;Pagão para Pelé e Canhoteiro)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-8344649657426781445?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/8344649657426781445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=8344649657426781445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8344649657426781445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8344649657426781445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/07/do-carrossel-ao-bate-bate.html' title='Do carrossel ao bate-bate'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-6918496304083451909</id><published>2010-06-04T00:52:00.000-03:00</published><updated>2010-06-04T00:52:54.322-03:00</updated><title type='text'>Bicampeões morais</title><content type='html'>O cronista esportivo Armando Nogueira disse, certa vez, sobre a copa de 70: &lt;i&gt;“Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.”.&lt;/i&gt; Suas palavras caberiam bem, também, em relação a outra copa que, para mim e creio que para quem mais não acompanhou nosso terceiro título, foi a melhor de todas: Espanha, 1982. Nas duas edições anteriores, após a conquista do tri, chegamos às semifinais, mas não vencemos, muito menos convencemos. Quem tinha menos de vinte anos à época, nunca tinha visto o Brasil ser campeão e a expectativa só aumentava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez, desde 1970, via-se o Brasil jogar um futebol de encher os olhos, em que os gols eram incríveis obras coletivas, que faziam jus ao termo futebol-arte, repetido à exaustão. Claro que havia problemas, divergências (Jô Soares tinha um personagem em seu programa humorístico que clamava, no orelhão, ao técnico Telê Santana: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8fapLQ43Ecc" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;“Bota ponta, Telê!”&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, pelo fato de a seleção não contar com um ponta-direita) e momentos de mau futebol, como creio que havia, também, no time de 70. Como em toda competição, porém, as imagens que ficaram foram apenas as mais bonitas e marcantes, o que pode dar a impressão, aos que não assistiram aos jogos, de que era assim o tempo todo, o que não é verdade. Era assim quase o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do título moral de 78, quando terminamos a competição invictos, sob o comando do capitão Coutinho, o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zZxvYy5-ekI&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;futebol solto e alegre do time de 82&lt;/a&gt; bateu bem com os ares de liberdade que se aproximavam. A copa da Espanha foi marcante em vários aspectos e logo se formou um clima positivo entre os torcedores, com direito até a músicas de sucesso, o que não ocorria desde o título de 70, com os &lt;i&gt;“noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção”&lt;/i&gt; (em 74 e 78, o &lt;i&gt;“salve a seleção”&lt;/i&gt; teve outra conotação). Uma dessas canções, o samba &lt;i&gt;Povo feliz&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Voa canarinho&lt;/i&gt;) foi gravada por Júnior, um dos craques do time de 82, às vésperas da competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi outra canção que descreveu bem o sentimento da época, de um otimismo comedido, mas crescente. A esperança por um fio, materializada na figura do técnico Telê Santana. A canção citava  o apelido carinhoso recebido por ele, quando ainda jogava, como ponta: &lt;i&gt;Telê, um fio de esperança / De velho, moço e criança / Unindo os corações / E assim de novo do mundo seremos / Seremos os campeões&lt;/i&gt;*. A melodia lembrava uma marchinha ou um frevo, com toques de música espanhola. No ano seguinte, após mais esse fracasso do escrete verde e amarelo, outra canção retratou a frustração de todos os amantes de futebol da nação: &lt;i&gt;“A gente joga bola e não consegue ganhar. Inútil! A gente somos inútil!”&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Inútil&lt;/i&gt;, de Roger Moreira - &lt;i&gt;Ultraje a Rigor&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios de comunicação também contribuíram com sua arte, como a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=sjqTUGpw2-4&amp;amp;NR=1" target="_blank"&gt;vinheta de abertura&lt;/a&gt; das transmissões dos jogos na rede Globo de televisão, uma espécie de previsão do &lt;i&gt;Google Earth&lt;/i&gt;, em que uma vista aérea da Terra ia se aproximando do continente europeu, da Espanha, de Madrid, de um estádio de futebol, até chegar, no centro do gramado, a uma bola. Bem bolado (não resisti, como diria um amigo). Ao fundo, uma música que misturava as melodias de &lt;i&gt;Pra frente Brasil&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Touradas em Madri&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro embate do Brasil nessa copa, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PRvBRuMXfjo" target="_blank"&gt;contra a União Soviética&lt;/a&gt;, foi um exemplo de que havia momentos sem graça, que, nesse jogo, duraram quase todo o primeiro tempo, que terminou com a vitória dos soviéticos por 1 x 0. O goleiro deles, Dasaev, era excelente, o melhor da copa e pegava tudo. Durante o intervalo, de tão calejados por experiências passadas recentes, ficamos com a impressão de que, mais uma vez, não chegaríamos lá. Tanto que nem levamos em conta o fato de que era uma estreia, a tensão era grande e o entrosamento pequeno. No final das contas, ganhamos por 2 x 1, com um pênalti não marcado a favor dos soviéticos, mas um futebol bem mais bonito, a partir do segundo tempo, algo que se repetiria daí pra frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa edição, pela primeira vez, a competição contou com 24 seleções, divididas em seis grupos, dos quais se classificavam duas. Na primeira fase, além da URSS, a seleção brasileira enfrentou a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0Tk3LY6A6Cs&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Escócia (4 x 1)&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2hEdowa6t58" target="_blank"&gt;Nova Zelândia (4 x 0)&lt;/a&gt;. Na segunda fase, as doze seleções restantes foram divididas em grupos de três. Um desses grupos poderia ter determinado os três primeiros colocados do campeonato, se a regra não determinasse a passagem apenas do líder, tampouco o destino os tivesse aproximado antes da hora. Foi nele que caímos e foi nele que caímos: Brasil, Argentina e Itália. A euforia foi grande e a confiança total, porém, após a vitória no primeiro confronto, contra a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=npfusAkl8KY" target="_blank"&gt;Argentina, por 3 x 1&lt;/a&gt;. Afinal de contas (não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo), a &lt;i&gt;squadra azzurra&lt;/i&gt;, adversária seguinte, tinha se classificado com três empates horrorosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não assisti à copa de 50, mas creio que a certeza de uma vitória contra a Itália (ou do empate, resultado que já nos classificava), em 82, era quase tão grande quanto a da conquista do primeiro título, naquela copa. Da mesma forma, a frustração da &lt;a href="http://www.dailymotion.com/video/x2gqwe_italia-3x2-brasilcopa-1982-sarria-2_sport" target="_blank"&gt;derrota no Sarriá&lt;/a&gt;, em Barcelona, foi quase tão grande quanto a do episódio conhecido como Maracanaço, na edição realizada no Brasil. Como a convulsão de Ronaldo em 1998 e a meia de Roberto Carlos em 2006, Toninho Cerezo, injustamente, levou a culpa por não levarmos a copa, graças a um passe lateral, do meio do campo, que caiu nos pés de Paolo Rossi, atacante italiano (dos seis gols dele, que foi artilheiro da copa, metade foi marcada contra o Brasil e a outra metade após esse jogo, na semifinal e final).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o problema foi o mesmo de Hungria e Holanda, também citados como injustiçados, em copas anteriores: jogar bonito, sem pensar apenas em resultados. Perdemos por 3 x 2 e, mais do que o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=UAMMY7wYLvU" target="_blank"&gt;“&lt;i&gt;É tetra! É tetra!”&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de Galvão Bueno, em 94, ecoa nos meus ouvidos, até hoje, o melancólico &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5bES9ifzlK4" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;“Acabou o jogo! Acabou o jogo!”&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de Luciano do Vale, à época locutor da rede Globo (Depois da copa, ele foi afastado da emissora e surgiram comentários de que o motivo teria sido o fato de mostrar-se muito emotivo nas transmissões, o que era, justamente, sua melhor virtude. Nem sabíamos o que viria pela frente...). Fomos bicampeões morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época, também, que os jogadores brasileiros passaram a ser mais cobiçados pelos times europeus, dando início ao fenômeno que ocorre até os dias de hoje. Depois da copa, vários titulares da nossa seleção – que sei de cor até hoje: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior, Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, Serginho e Éder - foram embora, a maioria para a Itália (Falcão era o único “estrangeiro” do grupo e, antes da convocação para a copa, já atuava nesse país, onde recebeu o apelido de &lt;i&gt;rei de Roma&lt;/i&gt;). Se, nos anos seguintes, o campeonato espanhol e, mais adiante, o inglês teriam maior destaque na mídia, o italiano era a bola da vez nos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bola pra frente. Hoje, somos pentacampeões e vem aí a copa da África, continente de um povo sofrido, mas alegre e que merece um pouco de diversão, um ópio saudável, do bem. Como diz o escritor Eduardo Galeano, somos todos africanos emigrados e a primeira copa nesse continente, no país de Nelson Mandela, tem, por isso, um sabor todo especial, como voltar pra casa. E como já fomos campeões em todos os continentes que já sediaram a competição (América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia), nada melhor do que também levar o título em casa. E repetir a dose, em 2014, novamente em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;b&gt;* Sangue, swing e cintura (Moraes Moreira)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei aqui é Pelé&lt;br /&gt;Na terra do futebol&lt;br /&gt;Olé, é bola no pé&lt;br /&gt;Redonda assim como o sol&lt;br /&gt;Seja no Maracanã&lt;br /&gt;Ou no gramado espanhol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escola aqui é de samba&lt;br /&gt;E bola é arte do povo&lt;br /&gt;Sua alegria Deus manda&lt;br /&gt;Nasce um Garrincha de novo&lt;br /&gt;Quem sabe tem mais de um&lt;br /&gt;Quebrando a casca do ovo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá lá, ta lá, tá lá&lt;br /&gt;Tá no filó&lt;br /&gt;Tá na filosofia&lt;br /&gt;Quem sabe, sabe&lt;br /&gt;O craque brasileiro&lt;br /&gt;Tem sabedoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangue, swing e cintura&lt;br /&gt;Mistura de pé&lt;br /&gt;Futebol e arte&lt;br /&gt;Que em nenhuma outra parte&lt;br /&gt;Do mundo há&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Galinho de Quintino&lt;br /&gt;Flamengo menino&lt;br /&gt;Feito em forma de hino&lt;br /&gt;Gol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calcanhar de Sócrates&lt;br /&gt;Gogó de cantor&lt;br /&gt;Só craque, só craque, só craque, só craque&lt;br /&gt;Só craque doutor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Telê, um fio de esperança&lt;br /&gt;De velho, moço e criança&lt;br /&gt;Unindo os corações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim de novo do mundo seremos&lt;br /&gt;Seremos os campeões&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-6918496304083451909?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/6918496304083451909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=6918496304083451909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6918496304083451909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6918496304083451909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/06/bicampeoes-morais.html' title='Bicampeões morais'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-856344083790563788</id><published>2010-05-20T15:58:00.006-03:00</published><updated>2010-05-29T23:51:36.106-03:00</updated><title type='text'>O perfeito e o imperfeito do subjetivo</title><content type='html'>Palavras foram criadas para facilitar a comunicação. A linguagem, portanto, pressupõe esse fim. De nada adianta ignorar ou execrar o linguajar popular, restringir-se à norma culta e não se fazer entender pela maioria das pessoas, como um brasileiro exilado em sua própria pátria. Afinal, que língua é essa que pouquíssimos brasileiros falam? Podemos chamá-la de língua oficial? A discussões desse tipo é que se propõe a exposição &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.poiesis.org.br/mlp/expo/menas/index.html" target="_blank"&gt;Menas: o certo do errado, o errado do certo&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (com curadoria de Ataliba Castilho e Eduardo Calbucci), em cartaz no &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/" target="_blank"&gt;Museu da Língua Portuguesa&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; (SP, até 27 de junho próximo), que nos apresenta interessantes frases, como: &lt;i&gt;“Se alguém usou uma palavra, ela existe.”&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;“Todos têm sotaque. Ainda bem.”&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais discussões casam bem com o pensamento de &lt;a href="http://www.marcosbagno.com.br/" target="_blank"&gt;Marcos Bagno&lt;/a&gt;, profissional graduado em Letras pela UFPE, doutor em Línguística pela USP, professor da UnB e autor de mais de 30 livros, entre eles &lt;i&gt;&lt;a href="http://books.google.com/books?id=Uz39wKyMxXcC&amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;dq=isbn:8515018896&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;cd=1" target="_blank"&gt;Preconceito linguístico&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. Impossível ficar indiferente a suas convicções. De posições firmes, o escritor, tradutor e linguista mineiro costuma afirmar, por exemplo, que o professor Pasquale e suas concepções rígidas de 'certo' e 'errado' estão na contramão da história e não são aceitas nos maiores centros de pesquisa linguística brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagno defende a ideia de que o preconceito linguístico esconde um imenso preconceito social (a forma caricata e inventada com que a rede Globo mostra o sotaque nordestino em suas produções é um claro exemplo disso) e constitui &lt;i&gt;“um disfarce amplamente aceito para que uma pessoa seja discriminada e excluída dos bens sociais aos quais teria direito pelo simples fato de ser um cidadão”&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente e interessante &lt;a href="http://www.marcosbagno.com.br/conteudo/arquivos/menas.pdf" target="_blank"&gt;entrevista ao Jornal do Commercio&lt;/a&gt; (PE), o linguista sugeriu: &lt;i&gt;“as aulas de língua materna têm que se destinar, antes de mais nada, à inserção dos aprendizes na cultura letrada, e isso se faz por meio da leitura, da escrita, da leitura, da escrita e principalmente da leitura e da escrita”&lt;/i&gt;. E concluiu: &lt;i&gt;“Enquanto nossos professores acharem que é preciso ensinar dígrafo, oxítonas, preposições, oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo, epiceno e outras coisas cabalísticas desse tipo, nossa educação linguística continuará catastrófica como já está”&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a conclusões simplistas e precipitadas de que estaria fazendo apologia ao vale-tudo na língua portuguesa, afirma, com propriedade: &lt;i&gt;“Nenhum linguista sensato jamais disse que não é preciso ensinar aos alunos as formas privilegiadas, normatizadas de uso da língua. O que dizemos é que essas não são as únicas formas válidas de uso da língua e que é preciso abordar em sala de aula a multiplicidade de usos idiomáticos que existe na sociedade. No entanto, como nossa sociedade só consegue pensar em termos de sim/não, preto/branco, certo/errado, um discurso que contemple a variação, a noção de pluralidade de falas, não consegue penetrar no senso comum”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor reconhece o viés político por trás de muitas de suas afirmações, o que considera inevitável. Entre os polêmicos, mas/e interessantes comentários encontrados em seus livros, cito dois, a título de ilustração. No primeiro, ele compara a morfologia verbal das línguas inglesa e portuguesa, ao observar que se &lt;i&gt;I lived, you lived, he lived, we lived, they lived&lt;/i&gt; é recebido sem estranhamento, o mesmo não ocorre com &lt;i&gt;eu morava, tu morava, ele morava, nós morava, eles morava&lt;/i&gt;, recebidos com &lt;i&gt;“o riso, o deboche ou, no melhor dos casos, a compaixão pelos 'infelizes caipiras' que 'não sabem falar direito', como se fossem menos inteligentes ou até menos humanos que os demais falantes”&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo comentário trata da troca do L pelo R na pronúncia de certas palavras, ao que ele se refere como &lt;i&gt;“um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria língua portuguesa padrão”&lt;/i&gt;. Segundo ele, &lt;i&gt;“as pessoas que dizem Cráudia, grobo, chicrete, pranta estão apenas dando livre curso à mesma tendência fonética que fez, por exemplo, com que o latim fluxu desse em português frouxo, com um R bem nítido, que plaga desse praga, que sclavu desse escravo, que blandu desse brando, que flaccu desse fraco, que gluten desse grude, que o germânico blank desse em português branco (...)”&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para enriquecer a discussão, entrei em &lt;a href="mailto:mbagno@terra.com.br"&gt;contato&lt;/a&gt; com o professor, que, gentilmente, comentou os seguintes pontos. Sobre a questão (que já foi bem pior) da valorização quase exclusiva da ortografia e das normas gramaticais, em detrimento da clareza na comunicação, ele afirmou: &lt;i&gt;“O apego à tradição gramatical e à ortografia é muito antigo em toda a civilização ocidental, data de pelo menos três séculos antes de Cristo, quando foi criada a disciplina gramatical. Ao se fixar um modelo único de 'língua certa', inspirado nos usos de uns poucos escritores consagrados do passado, todos os demais usos da língua foram jogados na lata do lixo do 'erro'. As pesquisas linguísticas contemporâneas mostram o absurdo que é essa atitude, que carece de qualquer fundamentação científica, sendo integralmente ideológica”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação ao novo acordo ortográfico, disse ser a favor &lt;i&gt;“porque, antes de tudo, retira de Portugal uma arma ideológica que sempre esteve nas mãos dos setores chauvinistas da sociedade portuguesa: a ideia de que a língua é 'deles' e que por isso toda decisão sobre os destinos do idioma cabem prioritariamente a Lisboa”&lt;/i&gt;. E completa: &lt;i&gt;“Ora, 90% dos falantes de português vivem no Brasil. Se todos os demais países de língua portuguesa abandonassem a língua e a trocassem por outra, ainda assim o português brasileiro seria a terceira língua mais falada no Ocidente (…). Com o Acordo, todos os usuários da língua vão ter uma maneira única de escrever e isso decerto facilitará muito a divulgação do idioma e a circulação dos bens impressos. É preciso lembrar, sempre, que não se trata de uma 'uniformização da língua', como muitas pessoas equivocadamente têm dito. (...) o que vai mudar exclusivamente é a maneira de escrever a língua”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que concluo disso tudo é que se por um lado tenho o “vício” de seguir os rigores das regras gramaticais e até me incomodo ao perceber certos erros de grafia, por outro (ou pelo mesmo) comporto-me como um dinossauro jurássico sempre que sigo, por exemplo, o costume enraizado de respeitar regras de próclise e ênclise, como a de não iniciar frases com pronomes oblíquos* (quanto à mesóclise, ser-me-ia demais respeitá-la). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou nenhum especialista no assunto, mas, em suma, mesmo sem concordar “em gênero e número igual”, reconheço, “com os nervos da cor da pele”, a singularidade do raciocínio do exímio linguista, cujas ideias, ainda que em primeira análise pareçam radicais e exageradas, suscitam reflexões, como a percepção de que a língua não é criada no papel, por acadêmicos, mas resulta, isso sim, da linguagem falada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Pronominais&amp;nbsp; (Oswald de Andrade)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dê-me um cigarro&lt;br /&gt;Diz a gramática&lt;br /&gt;Do professor e do  aluno&lt;br /&gt;E do mulato sabido&lt;br /&gt;Mas o bom negro e o bom branco&lt;br /&gt;Da  nação brasileira&lt;br /&gt;Dizem todos os dias&lt;br /&gt;Deixa disso camarada&lt;br /&gt;Me dá  um cigarro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-856344083790563788?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/856344083790563788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=856344083790563788' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/856344083790563788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/856344083790563788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/05/o-perfeito-e-o-imperfeito-do-subjetivo.html' title='O perfeito e o imperfeito do subjetivo'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2638082185565391923</id><published>2010-05-06T15:50:00.006-03:00</published><updated>2010-05-08T00:42:13.536-03:00</updated><title type='text'>Transações políticas e transições sexuais (e vice-versa)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S-MPQNN6OhI/AAAAAAAAALA/g0813QWyHqQ/s1600/80-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="232" src="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S-MPQNN6OhI/AAAAAAAAALA/g0813QWyHqQ/s320/80-2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Já se discutiu, ao longo do tempo, a relação entre política e sexo, entre companheiro de luta e companheiro de leito. Meu partido é um coração partido, já dizia Cazuza, nos relativamente despolitizados anos 80. Desde a transformadora década de 60, porém, política e sexo já andavam um tanto descompassados em nosso país. As práticas livres adquiridas com a revolução sexual, fruto das conquistas do movimento &lt;i&gt;hippie&lt;/i&gt;, foram refreadas, do lado de baixo do Equador, pelas ditaduras instaladas por essas bandas. Na década de 80, por sua vez, a liberdade política conquistada com o fim das ditaduras, veio acompanhada da repressão sexual provocada pela descoberta do vírus da AIDS. Como resultado, no ramo da música, fatos curiosos ocorreram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo, política e &lt;i&gt;rock’n roll&lt;/i&gt;. Nos anos 60, as canções de protesto combatiam o momento político e refletiam bem o clima de repúdio à situação vigente e a esperança num futuro melhor. Já as ingênuas canções da &lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt;, e mesmo as da &lt;i&gt;Bossa Nova&lt;/i&gt;, não refletiam tanto a revolução sexual em curso. Se bem que, pouco depois, os &lt;i&gt;Secos &amp;amp; Molhados&lt;/i&gt; viriam a distorcer, sem discursos panfletários, apenas com seus requebros, a rígida coluna vertebral da dita ditadura, característica que, junto com o forte apelo visual e músicas como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hw7KXr67tHg" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;O vira&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, tornou o grupo bastante admirado, também, pelas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, a cena musical dos anos 80, que já não via mais como novidade as canções de duplo sentido ou de apelo sexual, presentes desde a década anterior com Genival Lacerda e Gretchen, entre outros, recebia reforços nesse estilo. Músicas como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ADrXDFIbPdw" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Serão extra&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (&lt;i&gt;Eu fui dar mamãe / Fui dar mamãe / Fui dar um serão extra / Trabalhei com o patrão&lt;/i&gt;), do grupo &lt;i&gt;Dr. Silvana &amp;amp; Cia.