18.5.06

Carioca sob medida para todos


Não poderia inaugurar este blog em melhor estilo, ao falar de um carioca. Não do Zé, mas do Chico, assim chamado durante sua adolescência em São Paulo. Seu pai era paulista; seu avô, pernambucano; seu bisavô, mineiro; seu tataravô, baiano. Isso mesmo. Nos dias de hoje, ele é mais conhecido como Chico Buarque de Holanda e acaba de lançar seu novo disco, "Carioca", depois de longas e tenebrosas estações (e transações também): seu último CD com músicas inéditas foi "As Cidades", de 1998.

Este seu novo trabalho é o primeiro pela gravadora Biscoito Fino (cada vez mais fino), o novo dono da voz. Além do CD, será lançado também um documentário em DVD, com uma hora de duração, intitulado "Desconstrução", contendo o processo de elaboração do álbum e os bastidores das gravações. Nem todas as faixas do CD são inéditas, algumas já foram gravadas por outros cantores, outras por ele mesmo, como "Ode aos Ratos", dele e de Edu Lobo, da peça musical "Cambaio".

Todas as doze faixas do disco são de sua autoria, cinco delas em parceria, inclusive uma inédita com o cantor e compositor Ivan Lins, a música "Renata Maria", também já gravada anteriormente por ele, neste caso, junto com a cantora Leila Pinheiro, em seu último trabalho. As outras músicas compostas em parceria foram: "Bolero Blues", com o baixista de sua banda Jorge Hélder (em uma das boas cenas do DVD, Hélder chora ao saber que Chico pôs letra em sua música e selecionou-a para o CD); "Leve", com o cantor e compositor Carlinhos Vergueiro, composta em 1997 e gravada pela cantora Dora Vergueiro, nesse mesmo ano, em seu disco e "Imagina" com seu maestro soberano, Antônio Brasileiro, Tom Jobim, a qual Chico canta em dueto com a cantora Mônica Salmaso. Uma curiosidade é que a melodia de "Imagina", de 1947, é a primeira feita por Tom Jobim. A letra foi feita bem depois por Chico, em 1983, quando a canção entrou na trilha sonora do filme "Para Viver Um Grande Amor", interpretada, então, por Djavan e Olívia Byington.

Além de "Imagina", outras músicas também foram feitas por encomenda para trilhas sonoras de filmes, como "Porque Era Ela, Porque Era Eu", composta para o filme "A Máquina", de João Falcão, atualmente em exibição nos cinemas e "Sempre", do novo filme de Cacá Diegues, "O Maior Amor Do Mundo", com estréia prevista para setembro deste ano (veja letra ao final do texto).

As músicas "Ela Faz Cinema" e "As Atrizes", embora não tenham sido feitas para nenhum filme específico, têm a sétima arte como tema. Completam o CD as faixas "Subúrbio", "Outros Sonhos" e "Dura na Queda", que tem o sub-título de "Ela Desatinou nº 2", feita por Chico em homenagem a Elza Soares, e gravada por ela no seu bastante elogiado e premiado CD "Do Cóccix ao Pescoço", lançado em 2002.

Além de Mônica Salmaso, o disco tem também participações de Dominguinhos, que toca acordeon na faixa "Outro Sonhos" e de Daniel Jobim, no piano, na música "Imagina". Os arranjos são do maestro Luiz Cláudio Ramos.

P.S.: Pessoas especiais não são preconceituosas e Chico não é exceção: aceitou participar do novo disco da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, cantando junto com eles a música "Minha História", sua versão para a música italiana "Gesùbambino" (Dalla – Palotino).



Sempre (Chico Buarque)

Sempre
Eu te contemplava sempre
Te mirei de mil mirantes
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
E as estrelas cintilantes
Que se foram para sempre
No teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso, o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre
Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que o bastante
Quando em cada instante é sempre

Um comentário:

Valéria disse...

Paulo

Seu blog está o máximo, muito bem escrito e cheio de assuntos interessantes.
Alguém mais neste mundo poderia ter escrito a música SEMPRE?