19.12.09

Temporal

No meu tempo, tudo tinha seu tempo
Mais cedo ou mais tarde
Hoje, meu futuro se apresenta
Já era. E agora?
Tenho uma morte inteira pela frente

Ontem, serei feliz, ao menos um segundo
Quando? Faz tempo
Depois de amanhã já é noite
Luto contra o tempo
Antes que seja tarde
Horas a fio, dia após dia, amiúde, sempre
Não perco tempo. É urgente

Hoje, porém, eu me rendo e peço
Antes tarde do que nunca
Por um momento esquecer quanto tempo me resta
E cada instante, enfim, viver eternamente

(Temporal - Paulo Bap)


Tempo de reflexão. O novo milênio – futurista, cinematográfico, tão imaginado e esperado, decantado em músicas, citado em livros, tema de filmes - chegou e, num piscar de olhos, já se foi sua primeira década.

Tempo de relógio. O tempo é assim, absolutamente relativo. Devagar, quando o queremos rápido. Veloz, quando o queremos lento. Tempo integral, tempo instantâneo. Tão rápido que a unidade de tempo é segundo e não primeiro. Primeiro, o segundo, por fim, o infinito. Mas o que houve antes do primeiro segundo? Indefinitivamente, não sei.

Tempo de remediar. O tempo é remédio pra todos os males. Bem ou mal, tudo passa, é só dar tempo ao tempo. Certa pessoa, sempre que via alguém triste, costumava dizer: “não se preocupe, isso é só uma frase”, como quem diz “isso passa”. Queria dizer fase, mas, ao confundir, acertava (de fato, isso é só uma frase). O curioso é que se usasse o termo período, em vez de frase, o período – ou frase - manteria os dois sentidos – temporal e gramatical - e o equívoco passaria despercebido: “não se preocupe, isso é só um período”. Seja como for, uma fase, como uma frase, termina no ponto que a separa da seguinte.

Tempo de contradição. O tempo não para, é um paradoxo. O tempo não é temporário, mas passa. Pode ser passatempo, mas também contratempo. É passageiro, mas conduz. Expresso 2222 – “pra 2001 e 2 e tempo afora, até onde essa estrada do tempo vai dar”. Pra onde vamos e o que fazemos, nesse meio tempo entre o “há pouco” e o “a pouco”, depende de nós. Ainda está em tempo, sempre é tempo. Tempo é dinheiro, que se gasta, mas não se empresta. Tempo real. Não se compra nem se vende. Há tempo pra tudo, há tempo pra todos.

Tempo de mudar. O tempo de luta por igualdade deve ser, também, tempo de solidariedade. Todos iguais, mas não indiferentes. Individualidade não é individualismo. Ponha-se no seu lugar: ponha-se no meu lugar. O próximo sou eu, você é o próximo. Não perco meu tempo, eu acho. “Tempo rei, oh, tempo rei, transformai as velhas formas do viver”.

PS 1 - Citações musicais: Expresso 2222 e Tempo rei (Gilberto Gil)

PS 2 - Tempo de rir. Rir é contagiante, quer ver? (Destaque do portal Terra, como um dos melhores vídeos da década)



Oração ao Tempo (Caetano Veloso)

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo Tempo Tempo Tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo Tempo Tempo Tempo

Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo Tempo Tempo Tempo
Entro num acordo contigo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo Tempo Tempo Tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo Tempo Tempo Tempo

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo Tempo Tempo Tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo Tempo Tempo Tempo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo Tempo Tempo Tempo
Quando o tempo for propício
Tempo Tempo Tempo Tempo

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo Tempo Tempo Tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo Tempo Tempo Tempo

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Apenas contigo e migo
Tempo Tempo Tempo Tempo

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo Tempo Tempo Tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo Tempo Tempo Tempo

3 comentários:

Silvana Nunes .'. disse...

Salve !
Em busca de leitores e de petrocínio para o meu blog, estou aqui para convidá-lo a conhecer "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...", em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Professora e pesquisadora da cultura brasileira, acredito num mundo melhor com menos violência através do exercício da leitura e da reflexão.
O afeto e a educação continuam sendo o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos. Com amor, toda criança será confiante e segura como um rei, não se violentará para agradar os outros e será afinada com o seu próprio eixo. E se transformará num adulto bem resolvido, porque a lembrança da infância terá deixado nela a dimensão da importância que ela tem.
Além disso, divulgar esse imenso país com suas belezas naturais e multiplicidades culturais têm sido outra de minhas metas, afinal ninguém pode amar aquilo que não conhece, não é verdade. Eu me apaixonei pelo Brasil aos 12 anos, depois de ler "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna para fazer uma peça de teatro na escola onde estudava - Chicó foi o meu primeiro amor. Penso que falta ao povo brasileiro conhecer mais o seu país. Ultoimamente temos visto tantos escândalos na TV, dinheiro em mala, en cueca, em bolsa, escondidos até em meia...tanta gente passando necessidade e essa raça de políticos desviando milhões dos cofres públicos, deixando o povo a mercê da própria sorte. Uma total falta de respeito para com o seu país. Falta a essa gente o sentimento de pertencimento, afinal o Brasil ainda é o melhor lugar para se morar.
Bem, se você achar a minha proposta coerente, VAMOS TODOS JUNTOS NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR.
Atualmente moro dentro de um pedacinho da Mata Atlântica, ruídos aqui só o canto dos pássaros, o Curupira,do Caruara, a Pisadeira ... vez por outra o Saci aparece aprontando das suas. Devido a localidade ser muito alta, o sinal que chega do meu 3G é muito precário, nem sempre posso estar online. Alé, disso tenho outro probleminha: os relâmpagos. Espero que compreenda as diversas limitações de quem escolheu viver no meio do mato e, na medida do possível, vou respondendo os e-mails que chegam e atualizando o meu blog FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Se você ainda não o conhece, dê uma chegadinha por lá, é só clicar no link em azul. Deixe para mim o seu comentário.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre e que os bons ventos soprem a seu favor neste ano de 2010 que se inicia.
Saudações Florestais !
Silvana Nunes.'.

JURACY ANDRADE disse...

Oi, Filho,
Gostei da poesia e dos comentários sobre o tempo, sobretudo essa de a unidade do tempo ser o "segundo" e não o "primeiro.
Beijo de Papai

Valéria disse...

Paaalo....
Você mais uma vez arrasou. Já ouvi também " é uma frase negra, mas passa...."
e fechar c/ a música de Caetano, vai ter sensibilidade p/ escrever assim na.....
Lela