&lt;/i&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=M9o4PqDTutw" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Amante profissional&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (&lt;i&gt;Pra qualquer tipo de transação / Sem compromisso emocional / Só financeiro&lt;/i&gt;), do &lt;i&gt;Herva Doce&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Dentro do coração&lt;/i&gt; (&lt;i&gt;Põe devagar&lt;/i&gt;), do &lt;i&gt;Rádio Táxi&lt;/i&gt;, brincavam com o sexo de maneira despretensiosa, em contrapeso à dura realidade que despontava, evidenciada por Cazuza em &lt;i&gt;Ideologia&lt;/i&gt;: &lt;i&gt;Meu prazer agora é risco de vida&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No campo político, a década coincidiu com o período de abertura e o fim da censura aos meios de comunicação, esse último tendo gerado calorosas discussões entre o que podia e o que não podia ou quais seriam os limites do bom senso. Alheios a essa discussão e como crianças que ganham um brinquedo novo, os compositores daquela geração, mesmo sem o apuro e a sutileza de um Chico Buarque, queriam mais era experimentar ao máximo a novidade que surgia. Ao mesmo tempo, como todo principiante - pássaro novo longe do ninho -, não sabiam como lidar com a incipiente liberdade. Foi assim, então, que o público pôde presenciar, pelas primeiras vezes, o uso aberto do palavrão, em canções como &lt;i&gt;Faroeste caboclo&lt;/i&gt; (Renato Russo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema censura foi, inclusive, ironizado pelo irreverente Léo Jaime, em &lt;i&gt;Solange&lt;/i&gt;, do disco &lt;i&gt;Sessão da tarde&lt;/i&gt; (1985), versão para a música de Sting, &lt;i&gt;So lonely&lt;/i&gt;: &lt;i&gt;“Eu tinha tanto pra dizer / metade eu tive que esquecer / E quando eu tento escrever / Seu nome vem me interromper / ... / Solange, Solange, Solange / É o fim, Solange”&lt;/i&gt;. Solange Hernandes foi diretora da Divisão de Censura de Diversões Públicas do Departamento da Polícia Federal, setor extinto em 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Russo, que faria 50 anos em 2010, embora só tenha chegado ao sucesso após a leva de bandas surgidas na primeira metade da década de 80, que teve o &lt;i&gt;Rock in Rio&lt;/i&gt; como marco divisório, foi um dos ícones da juventude da época e compôs duas canções que, junto com &lt;i&gt;Brasil&lt;/i&gt;, de Cazuza, viraram hinos políticos daquela geração: &lt;i&gt;Que país é este?&lt;/i&gt; e&amp;nbsp; &lt;i&gt;Geração Coca-Cola&lt;/i&gt;*. E já que falamos de sexo e política, vale lembrar que outra canção dele, &lt;i&gt;Eduardo e Mônica&lt;/i&gt;, recebeu uma análise (&lt;a href="http://adolargangorra.blogspot.com/2009/03/monica-e-eduardo.html" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Mônica e Eduardo&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;) um tanto política e sexualmente incorreta, na qual o autor inverte o senso comum de que Mônica é inteligente e engajada, enquanto Eduardo é alienado. Não obstante as ditas incorreções, o texto merece uma leitura mais leve, por ser passional – o que o torna mais engraçado - e criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Faroeste caboclo&lt;/i&gt;, que se assemelha a uma espécie de ópera-rock, seja pela duração de cerca de nove minutos, seja por contar uma história – de desfecho trágico, por sinal - ou ainda pelas alternâncias melódicas que acompanham o sentimento do que vai sendo narrado, não deixa de lado o toque político, ainda que solto, no último verso: &lt;i&gt;“E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília com o diabo ter / Ele queria era falar com o presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer”&lt;/i&gt; (a extensa música, contrariando as lógicas de mercado, tocava bastante em rádio e era quase uma obrigação, para os jovens de então, saberem sua letra de cor e não salteado). A saga de João de Santo Cristo, narrada na canção, vai virar filme, em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi a forma peculiar de narrar, por meio da música, conflitos existenciais próprios da juventude – os quais, numa geração dita perdida, pareciam ainda mais comuns -, que tornou tão idolatrado o cara que ousou cantar &lt;i&gt;“e eu gosto de meninos e meninas”&lt;/i&gt;. Conflitos traduzidos em versos como &lt;i&gt;“ainda estou confuso, só que agora é diferente”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“mudaram as estações e nada mudou”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas”&lt;/i&gt;. E olhe que sexo verbal nem fazia seu estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;* Geração Coca-Cola (Renato Russo / Fê Lemos)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nascemos fomos programados&lt;br /&gt;A receber o que vocês&lt;br /&gt;Nos empurraram com os enlatados&lt;br /&gt;Dos U.S.A., de nove às seis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde pequenos nós comemos lixo&lt;br /&gt;Comercial e industrial&lt;br /&gt;Mas agora chegou nossa vez&lt;br /&gt;Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos os filhos da revolução&lt;br /&gt;Somos burgueses sem religião&lt;br /&gt;Somos o futuro da nação&lt;br /&gt;Geração Coca-Cola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de vinte anos na escola&lt;br /&gt;Não é difícil aprender&lt;br /&gt;Todas as manhas do seu jogo sujo&lt;br /&gt;Não é assim que tem que ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos fazer nosso dever de casa&lt;br /&gt;E aí então vocês vão ver&lt;br /&gt;Suas crianças derrubando reis&lt;br /&gt;Fazer comédia no cinema com as suas leis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos os filhos da revolução&lt;br /&gt;Somos burgueses sem religião&lt;br /&gt;Somos o futuro da nação&lt;br /&gt;Geração Coca-Cola&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-2638082185565391923?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/2638082185565391923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=2638082185565391923' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2638082185565391923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2638082185565391923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/05/transacoes-politicas-e-transicoes.html' title='Transações políticas e transições sexuais (e vice-versa)'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S-MPQNN6OhI/AAAAAAAAALA/g0813QWyHqQ/s72-c/80-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5269583562992215093</id><published>2010-04-25T02:10:00.000-03:00</published><updated>2010-04-25T02:10:07.079-03:00</updated><title type='text'>O filho da mãe</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S9PNEDrrzII/AAAAAAAAAKw/V39u-MR8UvE/s1600/rc1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="186" src="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S9PNEDrrzII/AAAAAAAAAKw/V39u-MR8UvE/s200/rc1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Roberto Carlos Braga é brega? Chega de briga. Como previ, há alguns meses, não adianta nem tentar lhe esquecer. O cantor e compositor vem, desde o ano passado, comemorando seus cinquenta anos de carreira e, no ano que vem, completará setenta de idade, o que motivará, mais uma vez, merecidas comemorações. Por sinal, ele estará puxando o bloco dos setentões, que se aproxima, com Chico e Caetano, entre outros, logo atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dessas homenagens prestadas, nos últimos meses, ao rei, está ao alcance de quem andar por São Paulo por esses dias: a exposição &lt;i&gt;Roberto Carlos – 50 anos de música&lt;/i&gt;, que acontece na Oca do Parque do Ibirapuera e que ele mesmo ajudou a organizar. A exposição aproxima-se do final e traz, entre as atrações, documentários e vídeos sobre sua carreira, bem como depoimentos de pessoas importantes em sua trajetória artística, como o parceiro Erasmo Carlos, Wanderléa, Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gal, em seus primeiros discos, gravou várias canções da dupla Roberto e Erasmo, como &lt;i&gt;Se você pensa&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Eu sou terrível&lt;/i&gt;, além de uma interpretação definitiva e insuperável de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QybIFNOH9rg&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Sua estupidez&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, cuja bela letra é uma forma mais rebuscada e poética de dizer &lt;i&gt;“você não vale nada, mas eu gosto de você”&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Sua estupidez&lt;/i&gt; é do disco &lt;a href="http://www.galcosta.com.br/sec_discografia_view.php?id=6" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Fatal&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de 1971 - fatal, inclusive, no excelente repertório (só para dar uma ideia... não dá para dar uma ideia a não ser enumerando quase todas as músicas, então deixo apenas a ideia da ideia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado que essas canções, bem apropriadas ao perfil ou estilo criado, à época, pela cantora baiana, diziam frases fortes que o próprio RC, hoje em dia, em outra fase, ou Bethânia, por exemplo, não diriam (pior pra eles), como &lt;i&gt;“você tem que aprender a ser gente”&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;“use a inteligência uma vez só”&lt;/i&gt; (só faltou &lt;i&gt;Quero que vá tudo pro inferno&lt;/i&gt;). Nesse mesmo período, Gal recebeu da dupla a canção &lt;i&gt;Meu nome é Gal&lt;/i&gt;, feita especialmente para ela, como não é difícil perceber. Bethânia, por sua vez, além de ser um dos poucos artistas a ter participação em algum disco de Roberto (em 1982, na faixa &lt;i&gt;Amiga&lt;/i&gt;), gravou disco inteiro, &lt;i&gt;As canções que você fez pra mim&lt;/i&gt; (1994), com composições do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S9PNnc-uC3I/AAAAAAAAAK4/3XobmMHgxzk/s1600/rc3.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S9PNnc-uC3I/AAAAAAAAAK4/3XobmMHgxzk/s200/rc3.jpg" width="166" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Caetano, em seu incentivo à luta contra qualquer tipo de preconceito musical, sempre se preocupou, ao longo da carreira, em desfazer qualquer rivalidade entre &lt;i&gt;Tropicalismo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Bossa Nova&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt;. Depois de uma troca de amabilidades que nos proporcionou interpretações marcantes de músicas de sua autoria por parte de Roberto (&lt;i&gt;Como dois e dois, Muito romântico, Força estranha&lt;/i&gt;) e vice-versa (&lt;i&gt;Debaixo dos caracóis de seus cabelos&lt;/i&gt;), coroou bem sua linha de comportamento ao participar, recentemente, do trabalho que reuniu essas três vertentes da produção musical dos anos 60: o disco &lt;a href="http://robertocarlos.globo.com/html/home/home.php?pagina=10&amp;amp;disco_id=574" target="_blank&amp;quot;"&gt;&lt;i&gt;Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; (2008), em que o rei da &lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt; e o mestre do &lt;i&gt;Tropicalismo&lt;/i&gt; uniram-se, em reverência ao maestro da &lt;i&gt;Bossa Nova&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou de um tempo em que aguardar os lançamentos de trabalhos desses artistas, ano após ano, já era, por si só, atividade extremamente aprazível, seguida de plena recompensa, exercício do qual os discos de Roberto Carlos faziam parte. Por isso, em época de tantas homenagens a esse astro da nossa música, acrescento mais essa, que tem motivos de sobra para acontecer especificamente por esses dias. Primeiro, o aniversário do cantor, que ocorreu esta semana, depois, o dia das mães que se aproxima e que nos remete à lembrança de uma das maiores mães da MPB, a quem devemos sua vinda ao mundo - Lady Laura*, reverenciada pelo filho em um desses discos esperados -, por meio de quem homenageio todas elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Lady Laura (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho às vezes vontade de ser novamente um menino&lt;br /&gt;E na hora do meu desespero gritar por você&lt;br /&gt;Te pedir que me abrace e me leve de volta pra casa&lt;br /&gt;Que me conte uma história bonita e me faça dormir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria ouvir sua voz me dizendo sorrindo:&lt;br /&gt;Aproveite o seu tempo, você ainda é um menino&lt;br /&gt;Apesar da distância e do tempo eu não posso esconder&lt;br /&gt;Tudo isso eu às vezes preciso escutar de você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lady Laura, me leve pra casa&lt;br /&gt;Lady Laura, me conte uma história&lt;br /&gt;Lady Laura, me faça dormir&lt;br /&gt;Lady Laura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lady Laura, me leve pra casa&lt;br /&gt;Lady Laura, me abrace forte&lt;br /&gt;Lady Laura, me faça dormir&lt;br /&gt;Lady Laura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes me sinto perdido no meio da noite&lt;br /&gt;Com problemas e angústias que só gente grande é que tem&lt;br /&gt;Me afagando os cabelos você certamente diria:&lt;br /&gt;Amanhã de manhã você vai se sair muito bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era criança podia chorar nos seus braços&lt;br /&gt;E ouvir tanta coisa bonita na minha aflição&lt;br /&gt;Nos momentos alegres sentado ao seu lado eu sorria&lt;br /&gt;E nas horas difíceis podia apertar sua mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho às vezes vontade de ser novamente um menino&lt;br /&gt;Muito embora você sempre acha que eu ainda sou&lt;br /&gt;Toda vez que te abraço e te beijo sem nada dizer&lt;br /&gt;Você diz tudo que eu preciso escutar de você&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5269583562992215093?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5269583562992215093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5269583562992215093' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5269583562992215093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5269583562992215093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/04/o-filho-da-mae.html' title='O filho da mãe'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S9PNEDrrzII/AAAAAAAAAKw/V39u-MR8UvE/s72-c/rc1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-84533047282436676</id><published>2010-04-12T00:27:00.000-03:00</published><updated>2010-04-12T00:27:16.971-03:00</updated><title type='text'>De versão e arte</title><content type='html'>A prática de criar versões de textos provenientes de outras línguas tem o mérito de aproximar culturas, na medida em que as torna mais acessíveis aos que não têm acesso aos escritos, não dominam seus idiomas de origem ou mesmo não conhecem o trabalho feito em outros países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando de poesias e canções, esse trabalho de traduzir ou “versionar” é especialmente difícil, pois, se na tradução de textos em geral, procura-se ser o mais fiel possível ao conteúdo original, nas adaptações de versos - sejam de poesias ou canções -, por questões sobretudo de métrica, mudanças fazem-se necessárias, desde que não comprometam o contexto. Nesses casos, busca-se fugir a uma simples tradução literal (transcrição), com adaptações engenhosas (criação), mas sem se afastar do tema original, algo bem definido pelo neologismo “transcriação”. No caso das canções, almeja-se, ainda, manter a letra ajustada à melodia. Esse ajuste pode ser feito apenas pela sonoridade das palavras (mal) ou pela métrica como um todo (bem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a canção original é bem conhecida, o trabalho de tradução torna-se ainda mais delicado e difícil, pois é comum haver um estranhamento, quando a sonoridade já tão familiar de letra e música juntas é quebrada. Isso talvez explique o porquê de &lt;i&gt;Yesterday&lt;/i&gt; (Lennon/McCartney), uma das canções mais gravadas de todos os tempos - cuja melodia, curiosamente, surgiu em um sonho de McCartney, como ele revela em sua biografia -, nunca ter recebido uma versão em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em &lt;i&gt;Beatles&lt;/i&gt;, a &lt;i&gt;Jovem Guarda&lt;/i&gt;, movimento surgido no Brasil por influência deles e de outros astros do rock de então, era bem servida de versões, aqui interpretadas por conjuntos como &lt;i&gt;Renato e seus Blue Caps&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Golden Boys&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;The Fevers&lt;/i&gt;, entre outros. De lá pra cá, grandes compositores da nossa música têm se esmerado em versões de qualidade, que fazem jus ao termo transcriação e, nos últimos tempos, bandas de forró tudo-menos-pé-de-serra têm traduzido até pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Gil, como se não bastasse ser especial na criação de suas próprias canções, é um exemplo de compositor competente também em versões. Em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=EMSlEatQQGs" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Só chamei porque te amo&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; – versão para &lt;i&gt;I just called to say I love you&lt;/i&gt;, de Stevie Wonder -, Gil acrescentou a esses citados objetivos de versões musicais um toque de regionalismo que, além de facilitar a decodificação da mensagem, deixa uma doce impressão: &lt;i&gt;nem carnaval, nem São João, nenhum balão no céu, nem luar do sertão&lt;/i&gt;. A canção cita bons motivos para se procurar por alguém, apenas para dizer que nenhum deles ocorreu e, ao descartá-los, apresentar o motivo fundamental da busca: &lt;i&gt;só chamei porque te amo&lt;/i&gt;. Sem mais explicações, a não ser a falta de motivo ou razão (&lt;i&gt;quando a saudade vem, não tem explicação&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-RLfzc2O0ks" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Não chore mais&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; – versão para &lt;i&gt;No woman, no  cry&lt;/i&gt;, do repertório de Bob Marley -, Gil também fez uso do recurso de adaptação à realidade local, com referências à repressão da ditadura militar então vigente no Brasil (&lt;i&gt;Amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais. Tais recordações, retratos do mal em si, melhor é deixar pra trás&lt;/i&gt;). Se na letra original o cenário é um jardim público em Trenchtown, Jamaica, a versão brasileira desloca-se para a grama do Aterro, no Rio de Janeiro. No fim, porém, a mensagem de esperança é a mesma: &lt;i&gt;everything’s gonna be all right&lt;/i&gt; / &lt;i&gt;tudo, tudo, tudo vai dar pé&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Nascimento, durante temporada nos Estados Unidos, nos anos 70, escutou uma canção que falava sobre amigos que partiam. Inspirado nesta música, compôs outra (&lt;i&gt;Unencounter&lt;/i&gt;, de seu disco &lt;i&gt;Journey to dawn&lt;/i&gt;, de 1979), também em inglês, sobre o mesmo tema, em parceria com Fernando Brant. Flávio Venturini, que à época fazia parte do grupo &lt;i&gt;14 Bis&lt;/i&gt;, adorou a canção e quis gravá-la, mas achou que ela merecia uma versão brasileira. Brandt, então, traduziu a letra para o português. O resultado foi &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OlcQE4NeXow" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Canção da América&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, uma celebração à amizade que, como tal, transpôs fronteiras, rompeu limites, desfez distâncias, com um apelo universal que não carece de tradução: &lt;i&gt;o que importa é ouvir a voz que vem do coração&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em bom português, versões podem constituir grandes versos, sem os quais não haveria fascinação nem ternura. Não saberíamos o amor, doce mistério da vida, nem o sabor do gesto. Não entenderíamos a natureza humana nem a aquarela da vida. Não saberíamos, com Chaplin, simplesmente, sorrir&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pYJ-puCEKag&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Sorri&lt;/a&gt; (Charles Chaplin/G.Parson/J. Turner - versão: Braguinha)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sorri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando a dor te torturar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E a saudade atormentar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Os teus dias tristonhos, vazios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sorri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando tudo terminar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando nada mais restar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Do teu sonho encantador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sorri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando o sol perder a luz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E sentires uma cruz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nos teus ombros cansados, doridos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sorri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vai mentindo a tua dor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E ao notar que tu sorris&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Todo mundo irá supor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que és feliz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-84533047282436676?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/84533047282436676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=84533047282436676' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/84533047282436676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/84533047282436676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/04/de-versao-e-arte.html' title='De versão e arte'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-1618135762052474700</id><published>2010-03-26T18:04:00.001-03:00</published><updated>2010-03-26T18:12:26.315-03:00</updated><title type='text'>O que pode essas línguas</title><content type='html'>Na narração de um fato, seja real ou fictício, a comunicação ocorre de forma direta, ainda que de diversas maneiras. Mário Vargas Llosa afirma, em relação aos romances em geral, que a história não escrita representa a maior parte da história real, já que esta &lt;i&gt;“cobre um terreno maior do que aquele que qualquer escritor – mesmo o mais profícuo e loquaz, com o menor pendor para a economia narrativa – seria capaz de cobrir em seu texto”&lt;/i&gt;. De fato, cada narrador pode ressaltar, em sua versão,&amp;nbsp; diferentes aspectos do ambiente, características físicas, psicológicas ou o estado emocional dos personagens envolvidos no episódio narrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na função de expressar sentimentos com exatidão, por sua vez, palavras são limitadas, por serem discretas, enquanto sentimentos são contínuos, o que faz com que não haja uma correspondência linear ou biunívoca entre eles. Dessa limitação, ou impossibilidade, é que surge a poesia, a metáfora, o sentido figurado e é justamente como instrumento de nossa mente criativa que as palavras encontram sua mais extraordinária aplicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, do lado dos que recebem a informação, as asas da imaginação desapropriam o sentido próprio, desfiguram o sentido figurado, enfim, ilimitam o que, loucamente, cada louca mente capta. O resultado é uma tradução eficaz, que transforma uma única língua-fonte (a mente criadora) em inúmeras línguas-alvo (as mentes receptoras).