14.4.08

Leve - Sensível - Divertido

Se você é do tipo que não gosta de Sessão da Tarde, passe para o próximo texto. A vocês dois que continuam lendo, recomendo o musical “Across the universe”, um filme leve, sensível e divertido, algo como se uma versão de “Hair” fosse exibida na Sessão da Tarde, mais pueril, menos rebelde, como se os cabelos hippies, de “Hair”, passassem aos tempos da brilhantina, de “Grease”. Uma bonita história de amor e amizade entre jovens - músicos e estudantes - tendo ao fundo a guerra do Vietnã e a luta pela paz.

A guerra do Vietnã, por sinal, é um tema já bem explorado em produções cinematográficas dos mais variados estilos, pontos de vista e gostos, de “Rambo” a “Amargo regresso”. Também girando em torno do tema, o supracitado musical “Hair”, que já fora sucesso na Broadway e em teatros de todo o mundo, foi adaptado ao cinema pelo diretor Milos Forman, em 1979, tornando-se um grande sucesso de público e crítica, bem como referência de um musical de qualidade. “Let the sunshine in”, uma das canções da peça e do filme, virou um dos hinos do movimento hippie.

“Across the universe” conta a história de jovens que, vindos de diversos locais, por motivos idem, seguem para Nova York, onde se conhecem, experimentam alucinógenos e juntam-se a movimentos pacifistas, tudo tratado com profundidade de programa vespertino. Mas, o filme tem como diferencial as canções dos Beatles, nas quais a trama e também os nomes dos personagens são inspirados. Jude, um garoto de Liverpool, faz amizade com Max e apaixona-se por sua irmã Lucy (só aí, ao menos duas músicas garantidas para a trilha sonora). Max é convocado para a guerra e o casal segue a vida cantando, entre encontros e desencontros, junto aos amigos – de nomes também extraídos de músicas dos Beatles - Prudence, Jo-Jo e Sadie (os dois últimos, personagens inspirados em Jimi Hendrix e Janis Joplin).

No Brasil, o musical estreou durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2007, passando, em seguida, para as salas de cinema daquela cidade. No Oscar 2008, foi indicado para o prêmio de melhor figurino. A diretora, Julie Taymor, é a mesma de Frida e sua experiência em musicais vem de peças da Broadway, entre elas “O Rei Leão”, em cartaz há mais de dez anos e que também foi sucesso no cinema, em desenho animado.

Os melhores momentos do filme são as cenas musicais, algumas bem criativas. As interpretações dos próprios atores para as canções, todas legendadas, surpreendem, bem como alguns arranjos, diferentes dos originais e, por isso mesmo, originais, como em “I wanna hold your hand”, em ritmo mais lento e “Let it be”, como música gospel. As letras das canções encaixam-se bem ao enredo (ou o enredo às canções) e a seus personagens, como em “Dear Prudence” e “Hey Jude”. Tem ainda: “Because”, “Something”, “All you need is love”, “Strawberry fields”, “Revolution”, “Across the universe” e muito mais. Os cantores Bono Vox e Joe Cocker têm participações especiais no filme e também na trilha sonora, disponível em CD (em “I am the walrus” e “Come together”, respectivamente).

Se você é fã dos Beatles e de musicais, libere seu lado meia-entrada, vá sem medo. E não se esqueça de recomendá-lo aos que passaram para o próximo texto.

Um comentário:

Prometeu Acorrentado disse...

Olá

Descobri seu blog por acaso e o venho lendo há algum tempo, mas, sempre na correria, não havia me dado ao trabalho de deixar um recado. Como hoje é um dia atípico (para mim, claro, não para a humanidade), resolvi parar um pouquinho e escrever para parabenizá-lo pelos textos bem escritos, pelo bom gosto e pela qualidade da informação. Então aí está... Parabéns.