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ramo da música, &lt;i&gt;Construção&lt;/i&gt;, de Chico Buarque, é um exemplo concreto de onde se pode chegar com o uso de palavras bem dispostas, a começar do título da canção, de uma propriedade absoluta, ao denotar tanto a construção gramatical quanto a civil. Em &lt;i&gt;Vai passar&lt;/i&gt; (Chico Buarque/Francis Hime), o título exprime o sentido de transitar, claramente expresso na letra (&lt;i&gt;“vai passar nessa avenida um samba popular”, “o estandarte do sanatório geral vai passar”&lt;/i&gt;), mas também pode ser lido como deixar de existir, acabar, numa possível referência ao iminente fim da ditadura militar, na época em que a canção foi lançada (pode ser em sentido desfigurado, mas é como minha mentecapta mente capta). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como admirador da arte de batizar – que trago até no nome - ou intitular, seja um livro, um filme, um disco, uma canção, uma rua, um bar, um artigo ou um simples e-mail, considero esta uma das etapas mais importantes e empolgantes da criação. Afinal, o título é a porta de entrada do conteúdo, ainda que não seja de todo indispensável (Nada nos impediria de ler um livro, assistir a um filme ou escutar uma música sem nome, a mensagem seria recebida da mesma forma. Da mesma forma, na linguagem falada, conseguiríamos nos comunicar sem a presença deles, mas a vida seria bem mais difícil e chata assim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, não é incomum nome próprio ser comum (e nome comum ser impróprio). Nesse sentido, existe até uma piada, comum em Angola, nação africana de tantos contrastes sociais e vítima do neocolonialismo. Dois turistas, de férias no país, discutiam a diferença entre jacaré e crocodilo e discordavam sobre qual seria a denominação correta de um certo espécime que avistaram. Para desfazer a polêmica, consultaram um nativo angolano, apontando para o réptil: &lt;i&gt;“Como vocês chamam, aqui, este animal, jacaré ou crocodilo?”&lt;/i&gt;, ao que o cidadão respondeu: &lt;i&gt;“Nenhum dos dois. Aqui, a gente conhece-o como Lacoste”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função de dar nome é bem específica e seu praticante não precisa, necessariamente, ser o dono ou autor da coisa intitulada, tampouco produzir todo seu conteúdo. Basta ser criativo e, noutro plano, tal Caetano, gostar de se dedicar a criar confusões de prosódia e profusões de paródias&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;. Assim como café não costuma faiá, mouse pede mouse pad, forró pede serra e o Carrefour, digo, o baticum é da Benetton, não, da beira do mar. Ou da mesa do bar, talvez um Johann Sebastian Bar. E que o Chico Buarque de Holanda nos resgaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Língua (Caetano Veloso)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;Gosta de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões&lt;br /&gt;Gosto de ser e de estar&lt;br /&gt;E quero me dedicar a criar confusões de prosódia&lt;br /&gt;E uma profusão de paródias&lt;br /&gt;Que encurtem dores&lt;br /&gt;E furtem cores como camaleões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto do Pessoa na pessoa&lt;br /&gt;Da rosa no Rosa&lt;br /&gt;E sei que a poesia está para a prosa&lt;br /&gt;Assim como o amor está para a amizade&lt;br /&gt;E quem há de negar que esta lhe é superior?&lt;br /&gt;E deixe os Portugais morrerem à míngua&lt;br /&gt;"Minha pátria é minha língua"&lt;br /&gt;Fala Mangueira! Fala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor do Lácio Sambódromo&lt;br /&gt;Lusamérica latim em pó&lt;br /&gt;O que quer, o que pode esta língua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas&lt;br /&gt;E o falso inglês relax dos surfistas&lt;br /&gt;Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!&lt;br /&gt;Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda&lt;br /&gt;E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate&lt;br /&gt;E – xeque-mate – explique-nos Luanda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo&lt;br /&gt;Sejamos o lobo do lobo do homem&lt;br /&gt;Lobo do lobo do lobo do homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro nomes&lt;br /&gt;Nomes em ã&lt;br /&gt;De coisas como rã e ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã&lt;br /&gt;Nomes de nomes&lt;br /&gt;Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor do Lácio Sambódromo&lt;br /&gt;Lusamérica latim em pó&lt;br /&gt;O que quer, o que pode esta língua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção&lt;br /&gt;Está provado que só é possível filosofar em alemão&lt;br /&gt;Blitz quer dizer corisco&lt;br /&gt;Hollywood quer dizer Azevedo&lt;br /&gt;E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua é minha pátria&lt;br /&gt;E eu não tenho pátria, tenho mátria&lt;br /&gt;E quero frátria&lt;br /&gt;Poesia concreta, prosa caótica&lt;br /&gt;Ótica futura&lt;br /&gt;Samba-rap, chic-left com banana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós canto-falamos como quem inveja negros&lt;br /&gt;Que sofrem horrores no Gueto do Harlem&lt;br /&gt;Livros, discos, vídeos à mancheia&lt;br /&gt;E deixa que digam, que pensem, que falem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-1618135762052474700?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/1618135762052474700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=1618135762052474700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/1618135762052474700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/1618135762052474700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/03/o-que-pode-essas-linguas.html' title='O que pode essas línguas'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-8713955040337319044</id><published>2010-03-04T14:42:00.000-03:00</published><updated>2010-03-04T14:42:52.697-03:00</updated><title type='text'>Rádio patrulha</title><content type='html'>Havia uma marchinha da década de 70 que dizia: &lt;i&gt;“Viva o Zé Pereira / Que a ninguém faz mal / E viva a bebedeira / Nos dias de carnaval”&lt;/i&gt;. Tal música, porém, não era da década de 70 do século XX, mas do século XIX. Pois é, os tempos ideais do velho Raul Moraes também tinham desses sucessos. Tudo bem, carnaval é festa essencialmente popular e, como tal, deve ser mesmo uma "momarquia" democrática e, na medida do possível, agradar a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que seja na base do beijo ou do &lt;i&gt;rebolation&lt;/i&gt;, no quatríduo momesco, o povo quer apenas cair no passo e a vida gozar. Tanto que certas bocas - de ouvidos menos atentos - costumam, nessa época, ferir os nossos, levando o frevo às páginas policiais, ao cantarem assim a &lt;i&gt;Evocação nº 1&lt;/i&gt; de Nelson Ferreira: &lt;i&gt;“Ferido pelo soldado, Guilherme Fenelon, cadê teus blocos famosos?”&lt;/i&gt;, sem prestarem tanta atenção ao que está sendo dito. Claro que clássico é clássico (como disse Drummond, &lt;i&gt;“E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno.”&lt;/i&gt;), mas não se deve exigir, por exemplo, que os mais jovens achem lindo ver o dia amanhecer com violões e pastorinhas mil (ainda que o seja), se isso não lhes emociona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja ou não carnaval, música é algo que toca – e, mais do que isso, tem que tocar. Apenas certas canções (canções certas para uns, incertas para outros) têm esse dom, o que varia de pessoa para pessoa para Pessoa: &lt;i&gt;“qualquer música, ah, qualquer / logo que me tire da alma / esta incerteza que quer / qualquer impossível calma”&lt;/i&gt;. A música que agrada aos ouvidos confunde-se um pouco com a realidade e a vivência de quem a escuta, o que torna quase impossível julgá-la com isenção. Há, ainda, uma busca por sintonia entre ritmo musical e ritmo de vida, o que explica por que, entre o vigor e ímpeto da juventude e a serenidade dos mais velhos, os sons vão diminuindo em volume e velocidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrulhamento musical (rádio patrulha) sempre existiu. A melhor política é desfazer-se de preconceitos ao escutar qualquer canção. Se, nesses termos, você apreciá-la, somente assim - e nesse ponto - faça valer a máxima de que gosto não se discute. Conforme atesta o crítico musical José Ramos Tinhorão em sua &lt;i&gt;Pequena História da Música Popular&lt;/i&gt;, o maxixe e o samba-de-breque, por exemplo, eram considerados pela elite músicas de menor qualidade. Com o frevo, não foi diferente. Depois do frevo-de-rua, sua versão mais genuína e popular, foi que surgiu o de bloco, criação da classe média, que não queria se acabar de dançar, no meio do povo, o ritmo frenético das ruas. Hoje, os dois dividem espaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tom Zé, em análise de trecho do livro &lt;i&gt;Raízes do Brasil&lt;/i&gt;, de Sérgio Buarque de Holanda, comenta que, no Brasil, &lt;i&gt;“aprecia-se uma espécie de culto no qual a inteligência, em vez de reunir os homens, os separa”&lt;/i&gt;. E completa: &lt;i&gt;“Sérgio Buarque discute que, desde tempos imemoriais, o ato de pensar é exercido por nós, ibéricos, como se fosse um privilégio pessoal e classista. Isso dificulta o uso do pensamento como instrumento partilhado para a organização dos homens. Nós mesmos, que escrevemos em jornais, às vezes nos sentimos como ‘barõezinhos’”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, alguns indivíduos preferem segregar a agregar novos adeptos a seu exclusivíssimo clube dos que têm bom gosto. Para eles, se abrir demais, perde a graça e, nesse comportamento, pode estar embutido preconceito etário ou proletário. Alheio a esse patrulhamento – de modos e modas - e sem tantas satisfações a dar, os menos afortunados, ao menos nesse aspecto, são mais livres e, quando podem, divertem-se à vontade. É só comparar um concerto no teatro e um pagode na laje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano Veloso sempre procurou quebrar essa barreira subjetiva entre estilos musicais considerados de bom gosto ou não. Em &lt;i&gt;Um frevo novo&lt;/i&gt;, provocou: &lt;i&gt;“mete o cotovelo e vai abrindo o caminho”&lt;/i&gt; e ainda: &lt;i&gt;“todo mundo na praça, muita gente sem graça no salão”&lt;/i&gt;. No auge do Tropicalismo, por ocasião da apresentação de Alegria, alegria no festival da Record, o cantor ressaltou assim sua simpatia pela liberdade de uso da guitarra na música brasileira: &lt;i&gt;“No Rio de Janeiro, disseram: ‘Caetano vai usar guitarra numa música, quando chegar na Bahia vai tomar uma surra de berimbau’. O que eles não sabiam é que os baianos estão além.”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantendo o tom, já que o assunto é a polêmica música boa x música ruim, vale ressaltar que Tom Zé, também tropicalista, em seu mais recente show, expõe impagável &lt;a href="http://tomze.blog.uol.com.br/arch2008-11-30_2008-12-06.html" target="_blank"&gt;análise de um funk carioca&lt;/a&gt; (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XVVmAG0RXmo" target="_blank"&gt;melhor ao vivo&lt;/a&gt;), desenvolvida com o intuito de confirmar informação, publicada em um jornal, de que seu disco &lt;i&gt;Estudando a bossa&lt;/i&gt; sofrera influências desse ritmo. A propósito, um cara tão futurista, à frente do seu tempo e do tempo dos outros, só poderia mesmo ter nascido em Irará, futuro do futuro do verbo ir. Vamos atrás!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Certas Canções (Tunai / Milton Nascimento)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certas canções que ouço&lt;br /&gt;Cabem tão dentro de mim&lt;br /&gt;Que perguntar carece&lt;br /&gt;Como não fui eu que fiz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa emoção me alcança&lt;br /&gt;Corta-me a alma sem dor&lt;br /&gt;Certas canções me chegam&lt;br /&gt;Como se fosse o amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contos da água e do fogo&lt;br /&gt;Cacos de vidas no chão&lt;br /&gt;Cartas do sonho do povo&lt;br /&gt;E o coração pro cantor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida e mais vida ou ferida&lt;br /&gt;Chuva, outono, ou mar&lt;br /&gt;Carvão e giz, abrigo&lt;br /&gt;Gosto molhado no olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calor que invade, arde, queima, encoraja&lt;br /&gt;Amor que invade, arde, carece de cantar&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-8713955040337319044?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/8713955040337319044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=8713955040337319044' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8713955040337319044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8713955040337319044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/03/radio-patrulha.html' title='Rádio patrulha'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-4106589333043483086</id><published>2010-01-24T14:58:00.002-03:00</published><updated>2010-01-24T15:00:55.564-03:00</updated><title type='text'>Era do rádio (pena, não é mais)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S1yKC7VAqOI/AAAAAAAAAKg/oS7why1PXU0/s1600-h/radio.gif" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="227" src="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S1yKC7VAqOI/AAAAAAAAAKg/oS7why1PXU0/s320/radio.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Por maior que tenha sido o impacto do surgimento da internet em nossas vidas, imagino que o da televisão não tenha ficado muito atrás, guardadas as proporções devidas aos diferentes cenários tecnológicos das duas épocas. Ambas as mídias provocaram mudanças – de comportamento, de hábitos, de paradigmas - e, se a televisão, consolidada no Brasil em fins da década de 50, trouxe como resultado inerente o culto à imagem (os trejeitos de Elvis, a cabeleira dos Beatles, a minissaia de Wanderléa, só pra começar), a internet proporcionou interatividade e pulverização da informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do surgimento da televisão, o maior apelo era a voz, o que talvez justifique, em parte, o excesso de impostação típico dos cantores da época. Os artistas eram contratados pelas rádios, onde se apresentavam e divulgavam seus trabalhos. Acesso a música e audiência concentrados em um único meio de comunicação justificaram o surgimento de títulos como rainha da voz - atribuído a &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=EhHKTBOsBPI&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Dalva de Oliveira&lt;/a&gt; - e concursos como rainha do rádio, que coroou, além de Dalva, intérpretes como Emilinha Borba, Marlene e Linda Batista. Além disso, havia uma profusão de grandes compositores, muitos deles oriundos das classes mais pobres, o que Chico Buarque descreveu como um tempo em que o cidadão, sobretudo o cantor, subia o morro para se abastecer de música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse mundo curioso, de rica musicalidade e também inovador, conhecido como a era do rádio, serviu de pano de fundo para a minissérie &lt;i&gt;Dalva e Herivelto – uma canção de amor&lt;/i&gt;, de Maria Adelaide Amaral, exibida, recentemente, pela Rede Globo, cujo tema foi a trajetória artística e amorosa do casal de músicos Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, companheiros por cerca de dez anos. O livro M&lt;i&gt;inhas duas estrelas – uma vida com meus pais &lt;/i&gt;(Globo, 2009), de Ana Duarte e do cantor Pery Ribeiro, filho do casal, foi uma das fontes de pesquisa do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dores de amores sempre inspiraram compositores e deram o tom (o que talvez explique o fato de as notas musicais começarem em dó). Não foi diferente na era do rádio, época em que encontros e desencontros amorosos escaparam às quatro paredes (o peixe pro fundo do mar, não das redes) e, mais do que comentários no rádio e em revistas, renderam belas composições, como as de Herivelto Martins (&lt;i&gt;Cabelos brancos&lt;/i&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HWh5_WRZ6zg" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Caminhemos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;i&gt;Segredo&lt;/i&gt;), dedicadas, em boa parte (ou má, no caso dos desencontros), a Dalva de Oliveira, com quem formou o &lt;i&gt;Trio de Ouro&lt;/i&gt;, junto com o cantor Nilo Chagas. O público acompanhava, atento e admirado, o surgimento dessas canções que retratavam o conturbado relacionamento do casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dalva deu voz às canções de Herivelto e de outros compositores, alguns dos quais a ajudaram nas respostas às provocações musicadas do ex-amor. Com boa parte dos discos, à época, gravados no formato 78 rotações - que comportava poucas canções -, era comum os cantores lançarem vários trabalhos por ano, o que explica, em parte, o tamanho da discografia da rainha da voz (talento e popularidade, certamente, explicam a outra parte), composta por mais de setenta títulos e interpretações marcantes como &lt;i&gt;Bandeira branca&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Que será&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Segredo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Ave Maria no morro&lt;/i&gt; que, mesmo bastante regravadas, são, ainda hoje, associadas à sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Bethânia, cujos arroubos de interpretação sempre a aproximaram dos músicos de gerações anteriores, tinha Herivelto e Dalva como uns de seus compositores e intérpretes preferidos. Seus discos dos anos 70 incluíram, dele, as canções &lt;i&gt;Bom dia&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;*&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;, &lt;i&gt;Camisola do dia&lt;/i&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wm4QVdubqxY&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Atiraste uma pedra&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;i&gt;A Bahia te espera&lt;/i&gt;, esta última uma das mais belas exaltações àquela que ele chama de “cidade da tentação”, que mostrava a ligação do compositor com o candomblé. Sobre Dalva de Oliveira, Bethânia escreveu, em texto do disco &lt;i&gt;Pássaro da manhã (1977)&lt;/i&gt;: &lt;i&gt;“... A Dalva tinha a coragem, o jeito de cantar no palco o que até então eu só tinha coragem e jeito de cantar dentro da minha casa”&lt;/i&gt;. A leitura do texto antecedia &lt;i&gt;Há um Deus&lt;/i&gt; (Lupicínio Rodrigues), outrora gravada por Dalva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versos escritos na segunda pessoa gramatical (&lt;i&gt;Rosa, Carinhoso, Orgulho&lt;/i&gt;) eram forte tendência entre os antigos compositores e Herivelto Martins foi um dos mestres dessa prática que, se por um lado denota aproximação e intimidade com o interlocutor, por outro rebusca os versos e distancia-os da linguagem coloquial, em que, na maior parte do país, o pronome tu é pouco utilizado. Ademais, &lt;i&gt;“você atirou uma pedra no peito de quem só lhe fez tanto bem” &lt;/i&gt;não encerraria tanto sentimento numa mesma afirmação quanto os versos originais. O charme resultante, aliado a um certo ar romântico, poético, justifica essa tendência de uso da segunda pessoa ter perdurado até hoje, mesmo em menor frequência. &lt;i&gt;“Tu não vales nada, mas eu gosto de ti”&lt;/i&gt;, por exemplo, ficaria mais suave, concordas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;* Bom dia (Herivelto Martins – Aldo Cabral)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceu, que surpresa&lt;br /&gt;Me reservava a tristeza&lt;br /&gt;Nessa manhã muito fria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve algo de anormal&lt;br /&gt;Tua voz habitual&lt;br /&gt;Não ouvi dizer bom dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu travesseiro vazio&lt;br /&gt;Provocou-me um arrepio&lt;br /&gt;Levantei-me sem demora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a ausência dos teus pertences&lt;br /&gt;Me disse, não te convences&lt;br /&gt;Paciência, ele foi embora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer no apartamento&lt;br /&gt;Deixaste um eco, um alento&lt;br /&gt;Da tua voz tão querida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu concluí num repente&lt;br /&gt;Que o amor é simplesmente&lt;br /&gt;O ridículo da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num recurso derradeiro&lt;br /&gt;Corri até o banheiro&lt;br /&gt;Pra te encontrar, que ironia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que erro tu cometeste&lt;br /&gt;Na toalha que esqueceste&lt;br /&gt;Estava escrito bom dia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-4106589333043483086?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/4106589333043483086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=4106589333043483086' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4106589333043483086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4106589333043483086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/01/era-do-radio-pena-nao-e-mais.html' title='Era do rádio (pena, não é mais)'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/S1yKC7VAqOI/AAAAAAAAAKg/oS7why1PXU0/s72-c/radio.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-3601146435655417119</id><published>2010-01-11T19:05:00.000-03:00</published><updated>2010-01-11T19:05:11.354-03:00</updated><title type='text'>Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos</title><content type='html'>“Graças ao acordo ortográfico, agora você pode escrever tranquilo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em tempos de Berlusconi, quem tem boca vaia Roma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pane na rede mundial trava línguas: o hacker ruiu o hub da rede em Roma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se nascêssemos maduros e morrêssemos crianças, a vida teria um outro sentido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Senado mergulha no mar de lama e nada. Nada como um peixe atrás do outro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Navegar é preciso. Voar é impreciso.” (lei de Belchior)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Preconceito é conceito ultrapassado. Ultrapasse-o.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Inspira, expira. Inspira, expira. Inspira, expira... A inspiração cessa quando o poeta expira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O cinema nacional virou universal e a arte ficou na promessa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aproveite seu dia, antes que seja tarde e a vida anoiteça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quanto mais convivemos com pessoas simples, mais percebemos que não há nada menos terno do que alguém de terno.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um sorriso vale mais que mil palavras, um abraço vale mais que o dicionário inteiro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para os adúlteros, tudo é uma questão de manter a amante quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Françamente, a vaga na Copa é da Irlanda!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Segura o Sean! Amarra o Sean!... Tanto carnaval pra um assunto tão sério.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oração do pré-sal: Fazei crescer nossos royalties, sem nos deixar cair a arrecadação. Em nome de São Paulo, do Rio, do Espírito Santo, amém.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-3601146435655417119?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/3601146435655417119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=3601146435655417119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/3601146435655417119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/3601146435655417119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2010/01/oracoes-descoordenadas-e-insubordinadas.html' title='Orações descoordenadas e insubordinadas para todos os períodos'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-7728804575425223837</id><published>2009-12-19T00:52:00.002-03:00</published><updated>2009-12-21T23:26:42.739-03:00</updated><title type='text'>Temporal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;No meu tempo, tudo tinha seu tempo &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Mais cedo ou mais tarde &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Hoje, meu futuro se apresenta &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Já era. E agora? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Tenho uma morte inteira pela frente &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Ontem, serei feliz, ao menos um segundo &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Quando? Faz tempo &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Depois de amanhã já é noite &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Luto contra o tempo &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Antes que seja tarde &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Horas a fio, dia após dia, amiúde, sempre &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Não perco tempo. É urgente &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Hoje, porém, eu me rendo e peço &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Antes tarde do que nunca &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; Por um momento esquecer quanto tempo me resta &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; E cada instante, enfim, viver eternamente&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt; (Temporal - Paulo Bap)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo de reflexão. O novo milênio – futurista, cinematográfico, tão imaginado e esperado, decantado em músicas, citado em livros, tema de filmes - chegou e, num piscar de olhos, já se foi sua primeira década. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo de relógio. O tempo é assim, absolutamente relativo. Devagar, quando o queremos rápido. Veloz, quando o queremos lento. Tempo integral, tempo instantâneo. Tão rápido que a unidade de tempo é segundo e não primeiro. Primeiro, o segundo, por fim, o infinito. Mas o que houve antes do primeiro segundo? Indefinitivamente, não sei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo de remediar. O tempo é remédio pra todos os males. Bem ou mal, tudo passa, é só dar tempo ao tempo. Certa pessoa, sempre que via alguém triste, costumava dizer: &lt;i&gt;“não se preocupe, isso é só uma frase”&lt;/i&gt;, como quem diz &lt;i&gt;“isso passa”&lt;/i&gt;. Queria dizer fase, mas, ao confundir, acertava (de fato, isso é só uma frase). O curioso é que se usasse o termo período, em vez de frase, o período – ou frase - manteria os dois sentidos – temporal e gramatical - e o equívoco passaria despercebido: &lt;i&gt;“não se preocupe, isso é só um período”&lt;/i&gt;. Seja como for, uma fase, como uma frase, termina no ponto que a separa da seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo de contradição. O tempo não para, é um paradoxo. O tempo não é temporário, mas passa. Pode ser passatempo, mas também contratempo. É passageiro, mas conduz. Expresso 2222 – &lt;i&gt;“pra 2001 e 2 e tempo afora, até onde essa estrada do tempo vai dar”&lt;/i&gt;. Pra onde vamos e o que fazemos, nesse meio tempo entre o “há pouco” e o “a pouco”, depende de nós. Ainda está em tempo, sempre é tempo. Tempo é dinheiro, que se gasta, mas não se empresta. Tempo real. Não se compra nem se vende. Há tempo pra tudo, há tempo pra todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo de mudar. O tempo de luta por igualdade deve ser, também, tempo de solidariedade. Todos iguais, mas não indiferentes. Individualidade não é individualismo. Ponha-se no seu lugar: ponha-se no meu lugar. O próximo sou eu, você é o próximo. Não perco meu tempo, eu acho. &lt;i&gt;“Tempo rei, oh, tempo rei, transformai as velhas formas do viver”&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS 1 - Citações musicais: Expresso 2222 e Tempo rei (Gilberto Gil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS 2 - Tempo de rir. Rir é contagiante, &lt;a href="http://terratv.terra.com.br/Diversao/Terra-10-Anos/Cenas-Inesqueciveis/4696-255972/Lillian-Witte-Fibe-cai-na-gargalhada.htm" target="_blank"&gt;quer ver&lt;/a&gt;? (Destaque do portal Terra, como um dos melhores vídeos da década)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Oração ao Tempo (Caetano Veloso)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;És um senhor tão bonito &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quanto a cara do meu filho &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vou te fazer um pedido &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Compositor de destinos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tambor de todos os ritmos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Entro num acordo contigo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Por seres tão inventivo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E pareceres contínuo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;És um dos deuses mais lindos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que sejas ainda mais vivo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No som do meu estribilho &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ouve bem o que te digo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Peço-te o prazer legítimo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E o movimento preciso &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Quando o tempo for propício &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De modo que o meu espírito &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ganhe um brilho definido &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E eu espalhe benefícios &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O que usaremos pra isso &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Fica guardado em sigilo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Apenas contigo e migo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E quando eu tiver saído &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para fora do teu círculo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não serei nem terás sido &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo, Tempo, Tempo, Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ainda assim acredito &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ser possível reunirmo-nos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo, Tempo, Tempo, Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Num outro nível de vínculo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo, Tempo, Tempo, Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Portanto peço-te aquilo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E te ofereço elogios &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nas rimas do meu estilo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Tempo Tempo Tempo Tempo&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-7728804575425223837?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/7728804575425223837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=7728804575425223837' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7728804575425223837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7728804575425223837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/12/temporal.html' title='Temporal'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-410520195043426792</id><published>2009-11-29T00:37:00.007-03:00</published><updated>2009-11-29T00:51:49.283-03:00</updated><title type='text'>Os noventistas (ou os últimos poetas musicais do século XX)</title><content type='html'>Depois de duas décadas de ouro para a música brasileira, período em que surgiu com força a chamada MPB, o pop-rock deu as cartas nos anos 80. Trouxe talentos e méritos, mas também coisas de menor qualidade, como tudo que vem em excesso. Conquistou a preferência do público e uma quase exclusividade dos meios de comunicação, necessariamente nessa desordem, o que diminuiu bastante o espaço para outras boas novidades. Tudo isso, aliado ao peso de suceder a uma penca de cantores e compositores magníficos, fez com que uma certa geração pós-ditadura da MPB demorasse mais a pôr as manguinhas de fora e mostrasse sua cara apenas na década seguinte.&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Do meu lado, em parte por decorrência natural do amadurecimento (vá lá, da idade), em parte por ter tido o privilégio de acompanhar, em tempo real, grandes lançamentos da nossa música, de tão preenchido, passei a fechar mais os tímpanos para novidades e, em consequência, demorar mais a assimilá-las. Com atenções merecidamente voltadas a esse museu de grandes novidades, do qual os grandes compositores da primeira geração da MPB eram peças principais, não foi de imediato que passei a apreciar novos talentos que surgiam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Falo da turma de Cássia Eller, Moska, Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Zélia Duncan e, não tão integrados a estes, mas contemporâneos e também desenvolvendo trabalhos de qualidade, Marisa Monte e Adriana Calcanhotto. Alguns deles foram bastante ligados à turma dos anos 80 e, de certa forma, supriram lacuna deixada por Cazuza e Renato Russo. Como Cássia Eller, que gravou várias canções de Nando Reis (ex-Titãs) e Cazuza – é dele e Frejat sua interpretação de maior sucesso, &lt;i&gt;Malandragem&lt;/i&gt; – e Moska, que à época fez parte do grupo Inimigos do Rei. Marisa Monte, que tem parcerias com Nando Reis e Arnaldo Antunes, mereceu destaque imediato em parte por também – e tão bem - romper a barreira entre MPB e pop-rock, entre &lt;i&gt;Rosa&lt;/i&gt; de Pixinguinha e &lt;i&gt;Comida&lt;/i&gt; dos Titãs.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Uma característica frequente nas composições desses noventistas, sobretudo de sua ala masculina, é o uso criativo do jogo de palavras, do qual são exemplos os seguintes versos: &lt;i&gt;“Ah, Caicó arcaico / Em meu peito catolaico / Tudo é descrença e fé”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Respeitem meus cabelos, brancos”&lt;/i&gt; (atenção para a vírgula&lt;i&gt;), “Lágrimas de diamantes / à noite, lágrimas de diamantes / de dia lágrimas, à noite amantes”&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;“Gastei minha sandália havaiana / andando atrás dessa baiana / mas a baiana me vaiou / … / eu disse que vim do Cabo Verde / mas ela me achou imaturo / … / mand'ela vir, mand'ela aqui, mand'ela cá”&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; “Minha diva, meu divã / Minha manha, meu amanhã / Meu lá, minha lã / Minha paga, minha pagã / Meu velar, meu avelã”&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;*&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Vozes femininas costumam falar de sentimentos com propriedade e, na geração que aflorou nos anos 90, elas vieram de mulheres que eram, também, compositoras, as quais conquistaram importante espaço ao colocarem em versos tanta sensibilidade: &lt;i&gt;“Meu coração toda vez que te vê / quer gritar, se arriscar, sair cantando / me delatando pra todo mundo / pensa que está fora do alcance / ... / mas fecho os olhos então / e ele fica mudo / meu escuro é meu escudo / e silencioso é meu coração”, “Entre por essa porta agora / e diga que me adora / você tem meia hora / pra mudar a minha vida”, “Deixa eu dizer que te amo / deixa eu pensar em você / isso me acalma / me acolhe a alma / isso me ajuda a viver”&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;**&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Entre Cássia Eller, Zélia Duncan, Adriana Calcanhotto e Marisa Monte, apenas a primeira não compunha com assiduidade. Claro que as gerações anteriores, de época tão rica e fértil para a nossa música, já traziam um toque feminino nas composições (Rita Lee, Ângela Rô Rô, Marina Lima, Joyce, entre outras, para citar apenas as de duplo ofício), mas grandes cantoras, como Maria Bethânia, Elis Regina, Gal Costa, Elba Ramalho e Zizi Possi, eram, sobretudo, intérpretes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Esta fusão de tendências das duas décadas anteriores representa bem o amadurecimento de uma geração que, nascida ou crescida durante a ditadura militar, desestimulada a pensar, expressar-se, a participar de movimentos e discussões por tantos anos, viu-se perdida quando, enfim, conquistou a liberdade, numa década que começou quando um sonho acabou – a morte de John Lennon - e acabou quando outro começou – a queda do muro de Berlim. Geração perdida e década perdida, por sinal, são designações recorrentes quando se fala dessa época, mas, parafraseando Gilberto Gil, &lt;i&gt;uma semente de ilusão tem que morrer pra germinar&lt;/i&gt;. Estamos no tempo de colher os frutos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="border-bottom: 1px solid #000000; border-left: none; border-right: none; border-top: none; margin-bottom: 0cm; padding-bottom: 0.07cm; padding-left: 0cm; padding-right: 0cm; padding-top: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* Trechos das canções: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A prosa impúrpura do Caicó&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Respeitem meus cabelos, brancos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Chico César), &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Lágrimas de diamantes &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Moska), &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mand'ela&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Chico César e Zeca Baleiro) e &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Meu amanhã&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Lenine). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;** Trechos das canções: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Toda vez&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Zélia Duncan e Christian Oyens), &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vambora&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Adriana Calcanhotto) e &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Amor I love you&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Marisa Monte e Carlinhos Brown)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Mais pérolas em vídeo: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_tjalOQJgP8" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Zélia Duncan - Me revelar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Zélia Duncan e Christian Oyens), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=AnFnUUxN7lM" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Chico César - À primeira vista&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Chico César), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2IBnfdO-iA0&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=A6849B0716C21AEF&amp;amp;index=1" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Moska - Pensando em você&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Moska), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Bg6AdpC-Zo8&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Adriana Calcanhotto - Mentiras&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Adriana Calcanhotto), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7AcK1TOVAB4&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=D69815D55694CE76&amp;amp;index=45" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Marisa Monte - Paradeiro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Marisa Monte e Arnaldo Antunes), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XVVmAG0RXmo" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Cássia Eller - Por enquanto&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Renato Russo), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=saw8Y1RJJtA" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Zeca Baleiro - Quase nada&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Zeca Baleiro e Alice Ruiz) e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dgh38jTsyMQ&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Lenine - Paciência&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; (Lenine e Dudu Falcão). &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-410520195043426792?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/410520195043426792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=410520195043426792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/410520195043426792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/410520195043426792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/11/os-noventistas-ou-os-ultimos-poetas.html' title='Os noventistas (ou os últimos poetas musicais do século XX)'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-1016284066723183500</id><published>2009-10-29T13:06:00.003-03:00</published><updated>2009-10-29T13:20:44.224-03:00</updated><title type='text'>Sem perder a ternura</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sum9PQZGFLI/AAAAAAAAAKY/Ssc_2X9-lTQ/s1600-h/mercedes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sum9PQZGFLI/AAAAAAAAAKY/Ssc_2X9-lTQ/s400/mercedes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 70, quando vários países latino-americanos viviam em regime de ditadura, artistas dessas nações decidiram enfrentar seus problemas comuns cantando e compondo canções de protesto e, principalmente, unindo esforços e promovendo uma integração da região através da música. Seguindo o estilo agridoce da chilena Violeta Parra, Pablo Milanéz e &lt;a href="http://www.mercedessosa.com.ar/" target="_blank"&gt;Mercedes Sosa&lt;/a&gt; foram alguns desses artistas e, no Brasil, Chico Buarque e Milton Nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, devido a fatores como língua diferente e maior extensão territorial, além de uma rica cultura, sempre tendeu a isolar-se dos países vizinhos e esses cantores foram dos poucos que conseguiram quebrar essa barreira. No momento em que lamentamos a perda de um dos ícones dessa música latino-americana e uma de suas mais belas vozes - a cantora argentina Mercedes Sosa -, louvar o papel social que eles desempenharam por meio do canto, sem perder a ternura, faz-se mais do que necessário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A integração de seus cantos refletia a certeza de que, em se tratando de respeito aos direitos humanos, solidariedade, tolerância, luta contra preconceitos e injustiças sociais, desmancham-se fronteiras e não existem pátrias, apenas pessoas. Todos irmãos, em busca de liberdade, como cantou Mercedes em &lt;i&gt;Venas abiertas&lt;/i&gt;* (Mario Schajris/Leo Sujatovich) ou em &lt;i&gt;Los hermanos&lt;/i&gt; (Atahualpa Yupanqui): &lt;i&gt;"Yo tengo tantos hermanos / Que no los puedo contar / En el valle, la montaña, / En la pampa y en el mar / Cada cual con sus trabajos / Con sus sueños cada cual / Con la esperanza delante / Con los recuerdos detras / … / Yo tengo tantos hermanos / Que no los puedo contar / Y una hermana muy hermosa / Que se llama libertad"&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa época em que a liberdade se fez restrita, a juventude, por natureza já identificada com o tema, sentiu-se ainda mais atraída por ele. Os jovens reconheciam-se como peças importantes da história, nos versos de &lt;i&gt;Coração de estudante&lt;/i&gt; (Milton Nascimento / Wagner Tiso): &lt;i&gt;"Já podaram seus momentos / desviaram seu destino / seu sorriso de menino / quantas vezes se escondeu / mas renova-se a esperança / nova aurora a cada dia / e há que se cuidar do broto / pra que a vida nos dê flor e fruto"&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Me gustan los estudiantes&lt;/i&gt; (Violeta Parra): &lt;i&gt;"Que vivan los estudiantes / jardín de nuestra alegría / son aves que no se asustan / de animal ni policía / Y no le asustan las balas / ni el ladrar de la jauría"&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de Mercedes Sosa soava como um lamento triste, mas não resignado e com uma força que parecia apenas encontrar explicação no título de um de seus discos - &lt;i&gt;Traigo un pueblo en mi voz&lt;/i&gt; -, tirado de canção de seu repertório. A luta contra um imperialismo que favorecia governos de exceção em nosso continente fez crescer em seu povo um forte sentimento de latinidade e busca das raízes, o que ia ao encontro do trabalho da cantora, já desde o início comprometido com o canto popular e a música de raiz. As canções de protesto justificaram-se por esse mesmo contexto, mas a música de Mercedes Sosa foi mais além e também cantou o amor, em suas várias fases. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor em plenitude, como em &lt;i&gt;Volver a los 17&lt;/i&gt; (Violeta Parra), com Milton Nascimento: &lt;i&gt;"Volver a los diecisiete después de vivir un siglo / Es como descifrar signos sin ser sabio competente / Volver a ser de repente tan frágil como un segundo / Volver a sentir profundo como un niño frente a dios / Eso es lo que siento yo en este instante fecundo / … / El amor es torbellino de pureza original / Hasta el feroz animal susurra su dulce trino / Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros / El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño / Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero"&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o amor sereno, como em &lt;i&gt;Años&lt;/i&gt; (Pablo Milanéz), com Fagner: &lt;i&gt;"El tiempo pasa / Nos vamos poniendo viejos / Yo el amor no lo reflejo como ayer / En cada conversación / Cada beso cada abrazo / Se impone siempre un pedazo / De razón / … / A todo dices que sí / A nada digo que no / Para poder construir / Esta tremenda armonía / Que pone viejo los corazones"&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a arte une os povos, a música, dentre todas as suas formas, é a mais propícia a sentimentos de irmandade e união. Onde há música, há harmonia. Enquanto num evento esportivo a plateia divide-se, na música há um despertar conjunto de sentimentos que, no caso dessas linhas tortas da nossa história, mais uma vez, se não pôde mudar o rumo dos acontecimentos, certamente eternizou lembranças, celebrou conquistas, registrou momentos, abrandou dores, aliviou pesares e contribuiu para que a definitiva noite não se instalasse em Latinoamérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Obs.: &lt;a href="http://www.cancioneros.com/" target="_blank"&gt;Cancioneros.com&lt;/a&gt; é uma página sobre cantores da América Latina de várias gerações, da chilena Violeta Parra ao uruguaio Jorge Drexler, com informações como discografia e letras de músicas, bem como artigos e livros ligados ao tema.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Os vídeos de algumas das canções citadas neste texto podem ser assistidos em: &lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1328798-7085,00.html" target="_blank"&gt;http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1328798-7085,00.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Venas abiertas (Mario Schajris-Leo Sujatovich)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;America latina&lt;br /&gt;Tiene que ir de la mano&lt;br /&gt;Por un sendero distinto&lt;br /&gt;Por un camino mas claro&lt;br /&gt;Sus hijos ya no podremos&lt;br /&gt;Olvidar nuestro pasado&lt;br /&gt;Tenemos muchas heridas&lt;br /&gt;Los latinoamericanos&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Vivimos tantas pasiones&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Con el correr de los años&lt;br /&gt;Somos de sangre caliente&lt;br /&gt;Y de sueños postergados&lt;br /&gt;Yo quiero que estemos juntos&lt;br /&gt;Porque debemos cuidarnos&lt;br /&gt;Quien nos lastima no sabe&lt;br /&gt;Que somos todos hermanos&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Y nadie va a quedarse a un lado&lt;br /&gt;Nadie mirara al costado&lt;br /&gt;Tiempo de vivir&lt;br /&gt;Tiempo de vivir&lt;br /&gt;Nada de morir&lt;br /&gt;Vamos a buscar lo que deseamos&lt;br /&gt;Nadie va a quedarse a un lado&lt;br /&gt;Pronto ha de llegar&lt;br /&gt;Tiempo de vivir&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Nada nos regalaron&lt;br /&gt;Hemos pagado muy caro&lt;br /&gt;Quien se equivoca y no aprende&lt;br /&gt;Vuelve a estar equivocado&lt;br /&gt;Tenemos venas abiertas&lt;br /&gt;Corazones castigados&lt;br /&gt;Somos fervientemente&lt;br /&gt;Latinoamericanos&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Y cuando vengan los dias&lt;br /&gt;Que nosotros esperamos&lt;br /&gt;Con todas las melodias&lt;br /&gt;Haremos un solo canto&lt;br /&gt;El cielo sera celeste&lt;br /&gt;Los vientos habran cambiado&lt;br /&gt;Y nacera un nuevo tiempo&lt;br /&gt;Latinoamericano&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-1016284066723183500?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/1016284066723183500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=1016284066723183500' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/1016284066723183500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/1016284066723183500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/10/sem-perder-ternura.html' title='Sem perder a ternura'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sum9PQZGFLI/AAAAAAAAAKY/Ssc_2X9-lTQ/s72-c/mercedes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-7484394195555380310</id><published>2009-10-02T18:32:00.005-03:00</published><updated>2009-10-20T23:58:26.383-03:00</updated><title type='text'>Confidências mineiras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SsZxIafK-jI/AAAAAAAAAKQ/ZzUHO-UZGvw/s1600-h/clube-da-esquina.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SsZxIafK-jI/AAAAAAAAAKQ/ZzUHO-UZGvw/s200/clube-da-esquina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Enquanto no âmbito de nosso microuniverso - sobretudo nas grandes cidades - vivemos enclausurados, pouco interagindo com o próximo, no mundo globalizado rompemos barreiras e limitações de distância, num paradoxo que tem tornado o mundo cada vez mais uniforme e com menos peculiaridades regionais. Nesse cenário, recebemos mais influências de uma antena parabólica ou de um modem 3G do que de um vizinho de porta, um transeunte do bairro, um zé da praça ou um amigo da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As esquinas das cidades resgatam esse sentido de algo familiar, próximo, um ponto de encontro, ao mesmo tempo em que remetem a uma ideia de passagem, multiplicidade de caminhos, transitoriedade, alternativas, fim e começo, diferentes pontos de vista. Num lugar qualquer de Belo Horizonte, músicos criaram, na década de 70, o &lt;i&gt;Clube da Esquina&lt;/i&gt; que, se não era um clube real, traduzia no nome todo esse espírito, bastante apropriado. O encontro desses jovens músicos resultou em dois discos, &lt;i&gt;Clube da Esquina&lt;/i&gt; (1972) e &lt;i&gt;Clube da Esquina 2&lt;/i&gt; (1978).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses trabalhos coletivos, Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes revezaram-se nos vocais e instrumentos, contando com a parceria de Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Márcio Borges na maioria das composições, com um excelente time de instrumentistas, entre eles Toninho Horta e, ainda, com arranjos de Wagner Tiso e Eumir Deodato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As canções tinham forte apelo instrumental, marca registrada do grupo. Algumas tinham melodias iguais para letras diferentes, outras eram puramente instrumentais e duas delas - &lt;i&gt;Cais&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Um gosto de sol&lt;/i&gt;* – possuíam uma mesma passagem melódica, bem conhecida. Era como se a mensagem estivesse mais no som do que nas letras e aquele, disposto em linhas melódicas bem trabalhadas e não triviais, precisasse ser mais enfatizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, as letras suscitavam reflexões (&lt;i&gt;Maria, Maria&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Nada será como antes&lt;/i&gt; são bons exemplos), mas, em boa parte, não continham mensagens lineares, diretas ou claras, o que, de certa forma, aproximava-os, ainda que por estilos bem diferentes, de seus contemporâneos Secos &amp;amp; Molhados, Raul Seixas e Novos Baianos. Ivan Vilela, músico e professor da USP, em artigo publicado no &lt;a href="http://www.museuclubedaesquina.org.br/" target="_blank"&gt;museu virtual Clube da Esquina&lt;/a&gt;, observa que, nas letras das canções, &lt;i&gt;"pouco se encontra da estrutura de romance ou de narrativas, histórias ou situações das quais se pode tirar alguma moral ou mensagem"&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de transitoriedade revela-se, nas canções, em temas como dia e noite, manhã e tarde, lua e estrela, sol e chuva, estrada e terra, vento e poeira, mar e rio, céu e chão. Luzes, paisagens, sonhos e cidades - saídas e bandeiras, sonho virando terra, pedra virando corpo, um girassol da cor do seu cabelo. Outra característica é a celebração ao amor e à amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescia, à época, a ligação entre músicos da América Latina, e Milton foi personagem fundamental nesse processo. No primeiro &lt;i&gt;Clube da Esquina&lt;/i&gt;, a canção &lt;i&gt;Os povos&lt;/i&gt;, dele e de Márcio Borges, é dedicada à juventude consciente da Venezuela. No segundo disco, Chico Buarque divide os vocais com Milton, em uma adaptação sua a &lt;i&gt;Canción por la unidad latinoamericana&lt;/i&gt;, de Pablo Milanés. O coração americano é exaltado, também, em &lt;i&gt;San Vicente&lt;/i&gt; (Milton Nascimento / Fernando Brant). Havia, também, a influência dos Beatles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os sonhos não envelhecem, vieram discípulos como Flávio Venturini (que também fez parte do &lt;i&gt;Clube da Esquina 2&lt;/i&gt;) e Samuel Rosa (Skank), que, em parceria com Lô Borges, compôs, recentemente, a bela Dois Rios. Em 1996, Márcio Borges, um dos sócios do clube, escreveu o livro &lt;i&gt;"Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina"&lt;/i&gt;. Histórias de um grupo de jovens que fez a música brasileira renascer e dobrar a esquina, tendo à frente um cara que iniciou a trajetória com travessia, tem na voz um instrumento e no nome a palavra nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;"Se Deus cantasse, cantaria com a voz de Milton Nascimento" (Elis Regina)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Um gosto de sol (Milton Nascimento/Ronaldo Bastos)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que vi de passagem&lt;br /&gt;Numa cidade estrangeira&lt;br /&gt;Lembrou os sonhos que eu tinha&lt;br /&gt;E esqueci sobre a mesa&lt;br /&gt;Como uma pêra se esquece&lt;br /&gt;Dormindo numa fruteira&lt;br /&gt;Como adormece o rio&lt;br /&gt;Sonhando na carne da pêra&lt;br /&gt;O sol na sombra se esquece&lt;br /&gt;Dormindo numa cadeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém sorriu de passagem&lt;br /&gt;Numa cidade estrangeira&lt;br /&gt;Lembrou o riso que eu tinha&lt;br /&gt;E esqueci entre os dentes&lt;br /&gt;Como uma pêra se esquece&lt;br /&gt;Sonhando numa fruteira&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-7484394195555380310?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/7484394195555380310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=7484394195555380310' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7484394195555380310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/7484394195555380310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/10/confidencias-mineiras.html' title='Confidências mineiras'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SsZxIafK-jI/AAAAAAAAAKQ/ZzUHO-UZGvw/s72-c/clube-da-esquina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-6112092796930518873</id><published>2009-09-05T16:37:00.008-03:00</published><updated>2009-09-05T17:12:36.861-03:00</updated><title type='text'>Baião de dois</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SqK9A8ZKCQI/AAAAAAAAAJ4/cUxAMHFwkps/s1600-h/gonzaga-humberto2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SqK9A8ZKCQI/AAAAAAAAAJ4/cUxAMHFwkps/s200/gonzaga-humberto2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Salve o compositor popular. Se aquele que se presta a esta ocupação e anima a festa imodesta da nossa música, como exaltado por Caetano Veloso, sempre foi um espécime pouco conhecido, com o advento do MP3 e a consequente desmaterialização do disco, tornou-se quase uma incógnita. A equação fica mais fácil quando as parcerias são constantes ou frequentes, como João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vítor Martins, Milton Nascimento e Fernando Brandt, Roberto e Erasmo Carlos, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Ainda assim, o destaque é maior para os também cantores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações sobre esses ilustres desconhecidos - ou menos conhecidos -, os compositores, são sempre interessantes e bem-vindas e é a isso que se propõe o documentário &lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM890220-7822-ASSISTA+AO+TRAILER+DO+FILME+O+HOMEM+QUE+ENGARRAFAVA+NUVENS,00.html" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;O homem que engarrafava nuvens&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, de Lírio Ferreira (&lt;i&gt;Baile perfumado, Cartola - música para os olhos&lt;/i&gt;), sobre o compositor, deputado federal (!) e advogado cearense Humberto Teixeira, parceiro de Gonzagão. A produção é da atriz carioca Denise Dummont, conhecida de quem já passou dos 30 anos, por já ter feito parte do elenco da Rede Globo de Televisão, em tempos idos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título poético vem de depoimento de Teixeira, em que ele dizia gostar de ficar em casa, engarrafando nuvens. O filme foi lançado em meio às homenagens em memória dos 30 anos – completados em 2009 -, da morte do compositor, conhecido como o doutor do baião, referência ao estilo que criou junto com Luiz Gonzaga, o rei do baião. Este, por sua vez, também vem recebendo homenagens, em memória dos 20 anos de sua morte. A dupla compôs grandes clássicos do nosso cancioneiro, músicas belíssimas como &lt;i&gt;Assum preto*, Qui nem jiló, Estrada de Canindé, Juazeiro e Asa branca&lt;/i&gt;, o hino do nordeste independente imaginado pelos compositores Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que tenha como motivação maior e principal mérito mostrar a importância do doutor do baião para a música brasileira, o filme aborda, também, aspectos pessoais de sua vida, centrados no relacionamento entre ele e Denise Dummont, pai e filha. Quando se separou de Teixeira, a mãe de Denise foi morar nos Estados Unidos e a atriz ficou morando com o pai que, contrário a sua carreira artística, não permitiu que ela usasse seu sobrenome. Diferenças de ideias e valores provocaram um certo distanciamento entre eles, superado ao longo do tempo de convivência. Além do estigma do nordestino, de ter costumes conservadores, o pai levava para casa, também, o estigma do compositor, de ser sujeito pouco conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relações humanas conflituosas costumam render bons enredos de filmes, sejam eles de ficção ou baseados em fatos reais. Expõem-se os dramas e, ao apagar das luzes, o público, paciente, transforma sessão de cinema em sessão de análise. Quando uma das partes envolvidas nesse conflito participa da criação da obra, os efeitos terapêuticos especiais transpõem a tela e a projeção cinematográfica serve de expurgo às projeções psicanalíticas de seus próprios criadores, em suas relações. Quando tais relações envolvem, do outro lado, artistas ou pessoas públicas em geral, aumentam o interesse e a curiosidade. Exemplo recente foi &lt;a href="http://paulobap.blogspot.com/2009/01/quando-o-corao-fala-mais-alto.html" target="_blank"&gt;&lt;i&gt;Maysa – Quando fala o coração&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, série televisual dirigida por Jayme Monjardim, filho da cantora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SqLEYjmeMNI/AAAAAAAAAKI/VPpYK9BA5v4/s1600-h/gonzaga-humberto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SqLEYjmeMNI/AAAAAAAAAKI/VPpYK9BA5v4/s320/gonzaga-humberto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para o público, &lt;i&gt;O homem que engarrafava nuvens&lt;/i&gt; também é uma terapia no aspecto musical. Uma análise poético-musical coletiva, com apresentação de canções e depoimentos que ressaltam a importância do baião para a música popular brasileira, confirmando a versão de Gilberto Gil, de que ele vem de baixo do barro do chão, e mostrando onde chegou, do outro lado do mundo, graças a Gonzaga e Teixeira. Gil, como tantos outros, é admirador e seguidor do trabalho da dupla, responsável, segundo ele, por uma revolução em sua vida: &lt;i&gt;“Quando ouvi essas coisas fiquei louco, estou louco até hoje”&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;“São as grandes famílias reais musicais brasileiras, duas dinastias, a do samba e a do baião”&lt;/i&gt;, afirma ele, também, em depoimento ao filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano, outro admirador da dupla, homenageou Humberto Teixeira, o saudoso poeta, em sua canção &lt;i&gt;Terra&lt;/i&gt;, do disco &lt;i&gt;Muito&lt;/i&gt;, de 1978: &lt;i&gt;“mando um abraço pra ti, pequenina, como se eu fosse o saudoso poeta e fosses a Paraíba”&lt;/i&gt;, em que faz referência ao trecho &lt;i&gt;“hoje eu mando um abraço pra ti, pequenina”&lt;/i&gt;, da canção &lt;i&gt;Paraíba&lt;/i&gt;, dos criadores do baião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocando fundo e descrevendo tão bem a alma do brasileiro nordestino, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira sempre fizeram valer a máxima, criada por eles, de que &lt;i&gt;“se o baião é bom sozinho, que dirá baião de dois”&lt;/i&gt;. E que dois. Ou, como diria uma saudosa tia, que ambos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;* Assum preto (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em vorta é só beleza&lt;br /&gt;Sol de abril e a mata em frô&lt;br /&gt;Mas Assum Preto, cego dos óio&lt;br /&gt;Num vendo a luz, ai, canta de dor &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarvez por ignorança&lt;br /&gt;Ou mardade das pió&lt;br /&gt;Furaro os óio do Assum Preto&lt;br /&gt;Pra ele assim, ai, cantá mió&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assum Preto veve sorto&lt;br /&gt;Mas num pode avuá&lt;br /&gt;Mil vez a sina de uma gaiola&lt;br /&gt;Desde que o céu, ai, pudesse oiá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assum Preto, o meu cantar&lt;br /&gt;É tão triste como o teu&lt;br /&gt;Também roubaro o meu amor&lt;br /&gt;Que era a luz, ai, dos óios meus&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-6112092796930518873?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/6112092796930518873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=6112092796930518873' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6112092796930518873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6112092796930518873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/09/baiao-de-dois.html' title='Baião de dois'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SqK9A8ZKCQI/AAAAAAAAAJ4/cUxAMHFwkps/s72-c/gonzaga-humberto2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-5172492211976937354</id><published>2009-08-13T10:34:00.007-03:00</published><updated>2009-08-19T09:19:33.656-03:00</updated><title type='text'>Poesia e música - relações íntimas de um par perfeito</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SoQaDKKNDFI/AAAAAAAAAJw/4iXiD0zAbwc/s1600-h/encantada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369445297301556306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SoQaDKKNDFI/AAAAAAAAAJw/4iXiD0zAbwc/s320/encantada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A canção está chegando ao fim? Letra de música é poesia? Qualquer amante dessas duas formas de expressão – canção e poesia - já se deparou com tais questionamentos, cuja melhor resposta é não haver resposta. Trata-se do tipo de discussão clássica em que a conclusão é o que menos importa. Uma nova oportunidade de discussão – sem conclusão - desses temas foi criada por meio do documentário &lt;a href="http://www.palavraencantada.com.br/"&gt;Palavra Encantada&lt;/a&gt;, de Helena Solberg e Márcio Debellian, que analisa a relação entre poesia e música, por meio de depoimentos de Adriana Calcanhoto, Chico Buarque, Maria Bethânia, Lenine, Martinho da Vila, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Zélia Duncan, Tom Zé, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra começo de conversa, o compositor Paulo César Pinheiro, um dos grandes poetas do nosso cancioneiro que, em &lt;em&gt;Poder da criação&lt;/em&gt;, descreve a arte de compor (&lt;em&gt;"Não, ninguém faz samba só porque prefere. Força nenhuma no mundo interfere sobre o poder da criação. Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito. Nem se refugiar em lugar mais bonito, em busca da inspiração"&lt;/em&gt;), afirma, no filme, que não há como negar que Chico Buarque é poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Chico, por sua vez, afirma que não (ou nega que sim) e não é por modéstia. Diz que escreve letras direcionadas para a música, palavras que só estão ali por causa dela, que dançam conforme a música e cita como exemplo a letra da canção &lt;em&gt;Uma palavra&lt;/em&gt;, de sua autoria, em que a palavra palavra repete-se, ao final de vários versos, por exigência da melodia (&lt;em&gt;"Palavra prima / Uma palavra só, a crua palavra / Que quer dizer tudo / Anterior ao entendimento, palavra / Palavra viva, palavra com temperatura, palavra / Que se produz muda / Feita de luz mais que de vento, palavra"&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fenômeno pelo qual passa o letrista - e não o poeta – tem outro exemplo claro, que ora me vem à mente: o caso &lt;em&gt;Romaria&lt;/em&gt;, de Renato Teixeira. Um dos melhores versos dessa canção, imortalizada por Elis Regina, foi feito por exigência da melodia. O compositor não conseguia concluir uma estrofe e só após um longo tempo chegou à solução, ao repetir três vezes a expressão final, encaixando letra e música: &lt;em&gt;"como eu não sei rezar, só queria mostrar &lt;strong&gt;meu olhar, meu olhar, meu olhar&lt;/strong&gt;"&lt;/em&gt;. Pura poesia, não poderia ter ficado melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar da repercussão da Bossa Nova em sua geração, Chico afirma que, ao conversar com pessoas de gerações posteriores, costuma constatar que elas não sofreram tamanho impacto, por já terem pegado o bonde andando e estarem acostumados com aquele tipo de som, não mais uma novidade. É como penso, sempre que me vejo dividido entre a admiração por esse estilo e uma certa frustração por não sentir todo seu impacto, representado, sobretudo, pela bela canção &lt;em&gt;Chega de saudade&lt;/em&gt;, pela voz dos intérpretes e pela batida de violão de João Gilberto. O maior mérito estava nas mudanças de padrões, coisas que só quem escutou no rádio Sílvio Caldas ou Orlando Silva seguidos de João Gilberto ou Tom Jobim pôde entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia agrada a alguns, música instrumental, a outros, mas ambas estão longe de serem unanimidade. É na canção popular que essas duas partes - representadas por letra e melodia -, juntam-se e atingem seu maior público. Alguns poetas até enveredam para esse ramo - como Vinícius de Moraes – ou são tragados por ele, em parcerias como Chico e João Cabral (que não gostava de música); Fagner e Ferreira Gullar ou Cecília Meireles. Maria Bethânia recita poesias antes de canções - momentos sublimes, como &lt;em&gt;Soneto de fidelidade&lt;/em&gt; seguido de &lt;em&gt;Céu de Santo Amaro&lt;/em&gt; - e Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) aproxima a poesia de João Cabral de um público mais jovem, que costuma recitar de cor, junto com ele, versos do poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, ao juntar-se letra e música, a mensagem contida naquela, muitas vezes, passa despercebida. É o caso, por exemplo, de uma poesia que Antônio Cícero recita no filme, feita por ele para seu pai, que se transformou numa canção gravada por sua irmã Marina Lima, na década de 90: &lt;em&gt;Eu vi o rei &lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;/span&gt;. Poeta de uma geração mais nova, Cícero nunca imaginou que suas poesias se prestariam para compor uma canção - nem as escrevia com essa intenção - até ser estimulado por Marina, sua parceira em várias músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de imagens históricas - como uma impagável entrevista com Caetano Veloso, após sua interpretação de &lt;em&gt;Alegria, alegria&lt;/em&gt;, num dos festivais da TV Record -, os depoimentos enriquecem o filme. Lenine atribui à miscigenação o fato de estarmos à frente dos europeus na música popular. Ferréz comenta a forte ligação entre rap e repente (até fonética, como acabo de perceber) ou cordel, estes, por sua vez, reverenciados por Arnaldo Antunes, mestre das meias palavras, não as que dissimulam, mas as que bastam ao bom entendedor. Tom Zé exalta o rico e singular jeito de falar do sertanejo, sobretudo o iletrado, que faz da audição sua antena parabólica. Fala, ainda, das deliciosas ousadias de Dorival Caymmi em suas canções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovens baixam músicas pela internet, lojas de disco rareiam: mudaram os paradigmas. Completa o quadro a natural diminuição das possibilidades de músicas – indutora da idéia de que "no meu tempo elas eram melhores" - o que, como diz José Miguel Wisnik, não significa que a canção esteja chegando ao fim, muito menos no Brasil, onde, segundo ele, criou-se uma música popular forte que, ao unir a leveza das canções a poesia de qualidade, conquistou um público cativo. O tema dá margem a vários filmes e &lt;em&gt;Palavra (En)cantada&lt;/em&gt; poderia ser como &lt;em&gt;Sexta-feira 13&lt;/em&gt;, que chega à parte 12 em 2009. Afinal, a canção é como Jason, personagem principal deste filme: quando se supõe seu desaparecimento, ela ressurge, com força.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;* Eu vi o rei (Marina Lima /Antônio Cícero)&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu vi o rei chegar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um rei assim&lt;br /&gt;Que não escuta bem&lt;br /&gt;Que adora luz&lt;br /&gt;Mas não vê ninguém&lt;br /&gt;Prefere olhar&lt;br /&gt;O horizonte, o céu&lt;br /&gt;Longe daqui&lt;br /&gt;é tudo seu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Seu sangue azul&lt;br /&gt;Ninguém diz de onde vem&lt;br /&gt;De que sertão&lt;br /&gt;De que mar, que além&lt;br /&gt;E para nós&lt;br /&gt;Ele jamais se abriu&lt;br /&gt;Só uma vez&lt;br /&gt;Quando partiu&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um rei assim&lt;br /&gt;Cultiva solidão&lt;br /&gt;Sombria flor&lt;br /&gt;No coração&lt;br /&gt;E claro é&lt;br /&gt;Que o pêndulo do amor&lt;br /&gt;Às vezes vai&lt;br /&gt;Até a dor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer&lt;br /&gt;Que eu não sofri demais&lt;br /&gt;Mas devo dizer&lt;br /&gt;Que acordei&lt;br /&gt;Mesmo sem ser&lt;br /&gt;Tudo que eu imaginei&lt;br /&gt;Devo dizer&lt;br /&gt;Que eu o amei&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eu vi o rei chegar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-5172492211976937354?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/5172492211976937354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=5172492211976937354' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5172492211976937354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/5172492211976937354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/08/poesia-e-musica-relacoes-intimas-de-um.html' title='Poesia e música - relações íntimas de um par perfeito'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SoQaDKKNDFI/AAAAAAAAAJw/4iXiD0zAbwc/s72-c/encantada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2867932941342700930</id><published>2009-07-16T00:47:00.003-03:00</published><updated>2009-07-30T08:39:15.842-03:00</updated><title type='text'>Conversa com verso - 2009.1</title><content type='html'>Primeiro, vamos dar vivas a um caboclo brasileiro, figura simples e bacana, que faria noventa anos daqui a algumas semanas. É Jackson do Pandeiro, coqueiro das terras paraibanas, gênio do cancioneiro brasileiro, ritmista inovador e ligeiro, que pôs pra cantar o país inteiro e eternizou uma porção de música bacana, como Sebastiana e o sambinha Chiclete com banana*, que ironiza a invasão americana em nosso terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro Jackson, este não do pandeiro nem brasileiro, nascido em Indiana, em terra norte-americana, sucesso aqui e no estrangeiro, deixou seus fãs em desespero, ao perder a vida tão ligeiro. Michael parecia um doidivanas, mas era figura humana, mesmo com uma ou outra atitude leviana, como o caso derradeiro do abacaxi que quis deixar pra Diana, de tomar conta de seus herdeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois Jackson, o segundo e o primeiro, podem agora compartilhar o tal batuque brasileiro, como decantado pelo primeiro, no tal sambinha que deu ibope, do Chuí ao Oiapoque. É o rei do coco e o rei do pop, num tiru-riru-bop-bip-bop, misturando samba com rock, Paraíba com Nova York, rala-bucho com moonwalk, cantando Ben ligeiro, no compasso do pandeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo a Temer na Câmara e procurando Sarney pra se coçar no Senado, o negócio ficou complicado. Passagem aérea pra deputado e apadrinhado, excesso de empregado no Senado, tudo com cargo comissionado, bem remunerado, tratando o público como privado. O ardil é completo e a parente. É decreto discreto, descrédito consignado, ato secreto beneficiando filho e neto, namorado, cunhado, afilhado. Aparentado pra todo lado, todo o mundo quieto, com bico calado, feito menino levado quando faz algo errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prejuízo é concreto, não pode ser desprezado e a gente deve ficar ligado em qualquer ato abjeto, que possa ser objeto de questionamento direto ou investigado por ser incorreto. Com ou sem foro privilegiado, se o culpado não é cassado, se Agaciel é agraciado, o país fica desmoralizado e o Senado taxado de casa dos horrores é o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vírus H1N1, ao que parece, não é pior que o da gripe comum, cujo mal é quase nenhum e não merece a alcunha de espanhola do século XXI, já que a proporção entre quem padece e quem falece é de duzentos pra um. Mas o cidadão comum não esquece que o vírus virou pandemia pra OMS e faz prece pra que ela diminua o stress e confesse que o risco do H1N1 é nenhum, ou quase nenhum, se não o pânico cresce e o pandemônio recrudesce, enquanto a pandemia permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Lugo, vulgo super-pai, entrou nos anais da sociedade do Paraguai e de lá não sai mais. Com tantos DNA’s iguais, virou pai de aluguel e convocou nos jornais: criancinhas a Lugo. Não o julgo, mas daqui a um pouco mais, todo meu Paraguai vai chamá-lo de papai, e ele, como bispo e político, vai ficar sob o jugo de episco-pais que substituem votos de castidade por votos eleitorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, na desunião européia, dividido em suas relações exteriores, Sarkozy levou Berlusconi na Bruni e foi mandado à Merkel por um Zapatero que nunca viu mais Gordon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;* Chiclete com banana (Gordurinha)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só ponho bip-bop no meu samba&lt;br /&gt;Quando o Tio Sam pegar o tamborim&lt;br /&gt;Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba&lt;br /&gt;Quando ele aprender que o samba não é rumba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu vou misturar&lt;br /&gt;Miami com Copacabana&lt;br /&gt;Chiclete eu misturo com banana&lt;br /&gt;E o meu samba vai ficar assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turiru-riru-riru bop-bip-bop-bip-bop&lt;br /&gt;Quero ver a grande confusão&lt;br /&gt;Turiru-riru-riru bop-bip-bop-bip-bop&lt;br /&gt;É o samba-rock meu irmão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em compensação&lt;br /&gt;Eu quero ver um boogie-woogie&lt;br /&gt;De pandeiro e violão&lt;br /&gt;Eu quero ver o Tio Sam de frigideira&lt;br /&gt;Numa batucada brasileira&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-2867932941342700930?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/2867932941342700930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=2867932941342700930' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2867932941342700930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/2867932941342700930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/07/conversa-com-verso-20091.html' title='Conversa com verso - 2009.1'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-8797679858549286839</id><published>2009-07-03T20:33:00.014-03:00</published><updated>2011-06-25T13:47:50.664-03:00</updated><title type='text'>É isso...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Cure o mundo, faça dele um lugar melhor pra você, pra mim e pra toda a raça humana”&lt;/span&gt; (Michael Jackson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sk6bdSZwV7I/AAAAAAAAAJo/e-dBQyPyuE4/s1600-h/mj.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 217px; height: 217px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sk6bdSZwV7I/AAAAAAAAAJo/e-dBQyPyuE4/s320/mj.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354387934448474034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É fácil externar apreço por um artista depois que ele morre. Em tais situações, é comum até o surgimento de admiradores de última hora. A relação das pessoas da minha faixa etária com Michael Jackson, porém, é antiga ou de primeira hora, algo que quem nos é contemporâneo pode entender melhor. Os pouco mais novos só acompanharam sua trajetória a partir da fase de super-mega astro pop dos anos 80. Os muito mais novos, nem isso, conheceram apenas suas excentricidades, transformações visuais e escândalos que mudaram as folhas em que costumava aparecer nos jornais, de cultura e entretenimento para páginas policiais e de fofocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 60, sobretudo nos Estados Unidos, os negros começaram a conquistar importantes direitos, em boa parte graças ao ativista político Marthin Luther King. Crescia, entre eles, um orgulho racial que os permitia valorizar suas características e sua cultura. Eles saíam às ruas com roupas e ornamentos típicos e exibiam toda a beleza de seus cabelos em cortes (ou falta deles) à época chamados de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;black power&lt;/span&gt;. Foi nesse cenário – ou por causa dele, ou ainda, junto com ele - que surgiu, naquele país, uma gravadora – a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Motown Records&lt;/span&gt; -, que contratava apenas músicos negros para o seu elenco, entre eles Diana Ross, Marvin Gaye, Stevie Wonder e um grupo de cinco irmãos, que formavam o conjunto &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jackson Five&lt;/span&gt;, do qual fazia parte Michael Jackson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos anos 70, vivia-se ainda os efeitos, embora já mais rarefeitos, da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;beatlemania&lt;/span&gt; e do movimento &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hippie&lt;/span&gt;. Eu e meus irmãos, ainda crianças e de idades próximas um do outro, éramos, como os rapazes de Liverpool, em número de quatro e usávamos seus mesmos cortes de cabelo (ou falta deles). Mas os Beatles não eram, exatamente, da nossa geração, tanto que só me dei conta da importância deles para a música mundial quando John Lennon faleceu, em 1980. Pouco antes, em 1977, tinha-se ido, também, Elvis Presley, este ainda mais distante de nós, que o conhecíamos apenas dos - à época já antigos - filmes que protagonizara, exibidos em sessões da tarde da TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens de Indiana, por sua vez, eram ídolos contemporâneos nossos, nós crianças, eles adolescentes. Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jackson Five&lt;/span&gt; eram tão famosos que inspiraram um desenho animado na TV, em que os garotos viviam aventuras, entre um e outro número musical a que assistíamos vidrados. Não podíamos ter seus cabelos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;black power&lt;/span&gt;, mas os admirávamos, sobretudo o caçula Michael, simpático e de bela voz, que logo se destacou e passou a seguir carreira solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ben&lt;/span&gt; (tema de filme homônimo sobre um garoto solitário que não recebe atenção dos pais e torna-se amigo de um rato a quem chamava &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ben&lt;/span&gt;), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Music and me&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Happy&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;One day in your life&lt;/span&gt; foram grandes sucessos da década de 70, quando cinco dos dez discos dessa fase de sua carreira foram lançados. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Off the wall&lt;/span&gt; (1979), já maior de idade, o cantor captou um pouco da onda &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“disco”&lt;/span&gt; do momento e começou a se transformar num grande astro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na década de 80, Michael Jackson lançou o álbum mais vendido de todos os tempos – &lt;a href="http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=7B481E7C04DD49528C0132D2C3D1C63E" target="blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Thriller&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de 1982. Tudo o que fez nessa década obteve êxito, como as parcerias com Paul McCartney (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The girl is mine&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Say, say, say&lt;/span&gt;) e Lionel Richie (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;We are the world&lt;/span&gt;), esta última gravada por um grupo de cantores, num projeto de autoria dos dois compositores, denominado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;USA for Africa&lt;/span&gt;, que tinha como objetivo ajudar as vítimas da fome naquele continente e chamar atenção para o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a sua performance nos palcos, virou febre, também, o passo batizado de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;moonwalk&lt;/span&gt;, que considero, até hoje, uma das coisas mais impressionantes feitas em termos de coreografia e dança, sobretudo por parecer desafiar as leis da física. Michael inovou, também, na linguagem dos videoclipes, transformando-os em bem produzidos filmes de micro-metragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o sucesso estrondoso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Thriller&lt;/span&gt;, alguns fãs de primeira hora passaram a esconder a admiração pelo cantor, que passou a ser visto por muitos como representante de uma cultura consumista que nos queria ser imposta pelos Estados Unidos, entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;McDonald’s&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coca-Colas&lt;/span&gt;. Ao mesmo tempo, eu e meus irmãos recebíamos, em casa, influências positivas de nosso pai, que não era comedor de criancinhas (Michael também não), mas possuía idéias progressistas. Diante disso, depois que um de meus irmãos comprou esse disco, passei a ameaçá-lo com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“vou dizer a papai”&lt;/span&gt;, numa brincadeira em que punha como inconciliável sua admiração por um e outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois meses, portanto antes da morte do cantor, dei-lhe a oportunidade de acertar contas com o passado ao presenteá-lo com edição comemorativa dos 25 anos de lançamento de Thriller, quando ele pôde, enfim, revelar minha chantagem e seu pecado a nosso pai, que nos “perdoou” e achou muita graça.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A figura frágil que queria ser eternamente criança se foi, antes de iniciar sua nova turnê, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“This is it”&lt;/span&gt;. É isso. Seus traumas de infância, aliados à tentativa frustrada de ser o que se esperava dele – e por esse aspecto, todos nós matamos Michael Jackson -, levaram-no à negação ou tentativas de desconstrução da própria imagem, o que culminou com a destruição de sua própria vida. Cada um sabe de seus motivos e, como já foi dito, de perto, ninguém é normal. É a natureza humana, assim que ela nos faz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="background:#000000;width:400px;height:272px"&gt;&lt;embed flashVars="playerVars=showStats=yes|autoPlay=no|videoTitle=Michael Jackson - Heal The World (Official Music Video)" src="http://www.metacafe.com/fplayer/sy-13406413/michael_jackson_heal_the_world_official_music_video.swf" width="400" height="272" wmode="transparent" allowFullScreen="true" allowScriptAccess="always" name="Metacafe_sy-13406413" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size:12px;"&gt;&lt;a href="http://www.metacafe.com/watch/sy-13406413/michael_jackson_heal_the_world_official_music_video/"&gt;Michael Jackson - Heal The World (Official Music Video)&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-8797679858549286839?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/8797679858549286839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=8797679858549286839' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8797679858549286839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/8797679858549286839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/07/e-isso.html' title='É isso...'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sk6bdSZwV7I/AAAAAAAAAJo/e-dBQyPyuE4/s72-c/mj.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-458872987150969429</id><published>2009-06-22T17:48:00.002-03:00</published><updated>2009-06-22T18:08:15.674-03:00</updated><title type='text'>São João no Nordeste(ou de como filósofo grego caiu no forró)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sj_ytG-ibpI/AAAAAAAAAJQ/J6-AFIdOl6w/s1600-h/borges.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 200px; height: 273px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sj_ytG-ibpI/AAAAAAAAAJQ/J6-AFIdOl6w/s320/borges.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350261739120389778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um violeiro buscava&lt;br /&gt;Inspiração pra um tema&lt;br /&gt;Quando num sonho encontrou&lt;br /&gt;A solução do problema&lt;br /&gt;Uma questão matemática&lt;br /&gt;Que envolvia um teorema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma figura geométrica&lt;br /&gt;Do teorema complicado&lt;br /&gt;Que também servia de nome&lt;br /&gt;A instrumento bem usado&lt;br /&gt;Deu ao cordel forma e métrica&lt;br /&gt;Como ele havia sonhado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim então essa história&lt;br /&gt;Nesses versos se propaga&lt;br /&gt;Conta a estranha ligação&lt;br /&gt;Do triângulo de Pitágoras&lt;br /&gt;Com a zabumba e a sanfona&lt;br /&gt;Do forró de Luiz Gonzaga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zabumba e sanfona a sós&lt;br /&gt;Queriam mais um ao lado&lt;br /&gt;O Triângulo das Bermudas&lt;br /&gt;Não deu conta do recado&lt;br /&gt;Eis que surge o de Pitágoras&lt;br /&gt;Que se mostra interessado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O triângulo amoroso&lt;br /&gt;Deixou a coisa confusa&lt;br /&gt;Co’os quadrados dos catetos&lt;br /&gt;E uma tal de hipotenusa&lt;br /&gt;De um lado dois cabra-macho&lt;br /&gt;Do outro uma bela musa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A zabumba e a sanfona&lt;br /&gt;Enfim desataram o nó&lt;br /&gt;Reverteram o teorema&lt;br /&gt;Resolveram o quiproquó&lt;br /&gt;Se juntaram ao triângulo&lt;br /&gt;Formataram o forró&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Pitágoras que né besta&lt;br /&gt;Nem ligou pra confusão&lt;br /&gt;Veio s’imbora pro Nordeste&lt;br /&gt;Dançar forró e baião&lt;br /&gt;Largou teoremas e teses&lt;br /&gt;Pra viver de curtição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo entendido&lt;br /&gt;De álgebra e geometria&lt;br /&gt;Encontrou bela morena&lt;br /&gt;Como há tempo ele não via&lt;br /&gt;Se enxeriu pra tal menina&lt;br /&gt;Todo cheio de ousadia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio com prosa esquisita&lt;br /&gt;Pra levar a cabo a trama&lt;br /&gt;Enrolou a língua toda&lt;br /&gt;Pra impressionar a dama&lt;br /&gt;E deixou a boca cheia&lt;br /&gt;De alfa beta delta gama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morena que sabia&lt;br /&gt;Da tenção do camarada&lt;br /&gt;Se esquivou como podia&lt;br /&gt;De tão ilustre cantada&lt;br /&gt;E sem mais nem meio mais&lt;br /&gt;Respondeu indignada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse a ele meu senhor&lt;br /&gt;Você tá falando grego&lt;br /&gt;Eu não sou mulé de Atenas&lt;br /&gt;E já tenho meu chamego&lt;br /&gt;Pare co’essa gritaria&lt;br /&gt;Não perturbe meu sossego&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alfa beta delta gama&lt;br /&gt;Essas damas não conheço&lt;br /&gt;A verdade é que o senhor&lt;br /&gt;Não sabe da missa um terço&lt;br /&gt;Eu já sou comprometida&lt;br /&gt;Não espere meu apreço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso o senhor&lt;br /&gt;Está bem acompanhado&lt;br /&gt;Leve as quatro raparigas&lt;br /&gt;Pra aprender forró e xaxado&lt;br /&gt;E me deixe aqui em paz&lt;br /&gt;Com meu caro namorado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grego gringo gaguejou&lt;br /&gt;Sem saber o que dizer&lt;br /&gt;Deixou a dama de lado&lt;br /&gt;Procurou o que fazer&lt;br /&gt;Foi atrás de um sanfoneiro&lt;br /&gt;Com o intuito de aprender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paciente, o sanfoneiro&lt;br /&gt;Começou a preleção&lt;br /&gt;Ensinou ao calculista&lt;br /&gt;A origem do São João&lt;br /&gt;E de como aquela gente&lt;br /&gt;Tinha tanta animação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso povo nordestino&lt;br /&gt;Carrega uma triste sina&lt;br /&gt;Há uma época do ano&lt;br /&gt;Em que a seca predomina&lt;br /&gt;Não chove nem um pouquinho&lt;br /&gt;Quando chove é chuva fina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como lá na sua terra,&lt;br /&gt;Aqui há também guerreiro&lt;br /&gt;A batalha é constante&lt;br /&gt;De janeiro a janeiro&lt;br /&gt;E o povo é, mesmo na luta,&lt;br /&gt;Simpático e hospitaleiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece tragédia grega&lt;br /&gt;A labuta nordestina&lt;br /&gt;Sofre planta, gado, gente&lt;br /&gt;Angústia que só termina&lt;br /&gt;Quando a chuva anuncia&lt;br /&gt;Tempo de festa junina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada da colheita&lt;br /&gt;Diminui essa agonia&lt;br /&gt;E o São João é o festejo&lt;br /&gt;Que traduz essa alegria&lt;br /&gt;Disse ele com orgulho&lt;br /&gt;Ao ilustre que o ouvia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que o estrangeiro&lt;br /&gt;Concluiu aliviado&lt;br /&gt;Que o triângulo desertor&lt;br /&gt;Tava aqui bem empregado&lt;br /&gt;E foi por uma causa justa&lt;br /&gt;Que fugiu pra esses lados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua musa hipotenusa&lt;br /&gt;Quis saber seu paradeiro&lt;br /&gt;Chegou em Minas Gerais&lt;br /&gt;Quando veio do estrangeiro&lt;br /&gt;E encontrou um novo amor&lt;br /&gt;O Triângulo Mineiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os catetos endoidaram&lt;br /&gt;Co’o desfecho dessa história&lt;br /&gt;Chamaram profissional&lt;br /&gt;Pra ajudar na luta inglória&lt;br /&gt;O cabra era especialista&lt;br /&gt;Em análise combinatória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise surtiu efeito&lt;br /&gt;E os doidos tiveram alta&lt;br /&gt;Mais sugestões do doutor&lt;br /&gt;Quiseram obter sem falta&lt;br /&gt;Fazer dupla de forró&lt;br /&gt;Virou o assunto em pauta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois criaram conjunto&lt;br /&gt;Pra se apresentar aqui&lt;br /&gt;Só faltava achar um nome&lt;br /&gt;Que vieram a sugerir&lt;br /&gt;E à bandinha de forró&lt;br /&gt;Chamaram Cateto em Si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À quadrilha de São João&lt;br /&gt;Convidaram o grego culto&lt;br /&gt;Pois se a ordem dos fator&lt;br /&gt;Não altera o produto,&lt;br /&gt;Se tem matuto doutor&lt;br /&gt;Pode ter doutor matuto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou-se a prova dos nove&lt;br /&gt;Provou-se por a mais bê&lt;br /&gt;O São João do Nordeste&lt;br /&gt;É difícil de esquecer&lt;br /&gt;E pra gregos e troianos&lt;br /&gt;É bonito de se ver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clamou aos deuses do Olimpo&lt;br /&gt;O grego, então, fascinado&lt;br /&gt;Pedindo que protegessem&lt;br /&gt;Esse povo abençoado&lt;br /&gt;E descreveu com detalhes&lt;br /&gt;O que foi presenciado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra começar, à visão&lt;br /&gt;Fogos, balões coloridos&lt;br /&gt;Delícias ao paladar&lt;br /&gt;Canções para os ouvidos&lt;br /&gt;É o São João no Nordeste&lt;br /&gt;Bom em todos os sentidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogueiras e bandeirinhas&lt;br /&gt;Completam o quadro perfeito&lt;br /&gt;E nada há que emocione&lt;br /&gt;Em maior grau o sujeito&lt;br /&gt;Do que escutar os acordes&lt;br /&gt;De Asa Branca ou Assum Preto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O violeiro despertou&lt;br /&gt;E assim terminou o sonho&lt;br /&gt;De um filósofo renomado&lt;br /&gt;Que dançou forró, bisonho&lt;br /&gt;E pra findar o cordel&lt;br /&gt;Não sei mais o que é que ponho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O São João desvela o tema&lt;br /&gt;Desse sonho a cada ano:&lt;br /&gt;Pernambuc-ano, bai-ano&lt;br /&gt;Sergip-ano, alago-ano&lt;br /&gt;Enfim, é o Nordeste inteiro&lt;br /&gt;De mãos dadas celebrando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mês de junho se anuncia&lt;br /&gt;O coração canta feliz&lt;br /&gt;Comprovando por verdade&lt;br /&gt;O que todo o mundo diz:&lt;br /&gt;O São João no Nordeste&lt;br /&gt;É o melhor do meu país&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-458872987150969429?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/458872987150969429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=458872987150969429' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/458872987150969429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/458872987150969429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/06/sao-joao-no-nordeste-ou-de-como.html' title='São João no Nordeste&lt;br&gt;(ou de como filósofo grego caiu no forró)'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/Sj_ytG-ibpI/AAAAAAAAAJQ/J6-AFIdOl6w/s72-c/borges.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-3377400884813989812</id><published>2009-06-11T13:50:00.006-03:00</published><updated>2009-06-14T17:33:52.986-03:00</updated><title type='text'>Uma pena</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SjE48XGPm0I/AAAAAAAAAJA/CR-veDdbnZU/s1600-h/simonal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 237px; height: 331px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SjE48XGPm0I/AAAAAAAAAJA/CR-veDdbnZU/s320/simonal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346116842309000002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um documentário em homenagem ao cantor Wilson Simonal, que completaria 70 anos em 2009, tenta mostrar, sobretudo àqueles com menos de cinquenta anos e que não acompanharam a fase áurea da carreira do músico, o que ele representou para a música brasileira, ao mesmo tempo em que narra, por meio de depoimentos, um episódio polêmico no qual se envolveu e que mudou sua vida. Trata-se de “&lt;a href="http://www.simonal.com/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Simonal – Ninguém sabe o duro que dei&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”, de Micael Langer, Calvito Leal e Cláudio Manoel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simonal inovou com seu jeito de cantar e dançar cheio de suingue, que combinava bem com sua figura alegre, de sorriso aberto. Iniciou sua carreira na década de 60, com o apoio de Carlos Imperial - o mesmo que, pouco antes, havia lançado Roberto Carlos e, por isso mesmo, andava cheio de moral. Ainda nessa década, dividiu o palco com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8Hc0FGmXONk&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Sarah Vaughan&lt;/a&gt;, apresentou o programa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Show em Si Monal&lt;/span&gt; na TV Record e atingiu o auge de popularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1969, já consagrado, apresentou-se no encerramento do IV Festival Internacional da Canção, não como concorrente, mas como convidado e foi bastante aplaudido pela plateia que lotava o ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Tudo ia bem. Simonal virou garoto-propaganda da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shell&lt;/span&gt;, integrou a comitiva da seleção brasileira à copa de 70 – dividindo as atenções com Pelé - e gravou a canção &lt;span style="font-style: italic;"&gt;País tropical&lt;/span&gt;, de Jorge Ben, antes mesmo do compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de ditadura e repressão, fazer anúncio de uma multinacional estadunidense, reverenciar uma seleção de futebol e um evento esportivo tidos como ópio do povo e cantar versos como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”&lt;/span&gt; já seria suficiente para criar certa prevenção à figura do músico. Além do mais, não seria nada difícil um cara de origem humilde que esbanjava dinheiro e comprava carrões ser tachado de metido a besta pela “elite” e o filme ressalta tudo isso. Até aí, tudo poderia não passar de preconceito, mas foi seu envolvimento em caso polêmico que fez a opinião pública colocar o outro pé atrás em relação a ele. Em apenas três anos, o cara que, como dizia um de seus maiores sucessos*, fez o povo inteiro cantar, passou do auge da fama ao ostracismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio envolveu o contador da empresa de Simonal que, ao ser vítima de espancamento por parte de agentes do DOPS - Departamento de Ordem Política e Social, também conhecido como órgão oficial de tortura do governo militar -, denunciou o músico como mandante. A versão de Simonal era que estaria sendo roubado e queria dar uma prensa no contador. Para este, o cantor era perdulário e não administrava bem o dinheiro que ganhava. Simonal foi preso e acusado de ser informante do DOPS, o popular dedo-duro. Em depoimento, acusou o contador de ser terrorista e de ameaçar sua família, o que só piorou a situação. Passou a ser discriminado pelo público e colegas de profissão, bem como boicotado por emissoras de televisão e casas de shows, que não queriam assumir os riscos de contratá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme procura ser o mais isento possível e colhe depoimentos dos dois lados. De um lado, amigos e parentes como Chico Anísio, Tony Tornado, Miele, Sandra Cerqueira – sua segunda esposa - e os filhos Wilson Simoninha (a quem Simonal dedica a canção &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FH0Ws4Sw0ZE&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tributo a Marthin Luther King&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, em momento especial registrado) e Max de Castro. Do outro, a turma do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pasquim&lt;/span&gt; – periódico que, à época, não o perdoou – e a própria vítima do caso, o contador Raphael Viviani, cujo relato dos fatos é a parte mais surpreendente do documentário, ainda que os depoimentos emocionados dos familiares do cantor também nos façam refletir que, se ele errou, pagou caro por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um lado e outro, a relevante opinião de pesquisadores e entendidos de música como Ricardo Cravo Albin e Nelson Motta é destacada. Interessante, também, o fato de um dos diretores do filme, Cláudio Manoel, fazer parte da turma do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Casseta e Planeta&lt;/span&gt;, fusão dos periódicos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Casseta Popular&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Planeta Diário&lt;/span&gt;, este, por sua vez, fruto do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pasquim&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira apresentação após o episódio, Simonal recebeu do público sonora vaia que o impediu de cantar. Ficou evidente, a partir daí, a repercussão do caso e as consequências irreversíveis para sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em depoimento ao filme, o jornalista Artur da Távola afirmou que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“vivemos em uma imprensa que toma o indício como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condenação e a condenação como linchamento”&lt;/span&gt;. A necessidade e a importância da liberdade de imprensa – assunto que mereceu destaque recentemente com a revogação da antiquada lei de imprensa - é indiscutível, mas, julgamentos à parte, o que se percebe, neste e em vários outros casos, é o assustador e inegável poder dos meios de comunicação, o qual pode ser usado para o bem ou para o mal e, em casos extremos, induzir o povo a exaltar crápulas ou destruir inocentes. Culpado ou inocente, Wilson Simonal já cumpriu sua pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-RJkT_lhPg0" target="_blank"&gt;Sá Marina&lt;/a&gt; (Antônio Adolfo / Tibério Gaspar)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendo a rua da ladeira&lt;br /&gt;Só quem viu, que pode contar&lt;br /&gt;Cheirando a flor de laranjeira&lt;br /&gt;Sá Marina vem pra dançar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De saia branca costumeira&lt;br /&gt;Gira o sol, que parou pra olhar&lt;br /&gt;Com seu jeitinho, tão faceira&lt;br /&gt;Fez o povo inteiro cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roda pela vida afora&lt;br /&gt;E põe pra fora essa alegria&lt;br /&gt;Dança que amanhece o dia&lt;br /&gt;Pra se cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gira, que essa gente aflita&lt;br /&gt;Se agita e segue no seu passo&lt;br /&gt;Mostra toda essa poesia do olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando versos na partida&lt;br /&gt;E só cantigas pra se cantar&lt;br /&gt;Naquela tarde de domingo&lt;br /&gt;Fez o povo inteiro chorar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-3377400884813989812?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/3377400884813989812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=3377400884813989812' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/3377400884813989812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/3377400884813989812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/06/uma-pena.html' title='Uma pena'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SjE48XGPm0I/AAAAAAAAAJA/CR-veDdbnZU/s72-c/simonal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-6360590552469125395</id><published>2009-05-31T14:11:00.005-03:00</published><updated>2009-05-31T15:06:41.778-03:00</updated><title type='text'>A MPB em seu esplendor - Parte II</title><content type='html'>Passados os movimentos da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bossa Nova&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tropicalismo&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovem Guarda&lt;/span&gt;, e com a censura e a repressão impostas pelos nossos anos de chumbo dificultando o surgimento de novas expressões artísticas, o grande movimento dos anos 70 foi mesmo a Música Popular Brasileira, que ainda conseguiu conviver com a onda &lt;span style="font-style: italic;"&gt;disco&lt;/span&gt;, importada dos Estados Unidos. O sucesso era tanto que representantes da dita MPB bateram recordes de venda de discos, algo incomum nas décadas seguintes, marcadas pelo predomínio de outros estilos, como ocorreu com o rock nos anos 80, axé e sertanejo nos anos 90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dedicar um belo trabalho ao público infantil - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os saltimbancos&lt;/span&gt; -, Chico Buarque lançou disco que trazia as “liberadas” &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cálice&lt;/span&gt;, com participação de Milton Nascimento, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tanto mar &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;, bem como algumas canções que estariam presentes em seu trabalho seguinte, a trilha sonora da peça “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ópera do Malandro&lt;/span&gt;”: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JIFWpMzwUnc&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedaço de mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, com participação de Zizi Possi, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O meu amor&lt;/span&gt;, com interpretação de Elba Ramalho e Marieta Severo e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Homenagem ao malandro&lt;/span&gt;. O disco tinha, ainda, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Feijoada completa&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DJYbje-UGto" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Até o fim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;já de saída a minha estrada entortou, mas vou até o fim&lt;/span&gt;), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pequeña serenata diurna&lt;/span&gt; – do cubano Sílvio Rodriguez, única não composta por Chico – e duas parcerias com Francis Hime, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pivete&lt;/span&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hn4JyodL7K4" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trocando em miúdos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o melhor exemplo da alta qualidade das canções da época seja o citado álbum duplo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ópera do Malandro&lt;/span&gt;, que está completando trinta anos, como boa parte dos discos comentados, do final dos anos 70. Além de versões bem-humoradas para trechos de óperas, Chico compôs todas as canções do disco. Interpretou sozinho um dos destaques - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Geni e o Zepelim&lt;/span&gt; - e contou com participações de Alcione em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Casamento dos pequenos burgueses&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;vão viver sobre o mesmo teto até que a morte os una&lt;/span&gt;), Zizi Possi em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Teresinha&lt;/span&gt;, Nara Leão em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folhetim&lt;/span&gt;, Gal Costa e Francis Hime em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedaço de mim&lt;/span&gt;, Elba Ramalho e Marieta Severo de novo em &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZPAMVYQFnRo" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O meu amor&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e mais: A Cor do Som, MPB-4, Marlene, Moreira da Silva, João Nogueira e As Frenéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com várias nações latino-americanas vivendo períodos de ditadura militar, houve uma aproximação natural de cantores desses países, como Pablo Milanés, Mercedes Sosa, Chico Buarque e Milton Nascimento. Chico fez versões para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Iolanda&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cancion por la unidad de latino america&lt;/span&gt;, ambas do cubano Pablo Milanés. A segunda fez parte de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=T7eEMTESTxA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Clube da Esquina 2&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, álbum duplo lançado por Milton em 1978, cujo maior destaque foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maria, Maria&lt;/span&gt;, também gravada por Simone e Elis Regina. O disco reunia, novamente, Milton e os compositores mineiros Márcio e Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini e Fernando Brant. Contava, ainda, com participações de Francis Hime, Chico Buarque e Elis Regina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elis lançou disco gravado ao vivo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Transversal do tempo&lt;/span&gt; (78), que reunia, além de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fascinação&lt;/span&gt;, canções bem brasileiras, poéticas, políticas, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rancho da goiabada&lt;/span&gt;, de João Bosco e Aldir Blanc (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;os bóias-frias quando tomam umas biritas espantando a tristeza...&lt;/span&gt;), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saudosa Maloca&lt;/span&gt;, de Adoniran Barbosa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Querelas do Brasil&lt;/span&gt;, de Maurício Tapajós e Aldir Blanc (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o Brazil não conhece o Brasil&lt;/span&gt;), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sinal Fechado&lt;/span&gt;, de Paulinho da Viola, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RmBtW3XFGWU" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cartomante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Ivan Lins e Vítor Martins, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pODeQioMGRU" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deus lhe pague&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Construção&lt;/span&gt;, de Chico Buarque, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boto&lt;/span&gt;, de Tom Jobim e Jararaca – ecológica até no compositor - e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cão sem dono&lt;/span&gt;, de Sueli Costa e Paulo César Pinheiro  (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;se eu cantar, a alegria sai falsa, se eu calar, a tristeza começa&lt;/span&gt;). Grandes compositores na voz de grande intérprete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan Lins, por sinal, também gravou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cartomante&lt;/span&gt; em álbum cujo título - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nos dias de hoje&lt;/span&gt; - foi tirado da letra dessa música e que incluía &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aos nossos filhos&lt;/span&gt;, também gravada por Elis. Tom Jobim lançou um disco ao vivo com Toquinho, Vinícius e Miúcha e outro em dois volumes com a mesma cantora. Sivuca marcou presença com o LP &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cabelo de milho&lt;/span&gt;, que trazia, entre as faixas, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XxPcHoh-fqY" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Feira de Mangaio&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - grande sucesso na voz de Clara Nunes – e o lirismo de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;No tempo dos quintais&lt;/span&gt;, com participação, nos vocais, de Raimundo Fagner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra fechar a lista com mais de cem músicas citadas, outros grandes destaques da época: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=sONmyr-7wUo&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;Maluco Beleza&lt;/a&gt;, Coração Leviano, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WHvNqQ-Q5ao" target="_blank"&gt;Ive Brussel&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kcHUz-5qItk" target="_blank"&gt;Amanhã&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=urx0dvkg0G0" target="_blank"&gt;Êxtase&lt;/a&gt;, Sufoco, Sonhos, Romaria, A Rosa, Mal necessário, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MAqCJ3S-Klc" target="_blank"&gt;Coração tranquilo&lt;/a&gt;, Bye bye Brasil, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mcYCP1nEdUA&amp;amp;feature=related" target="_blank"&gt;O bêbado e a equilibrista&lt;/a&gt;, Flor de Lis, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=iX4MTiD-pAs" target="_blank"&gt;Feira moderna&lt;/a&gt;, O cio da terra, Canção da América, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZsyTHtkszfU" target="_blank"&gt;Pombo correio&lt;/a&gt;, Vou festejar, Casinha branca, Medo de avião, Rua ramalhete, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qGCL-CK_yDc" target="_blank"&gt;João e Maria&lt;/a&gt;, Dia branco, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=v5XsBsoYkfA" target="_blank"&gt;Jura secreta&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_DCrFfoI1SI" com="" v="_DCrFfoI1SI" target="_blank"&gt;Doce vampiro&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0Iy7__AcDbY&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=6B69FCFA044B0764&amp;amp;playnext=1&amp;amp;playnext_from=PL&amp;amp;index=35" target="_blank"&gt;Dancin’ days&lt;/a&gt;, Sobradinho, Espanhola, Você não me ensinou a te esquecer&lt;/span&gt;. Encerro com uma homenagem aos artistas da nossa música, feita em 1993 por seu ilustríssimo representante, carioca meio paulista, meio pernambucano, meio mineiro, meio baiano. Um artista brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Para todos (Chico Buarque)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai era paulista&lt;br /&gt;Meu avô, pernambucano&lt;br /&gt;O meu bisavô, mineiro&lt;br /&gt;Meu tataravô, baiano&lt;br /&gt;Meu maestro soberano&lt;br /&gt;Foi Antonio Brasileiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi Antonio Brasileiro&lt;br /&gt;Quem soprou esta toada&lt;br /&gt;Que cobri de redondilhas&lt;br /&gt;Pra seguir minha jornada&lt;br /&gt;E com a vista enevoada&lt;br /&gt;Ver o inferno e maravilhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas tortuosas trilhas&lt;br /&gt;A viola me redime&lt;br /&gt;Creia, ilustre cavalheiro&lt;br /&gt;Contra fel, moléstia, crime&lt;br /&gt;Use Dorival Caymmi&lt;br /&gt;Vá de Jackson do Pandeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi cidades, vi dinheiro&lt;br /&gt;Bandoleiros, vi hospícios&lt;br /&gt;Moças feito passarinho&lt;br /&gt;Avoando de edifícios&lt;br /&gt;Fume Ari, cheire Vinícius&lt;br /&gt;Beba Nelson Cavaquinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para um coração mesquinho&lt;br /&gt;Contra a solidão agreste&lt;br /&gt;Luiz Gonzaga é tiro certo&lt;br /&gt;Pixinguinha é inconteste&lt;br /&gt;Tome Noel, Cartola, Orestes&lt;br /&gt;Caetano e João Gilberto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva Erasmo, Ben, Roberto&lt;br /&gt;Gil e Hermeto, palmas para&lt;br /&gt;Todos os instrumentistas&lt;br /&gt;Salve Edu, Bituca, Nara&lt;br /&gt;Gal, Bethania, Rita, Clara&lt;br /&gt;Evoé, jovens à vista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai era paulista&lt;br /&gt;Meu avô, pernambucano&lt;br /&gt;O meu bisavô, mineiro&lt;br /&gt;Meu tataravô, baiano&lt;br /&gt;Vou na estrada há muitos anos&lt;br /&gt;Sou um artista brasileiro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-6360590552469125395?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/6360590552469125395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=6360590552469125395' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6360590552469125395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/6360590552469125395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/05/mpb-em-seu-esplendor-parte-ii.html' title='A MPB em seu esplendor - Parte II'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-4012499969221430463</id><published>2009-05-15T00:04:00.004-03:00</published><updated>2009-05-15T00:37:02.379-03:00</updated><title type='text'>A MPB em seu esplendor - Parte I</title><content type='html'>Quem já se entendia por gente no final da década de 70 do século passado pôde vivenciar um dos períodos mais férteis da música popular brasileira, com discos mais bem feitos que esconderijo de Osama Bin Laden. Muitos dos cantores de MPB – sigla que, por sinal, começou a ser empregada em meados da década anterior, com os festivais de música -, lançaram, nesses anos, alguns de seus melhores discos. Tantas canções de qualidade em tão poucos anos é algo difícil de se repetir. Os LP’s desses cantores eram bastante esperados, da capa ao conteúdo, e a qualidade, em geral, superava as expectativas. Além do mais, ainda tínhamos Elis, Vinícius, Nara e Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evoé, jovens à vista, duas grandes cantoras começaram a carreira nesse período, contando com o aval de nada menos que Chico Buarque: Elba Ramalho e Zizi Possi. Elba, que vinha de participação na peça &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BB1TIbrlC6Q" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Morte e vida severina&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; como atriz e cantora, lançou, em 79, o disco &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ave de prata&lt;/span&gt;, que tinha como destaque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não sonho mais&lt;/span&gt;, de Chico, além de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Canta coração&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ave de prata&lt;/span&gt;. Zizi, que estreou em 78, deixou para a posteridade suas interpretações para &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JIFWpMzwUnc" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedaço de mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Chico, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nunca&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Luz e mistério&lt;/span&gt;, integrantes de seu segundo disco, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedaço de mim&lt;/span&gt;. Estrearam, ainda, Ângela Rô Rô, que brilhou como cantora e compositora com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tola foi você&lt;/span&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MzgilwVNbio" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Amor meu grande amor&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, Marina Lima e os grupos A Cor do Som, Boca Livre e 14 Bis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após a experiência conjunta dos Doces Bárbaros, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia reinvadiram, a sós, o solo fértil da nossa música. Em 1977, Caetano atacou de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bicho&lt;/span&gt;, que louvava, nas canções, vários espécimes de seres vivos (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gente&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um índio&lt;/span&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5tQ0dbP1DI4" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tigresa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O leãozinho&lt;/span&gt;). Um ano depois, lançou o disco &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Muito&lt;/span&gt;, que se hoje não é muito lembrado, trazia pérolas eternas, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sampa&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Terra&lt;/span&gt;, além de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Muito romântico&lt;/span&gt;, também gravada por Roberto Carlos. Em paralelo aos dois trabalhos, lançou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Muitos carnavais&lt;/span&gt; - apenas com marchinhas e frevos - e um disco ao vivo, com Bethânia. Fechou a década com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cinema transcendental&lt;/span&gt;, que incluía &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lua de São Jorge&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beleza pura&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Menino do Rio&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cajuína&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do disco &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Refazenda&lt;/span&gt;, de 1975, Gil completou a trilogia “Re” com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Refavela&lt;/span&gt; (77) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Realce&lt;/span&gt; (79), que nos presentearam com canções como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aqui e agora&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sandra&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Super-homem&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toda menina baiana&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não chore mais&lt;/span&gt;, além das que deram nome aos discos. Ainda dividiu com Rita Lee o álbum &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Zdb5HiCmP6Y" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Refestança&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (78), época em que a cantora compôs, com Paulo Coelho, as duas versões de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Arrombou a festa&lt;/span&gt;*, em que caçoava da MPB. Bethânia em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Álibi&lt;/span&gt; e Gal em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Água viva &lt;/span&gt;deram voz e graça a canções de grandes compositores como Chico, Caetano, Gil e Gonzaguinha. A primeira com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O meu amor&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diamante verdadeiro&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cálice&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Explode coração&lt;/span&gt; e a segunda com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folhetim&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mãe&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De onde vem o baião&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O gosto do amor&lt;/span&gt;, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora os bárbaros baianos, uma nova leva de retirantes, incluindo Elba, colocou ainda mais nos eixos nordestinos a música brasileira de então: Zé Ramalho, que já havia lançado o experimental &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Paêbirú&lt;/span&gt;, com a boa companhia de Lula Côrtes, contribuiu, nos dois  primeiros trabalhos de sua carreira solo, com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2d6ECcAlANU" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vila do sossego&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chão de giz&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bicho de sete cabeças&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Admirável gado novo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Frevo mulher&lt;/span&gt;, entre outras. Fagner, que começara a carreira no início da década, alcançou, com os discos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem viver chorará&lt;/span&gt; (78) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beleza&lt;/span&gt; (79), o auge do sucesso de público e crítica. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revelação&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Noturno&lt;/span&gt; foram os grandes destaques desses dois álbuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cantora Simone também marcou época com seu LP &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedaços&lt;/span&gt;, de 1979, no qual interpretava temas sobre encontros, como o samba &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tô voltando&lt;/span&gt;, que virou hino da anistia e sobre separações, como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_gaieMsToD8" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Começar de novo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saindo de mim&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"você foi saindo de mim por todos os meus poros e ainda está saindo nas vezes em que choro"&lt;/span&gt;), ambas de Ivan Lins e Vítor Martins. E mais: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Outra vez&lt;/span&gt;, de Isolda, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedaço de mim&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sob medida&lt;/span&gt;, de Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto Carlos continuou sua cavalgada em torno do sucesso com um bom disco, em 1977, em que todas as músicas tocaram em rádio. Falando sério, amigo. Roberto, outra vez, lançou disco muito romântico e ainda homenageou a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovem Guarda&lt;/span&gt;, com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovens tardes de domingo&lt;/span&gt;. Nos anos seguintes, num gesto familiar, fez coro com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pai e mãe&lt;/span&gt; de Gil, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mãe&lt;/span&gt; de Caetano e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YoiDOrL28Rk" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pai&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de Fábio Júnior, ao presentear a mãe e o pai com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lady Laura&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu querido, meu velho, meu amigo&lt;/span&gt;, com direito a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Café da manhã&lt;/span&gt;, ainda que sovinamente requisitado: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“vou pedir &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;um&lt;/span&gt; café pra nós &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;dois&lt;/span&gt;”&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* Arrombou a festa II (Rita Lee - Paulo Coelho)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, ai, meu Deus, o que foi que aconteceu&lt;br /&gt;Com a música popular brasileira?&lt;br /&gt;Quando a gente fala mal, a turma toda cai de pau&lt;br /&gt;Dizendo que esse papo é besteira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na onda discoteque da América do Sul&lt;br /&gt;Lenilda é Miss Lene, Zuleide é Lady Zu&lt;br /&gt;Pra defender o samba contrataram Alcione&lt;br /&gt;É boa de piston mas bota a boca no trombone&lt;br /&gt;No meio disso tudo a Fafá vem dar um jeito&lt;br /&gt;Além de muita voz, ela também tem muito peito&lt;br /&gt;E a música parece brincadeira de garoto&lt;br /&gt;Pois quando ligo o rádio ouço até Cauby Peixoto&lt;br /&gt;Cantando: “Conceição!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, ai, meu Deus, o que foi que aconteceu&lt;br /&gt;Com a música popular brasileira?&lt;br /&gt;Quando a gente fala mal, a turma toda cai de pau&lt;br /&gt;Dizendo que esse papo é besteira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sidney Magal rebola mais que o Matogrosso&lt;br /&gt;Cigano de araque, fabricado até o pescoço&lt;br /&gt;E o Chico na piscina grita logo pro garçon&lt;br /&gt;Afasta esse cálice e me traz Moët Chandon&lt;br /&gt;Com tanto brasileiro por aí metido a bamba&lt;br /&gt;Sucesso no estrangeiro ainda é Carmen Miranda&lt;br /&gt;E a Rita Lee parece que não vai sair mais dessa&lt;br /&gt;Pois pra fazer sucesso arrombou de novo a festa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ziri, ziriguidum, skindô, skindô, lelê&lt;br /&gt;Sai da frente que eu quero é comer&lt;br /&gt;A música popular brasileira&lt;br /&gt;Lady Laura&lt;br /&gt;A música popular&lt;br /&gt;Parabéns a você, parabéns para a...&lt;br /&gt;Música popular&lt;br /&gt;Oh, eu te amo, oh, eu te amo, meu amor&lt;br /&gt;Ai Sandra Rosa Madalena&lt;br /&gt;O meu sangue ferve pela...&lt;br /&gt;Música popular&lt;br /&gt;Oh, fricote, eu fiz xixi&lt;br /&gt;Fricote, eu fiz xixi&lt;br /&gt;Na música popular brasileira&lt;br /&gt;Corre que lá vem os "hóme"!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-4012499969221430463?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/4012499969221430463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=4012499969221430463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4012499969221430463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4012499969221430463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/05/mpb-em-seu-esplendor-parte-i.html' title='A MPB em seu esplendor - Parte I'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-4659562264568554499</id><published>2009-05-01T14:20:00.002-03:00</published><updated>2009-05-01T14:33:29.578-03:00</updated><title type='text'>Caminhando e cantando - os dias eram assim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SfsyWVKwKzI/AAAAAAAAAIw/LhHgcC3U1A4/s1600-h/calabar.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 164px; height: 164px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SfsyWVKwKzI/AAAAAAAAAIw/LhHgcC3U1A4/s200/calabar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330909943143869234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando se fala em música de protesto, Geraldo Vandré é o primeiro nome que nos vem à cabeça. Vandré tinha convicção de que a arte constituía poderosa arma contra o regime militar e, por conta disso, não via com bons olhos aquela que não se prestasse a tal fim. Desaprovava o uso de guitarras da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovem Guarda&lt;/span&gt; e do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tropicalismo&lt;/span&gt; – influência externa, em geral associada ao imperialismo estadunidense -, bem como os temas mais suaves da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bossa Nova&lt;/span&gt;, também pouco engajados politicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O compositor paraibano teve curta carreira artística, talvez desiludido com o caminho que traçava o país, a perseguição que sofria por lhe ser contrário e as dificuldades com a censura. Lançou apenas cinco discos, sendo o último em 1973. Tempo suficiente, porém, para compor belas canções, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Disparada&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Canção da despedida&lt;/span&gt;. Sua canção mais conhecida, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caminhando&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pra não dizer que não falei das flores&lt;/span&gt;), tornou-se hino de resistência à ditadura. Era fascinante escutar pessoas cantando, em rodas de violão ou reuniões informais, uma música que não tocava em rádio e televisão, nem estava disponível em disco, o que, naqueles tempos, apenas contribuía para torná-la especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da desilusão de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Roda-Viva&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”&lt;/span&gt;) à esperança de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai Passar&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“vem ver de perto uma cidade a cantar a evolução da liberdade”&lt;/span&gt;), Chico Buarque foi o compositor que melhor traduziu o sentimento do povo em relação ao rumo político que o país tomava. No início dos anos 70, período crítico da ditadura militar, mandou um recado mais do que direto contra o governo e a repressão em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;. Quando a censura deu conta do recado, a canção já havia sido lançada em compacto simples que foi, então, recolhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Calabar&lt;/span&gt; (1973), trilha sonora para a peça de mesmo nome, com composições de Chico Buarque e Ruy Guerra, teve que mudar a capa e o título, que passou a ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chico canta&lt;/span&gt;. Fora isso, trechos de música foram alterados, palavras substituídas ou suprimidas. No jogo de palavras em que era mestre, Chico usou as sílabas de Calabar como mote de uma das canções do disco: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cala&lt;/span&gt; a boca &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bár&lt;/span&gt;bara. Outras duas – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ana de Amsterdam&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vence na vida quem diz sim&lt;/span&gt; - apenas foram liberadas em versões instrumentais. Com subtítulo “O elogio da traição”, a peça fazia uma analogia entre Calabar – personagem da história do Brasil visto de forma controversa como traidor - e os opositores do regime militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o nome cada vez mais visado, Chico gravou, no ano seguinte, disco com músicas de outros compositores, com um sugestivo título: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sinal fechado&lt;/span&gt;. Para escapar da censura, passou a adotar, até ser descoberto alguns meses depois, o pseudônimo Julinho de Adelaide, com o qual assinou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Milagre brasileiro&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acorda amor&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“depois de um ano eu não vindo, ponha a roupa de domingo e pode me esquecer”&lt;/span&gt;) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jorge Maravilha&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“você não gosta de mim, mas sua filha gosta”&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tim Maia disse, certa vez, que com uma música de Ivan Lins faria umas dez, em exaltação ao estilo apurado das composições do colega. Compositor mais comumente associado a canções românticas, Ivan Lins, com o parceiro e letrista Vítor Martins, também foi esmerado em canções políticas, como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A noite&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“a noite tem deixado seus rancores gravados...”&lt;/span&gt;), Cartomante (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“nos dias de hoje não lhes dê motivo, porque na verdade eu te quero vivo”&lt;/span&gt;) e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aos nossos filhos&lt;/span&gt;*, as duas últimas com interpretações notáveis de Elis Regina. Ironicamente, um de seus primeiros sucessos foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O amor é o meu país&lt;/span&gt;, de seu primeiro LP (1970), considerada alienada para um período tão conturbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra não dizer que não falei das flores, com a abertura política, canções outrora censuradas puderam, enfim, ser gravadas, como a citada música de Vandré, que fez parte de um disco ao vivo da cantora Simone, gravado no último dia do ano de 1979, no qual ela fazia votos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“que as pessoas menos afortunadas do que nós tenham um pouquinho de estabilidade na vida”&lt;/span&gt;. Um ano antes, num LP a que ele se refere como o “disco das samambaias”, por conta da capa, Chico Buarque não perdeu tempo e gravou logo três: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cálice&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tanto mar&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, surgiu uma leva de canções mais otimistas. Prenunciava-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“um novo tempo, apesar dos perigos”&lt;/span&gt;, com mensagens como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos”&lt;/span&gt; (Ivan Lins e Vítor Martins). Como já disse Tom Zé, a felicidade é cheia de hino. Vieram, então, os hinos da anistia (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O bêbado e o equilibrista&lt;/span&gt;, de João Bosco e Aldir Blanc; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tô voltando&lt;/span&gt;, de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro), das diretas (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pelas tabelas&lt;/span&gt;, de Chico Buarque), da Nova República (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coração de estudante&lt;/span&gt;, de Milton Nascimento e Wagner Tiso), culminando com o hino da redemocratização (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vai passar&lt;/span&gt;, de Chico Buarque e Francis Hime).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte, mais especificamente a música, sempre foi lenitivo a momentos difíceis. Quem canta seus males espanta, diz um dito popular. Cantando eu mando a tristeza embora, responde um cantor popular. E assim, virando a página, tocando em frente, caminhando, cantando e seguindo a canção, escrevemos nossa história em notas musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* Aos nossos filhos (Ivan Lins / Vítor Martins)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem a cara amarrada&lt;br /&gt;Perdoem a falta de abraço&lt;br /&gt;Perdoem a falta de espaço&lt;br /&gt;Os dias eram assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem por tantos perigos&lt;br /&gt;Perdoem a falta de abrigo&lt;br /&gt;Perdoem a falta de amigos&lt;br /&gt;Os dias eram assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem a falta de folhas&lt;br /&gt;Perdoem a falta de ar&lt;br /&gt;Perdoem a falta de escolha&lt;br /&gt;Os dias eram assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando passarem a limpo&lt;br /&gt;E quando cortarem os laços&lt;br /&gt;E quando soltarem os cintos&lt;br /&gt;Façam a festa por mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando lavarem a mágoa&lt;br /&gt;E quando lavarem a alma&lt;br /&gt;E quando lavarem a água&lt;br /&gt;Lavem os olhos por mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando brotarem as flores&lt;br /&gt;Quando crescerem as matas&lt;br /&gt;Quando colherem os frutos&lt;br /&gt;Digam o gosto pra mim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28328762-4659562264568554499?l=paulobap.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulobap.blogspot.com/feeds/4659562264568554499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28328762&amp;postID=4659562264568554499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4659562264568554499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28328762/posts/default/4659562264568554499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulobap.blogspot.com/2009/05/caminhando-e-cantando-os-dias-eram.html' title='Caminhando e cantando - os dias eram assim'/><author><name>Paulo Bap</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14112329524031247720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='29' src='http://4.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeSJ1Mp97uI/AAAAAAAAAIA/vxr_7fKkbj4/S220/bap.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SfsyWVKwKzI/AAAAAAAAAIw/LhHgcC3U1A4/s72-c/calabar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28328762.post-2292412592319568104</id><published>2009-04-15T22:47:00.009-03:00</published><updated>2009-06-14T17:35:02.605-03:00</updated><title type='text'>Formas simples pra falar de amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeaXH40X2WI/AAAAAAAAAIo/yv4eFRtM--E/s1600-h/rc2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325109771179120994" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 194px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 194px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_80ct1T6zJd0/SeaXH40X2WI/AAAAAAAAAIo/yv4eFRtM--E/s200/rc2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Entre as décadas de 50 e 60, o rock começou a fazer barulho pelo mundo, revelando expoentes como Elvis Presley nos Estados Unidos e os Beatles na Inglaterra. Paralelamente a esse burburinho, o Brasil calava-se diante da Bossa Nova e seu novo paradigma de interpretação e composição. Pouco depois, questões políticas nacionais exacerbaram uma dicotomia lado A – lado B, expandindo-a para a música, até que os tropicalistas, ao olharem de lado para a categorização, deixarem de lado o preconceito e colocarem lado a lado os dois lados, fizeram tudo virar um saudável &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;clipe sem nexo, meio bossa nova e rock’n roll&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem viveu a adolescência nesse período entre meados das duas décadas, além de vivenciar as mudanças inerentes a essa etapa da vida, presenciou aquelas por que passou a música e, certamente, não saiu ileso. O cantor e compositor Roberto Carlos foi um desses jovens. Iniciou a carreira nessa época, cantando no estilo da recém-surgida &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Bossa Nova&lt;/span&gt;, mas, logo em seguida, deixou o barquinho correr e criou o movimento que ficou conhecido como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Jovem Guarda&lt;/span&gt;, inspirado no tal do rock. Não obstante, sempre foi figura benquista em todo o meio artístico, com amigos como o tropicalista Caetano Veloso e o bossanovista Ronaldo Bôscoli, que foi produtor de seus shows junto com Miele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu marcante LP de 1971, quando Caetano estava no exílio em Londres, Roberto gravou uma canção dele - &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Como dois e dois&lt;/span&gt; - e outra para ele, &lt;a href="http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&amp;amp;nomeplaylist=000602-6_08%3C@%3E1971%3C@%3EDebaixo_dos_Carac%F3is_dos_seus_Cabelos%3C@%3ERoberto_Carlos%3C@%3E0347%3C@%3ERoberto_Carlos%3C@%3ESONY%3C@%3EColumbia" target="_blank"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Debaixo dos caracóis dos seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;*, que faz sutil referência ao exílio, como uma espécie de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Sabiá&lt;/span&gt; (esta inspirada na &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Canção do Exílio&lt;/span&gt;, de Gonçalves Dias) a cantar em outra freguesia, a da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Jovem Guarda&lt;/span&gt;. Em discos posteriores, gravou, também de Caetano, &lt;a href="http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&amp;amp;nomeplaylist=000691-9_04%3C@%3E1977%3C@%3EMuito_Rom%E2ntico%3C@%3ERoberto_Carlos%3C@%3
